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segunda-feira, 13 de maio de 2013

O seu telefone celular pode ajudar a estimar a poluição luminosa!

Foram lançados dois aplicativos para smartphones direcionados à avaliação da poluição luminosa: o Dark Sky Meter, para iPhone, e o Loss of the Night, para quem possui aparelhos com sistema operacional Android.

Embora sejam bastante diferentes, o objetivo dos dois aplicativos é o mesmo: oferecer uma ferramenta para que qualquer cidadão possa contribuir para estimar a poluição luminosa em todo o planeta. Os aplicativos estão em inglês, mas são de fácil utilização. Descrevemos abaixo cada uma das opções. 

Dark Sky Meter

É oferecido em duas versões: o Lite, gratuito, e o Pro, que custa 3,99 dólares na Apple Store. O aplicativo foi desenvolvido para os iPhones 4, 4S e 5.

Ele funciona como o Sky Quality Meter, aparelho para medir o brilho de fundo do céu produzido pela Unihedron e que já descrevemos aqui. Para fazer a medida são necessários dois passos: no primeiro, o usuário tampa a câmera do iPhone para fazer uma calibração. Na sequência, ele aponta a câmera para o céu, no ponto acima de sua cabeça (zênite), e realiza a medida.

O Dark Sky Meter estima o brilho de fundo do céu de modo semelhante ao SQM-L, que descrevemos anteriormente. 

Na versão Lite, o aplicativo diz quantas vezes o céu daquele local é mais brilhante do que deveria ser, enquanto que, na versão Pro, o resultado também é dado em magnitudes por segundos de arco ao quadrado (tal como o SQM-L). Em ambos os casos, o usuário pode informar a cobertura de nuvens durante a medida e enviar os seus resultados para os servidores do projeto. Assim, as informações são disponibilizadas para pesquisas científicas e seus dados são incluídos em um mapa, que pode ser consultado dentro do próprio aplicativo, na versão Pro.


Todas as medidas de brilho do fundo do céu enviadas através do Dark Sky Meter Pro são disponibilizadas em tempo real em um mapa, dentro do próprio aplicativo. Essas medidas refletem a incidência da poluição luminosa em diferentes partes do planeta. Imagem obtida da página do projeto.

Atualização em 03/06/2013: agora as medidas obtidas com o Dark Sky Meter podem ser visualizadas, em tempo real e mesmo por quem não tem o aplicativo, através desta página.



Os resultados de todas as medidas feitas com o Dark Sky Meter agora podem ser consultados na página do projeto: http://www.darkskymeter.com/map/, mesmo por quem não tem acesso ao aplicativo.



Loss of the Night

O "Loss of the Night" é um grupo de pesquisas interdisciplinares sobre poluição luminosa, com sede na Alemanha, e o aplicativo para celulares com Android é um dos projetos associados. Ele trabalha com a mesma ideia do projeto Globe at Night, orientando o  usuário a contar estrelas em certas regiões do céu. Os resultados são enviados para uma central, sendo posteriormente utilizados nas pesquisas científicas e em trabalhos de conscientização pelo uso racional da iluminação artificial.

"Faça parte de um projeto científico mundial que mede a poluição luminosa". O Loss of the Night é um aplicativo para smartphones que rodam Android.

Baseado na sua localização geográfica, o aplicativo indica regiões do céu a serem observadas. Durante a noite, basta apontar a câmera para cima e um círculo vermelho com uma flecha surgirá na tela (veja a figura abaixo). Movimente o aparelho na direção da flecha. Quando chegar à área correta, o círculo se tornará amarelo e o aplicativo perguntará se o usuário consegue enxergar a estrela naquele local. O processo se repetirá sete vezes e, ao final, os resultados são enviados via internet. O usuário também pode informar sobre a cobertura de nuvens no momento das observações.



 O Loss of the Night mostra um círculo vermelho com uma flecha para orientar o usuário a encontrar a região do céu a ser observada. Quando ela é encontrada, o círculo se torna amarelo e o aplicativo questiona se é possível ver uma estrela naquela região do céu. A sequência deve ser repetida sete vezes antes do envio dos resultados. Imagens obtidas do Google Play.


No vídeo abaixo, o Dr. Cristopher Kyba, um dos pesquisadores envolvidos, fala sobre ciência cidadã e descreve as motivações para o desenvolvimento desse aplicativo. Está em inglês, mas lembre-se que durante a exibição no YouTube é possível incluir legendas e traduzi-las para português.





Caso tenha algum desses aparelhos, não deixe de instalar os aplicativos e ajudar a estimar os impactos da poluição luminosa! Ainda não sabe o que é esse tipo de poluição e as suas consequências para a nossa vida? Descubra fazendo o download da apostila e visitando a nossa página sobre o assunto.


No twitter, siga @DarkSkyMeter@VerlustderNacht.


Agradecimentos especiais à colaboradora involuntária, Paulínea, que cedeu seu smartphone com Android para testes do aplicativo seguindo altos padrões de metodologia científica...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Monitoramento da qualidade do céu no Observatório do Pico dos Dias utilizando o SQM-L

Desde 2012, a qualidade do céu no OPD está sendo monitorada através de medidas do brilho de fundo do céu. Para tanto, utilizamos um equipamento chamado Sky Quality Meter (SQM-L), produzido pela empresa canadense Unihedron. As medidas são obtidas em unidades de magnitude por área (no caso, segundos de arco ao quadrado). A magnitude é uma medida de brilho cuja escala é invertida: quanto maior o valor, menos brilho, e vice-versa.

E quanto menor o brilho do fundo do céu, mais estrelas podem ser observadas. Do ponto de vista da astronomia profissional, isso significa que em locais escuros os cientistas podem investigar objetos celestes de brilho mais tênue. Se o brilho do céu é elevado por conta da poluição luminosa gerada pela iluminação artificial, de nada adianta investir em telescópios maiores, uma vez que não haverá impacto sobre a ciência que pode ser realizada naquele local. Ou seja, o descontrole no uso da luz artificial implica no subaproveitamento da infraestrutura para a astronomia observacional profissional, que é cara e cujo desenvolvimento sempre traz avanços do ponto de vista tecnológico.


SQM-L, aparelho para medida do brilho do céu, que permite quantificar os prejuízos causados pela poluição luminosa. Produzido pela Unihedron.


A figura abaixo mostra os dados coletados entre setembro e dezembro de 2012 no Observatório do Pico dos Dias. Até o momento, as medidas têm sido feitas na direção do zênite (ou seja, no ponto que corta a esfera celeste imediatamente acima da cabeça do observador). O brilho do céu médio durante o período foi estimado em 21.16 +/- 0.11 magnitudes por segundos de arco ao quadrado. Esse valor indica que o OPD ainda é um bom local para pesquisas astronômicas, apesar do crescimento acelerado das cidades ao seu redor. A escala de magnitudes é logarítimica e a diferença de uma unidade representa um fator de 100 no fluxo de energia. Assim, mesmo variações de décimos no brilho do céu são muito importantes.

Variação do brilho do céu no OPD durante as noites, estimada com o SQM-L entre setembro e dezembro de 2012. Os diferentes símbolos representam medidas feitas na proximidade de cada um dos três principais telescópios do OPD (B&C, PE e Zeiss). A flecha indica uma medida onde o fundo do céu estava muito mais claro, devido à presença da Lua. A escala de magnitude/arcsec^2 é invertida: quanto maior o número, mais escuro é o fundo do céu.


O brilho de fundo do céu também varia por questões naturais, como os ciclos de atividade solar e a presença da Lua (como indicado pela flecha na figura acima). Assim, é preciso manter um monitoramento contínuo para compreender as variações naturais do sítio e o impacto da iluminação artificial nos seus arredores e em diferentes escalas de tempo.

Portanto, desde 2012, podemos oferecer informações quantitativas sobre os impactos da poluição luminosa no Observatório do Pico do Dias. Esses dados devem ajudar as cidades nos seus arredores a controlar o desperdício de energia elétrica e a qualidade de sua iluminação. 

O objetivo principal deve ser manter a qualidade do céu no ponto em que está e, idealmente, melhorá-la através de ações que levem a um uso mais racional da luz artificial.  Experiências em outros sítios astronômicos mundo afora mostram que a recuperação da qualidade do céu em vários décimos de magnitude é possível. Junto com isso vem a melhora da qualidade de vida da população, seja através da economia financeira proveniente de sistemas sustentáveis de iluminação ou da minimização dos impactos da luz articial na saúde humana.

Os dados atualizados do monitoramento devem ser disponibilizados, sempre que possível,  por meio deste blog.




Observatório do Pico dos Dias durante a noite, onde é possível ver a poluição luminosa proveniente das cidades próximas, além da Via Láctea. E o rastro de um avião à direita... (Crédito: T. Dominici).


Página de notícias sobre Poluição Luminosa (PL), mantida pela astrofísica Tânia Dominici.

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