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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
O ano é 2218...
2018 foi um ano de derrotas e decepção até mesmo com pessoas muito próximas. Buscar a conscientização sobre a poluição luminosa pareceu um tanto sem sentido nesse cenário, em que muitos (muitos mesmo...) declararam explicitamente o desejo de assassinar, torturar, exilar pessoas tão perigosas como... professores, artistas, cientistas... . Declararam considerar o conhecimento científico como questão "de opinião" e, como resultado, foi eleito um negacionista do aquecimento global para a presidência. Desolador.
Falar sobre poluição luminosa implica em uma conversa que frequentemente demanda um olhar delicado sobre a natureza e de muita autocrítica em relação à ação humana no planeta. Autocrítica? Cada vez mais rara no Brasil de 2018.
Porém, desanimamos, mas não desistimos... Como reflexão neste fim/início de ano, compartilho uma experiência realizada durante uma Star Party* no Grand Canyon National Park, um santuário de céus escuros nos EUA.
Naquela ocasião, um tocador de fita cassete, daqueles bem antigos, foi deixado sobre uma mesa durante a noite, sob o céu estrelado. Em um cartaz próximo, encontrava-se a seguinte mensagem:
"Prezado visitante,
O ano é 2218. O mundo não pode mais ver as estrelas por causa da poluição luminosa global.
Você foi enviado de volta ao passado para este santuário de céus escuros.
Olhe para as estrelas.
O que você vê? O que você sente?
Qual é a sua mensagem para o futuro?"
O vídeo abaixo, intitulado "Night Spoken" (Noite Falada), mostra uma coleção de respostas. Está em inglês mas lembre-se que é possível colocar legendas em português.
Qual seria a sua mensagem para o futuro? Como explicar para quem nunca viu estrelas e, especialmente, um céu preservado, a experiência de estar à noite em um lugar distante das luzes artificiais? E como explicar que escolhemos interferir no ritmo biológico de milhões de especies animais e vegetais, incluindo o próprio ser humano, apenas para alimentar o crescente vício em luzes artificiais absolutamente desnecessárias para o nosso bem-estar?
As escolhas estão sendo feitas, assim que é adequado pensar em como explicá-las para as futuras gerações...
*Star Parties são eventos em que as pessoas se reúnem para observar o céu, trazendo seus próprios equipamentos de observação para compartilhar. São bastante frequentes nos EUA, onde há uma significativa comunidade de astrônomos amadores com acesso a bons equipamentos.
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
O Público, Jornal de Portugal, publica série de textos sobre poluição luminosa
No dia 3 de setembro, o jornal Público (Portugal) publicou uma série especial de textos sobre poluição luminosa, escritos majoritariamente pelo Dr. Raul Cerveira Lima. Raul trabalha no tema, é astrofísico, com doutorado em Engenharia Física e pesquisador da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto.
É preciso destacar o espaço disponibilizado ao tema por um jornal de grande circulação nacional, além da qualidade dos textos, que têm potencial para se tornar importante ferramenta para quem se dedica à conscientização pública sobre a poluição luminosa em países de língua portuguesa. Assim, divulgo e registro aqui os links. Boa leitura e compartilhe!
O mais recente Atlas do brilho artificial do céu oferece uma panorâmica da perda do céu natural nocturno no globo. O excesso de iluminação, quer por uso indiscriminado de luz e de fluxos elevados, quer pela reflexão no solo, provoca a degradação do céu escuro a uma escala sem precedentes.
Update! Em 8 se setembro, o jornalista António Guerreiro escreveu uma reflexão em sua coluna no Público intitulada "A tirania da luz". O texto foi provocado pelo artigo de Raul Lima. António nos aponta, por exemplo, que "impedir que a noite seja noite tem sido o desígnio alcançado com grande eficiência pelo capitalismo contemporâneo". Não deixe de ler! Apenas uma correção histórica se faz necessária: foram os astrônomos, no começo do século XX, que começaram a chamar a atenção para a poluição luminosa, e não Pasolini, na década de 1970, como coloca Guerreiro.
Imagem do infográfico sobre poluição luminosa publicado no Público de Portugal. Clique nas imagens para ampliar ou clique aqui para ir à página original (altamente recomendado).
Update! Em 8 se setembro, o jornalista António Guerreiro escreveu uma reflexão em sua coluna no Público intitulada "A tirania da luz". O texto foi provocado pelo artigo de Raul Lima. António nos aponta, por exemplo, que "impedir que a noite seja noite tem sido o desígnio alcançado com grande eficiência pelo capitalismo contemporâneo". Não deixe de ler! Apenas uma correção histórica se faz necessária: foram os astrônomos, no começo do século XX, que começaram a chamar a atenção para a poluição luminosa, e não Pasolini, na década de 1970, como coloca Guerreiro.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Duas histórias em vídeo para ajudar a divulgar o problema da poluição luminosa
A poluição luminosa afeta negativamente diversos aspectos de nossas vidas. É preciso conscientizar as pessoas a respeito, inclusive porque este tipo de poluição pode ser até reversível, caso boas práticas no uso da iluminação artificial sejam adotadas. Isso é o que este blog e organizações diversas tentam divulgar a fim de conquistar a adesão da população.
E se tem algo que funciona para conquistar a empatia do público, é contar uma boa história! Os dois vídeos abaixo, muito bem produzidos, seguem esta linha.
"O dia que as luzes se apagaram" (The day the lights went out) foi criado para divulgar um concurso de imagens do céu noturno promovido em 2014, nos Estados Unidos. Conta de modo poético a história de um pintor que alcançou o sucesso pintando o céu noturno mas, com o aumento da poluição luminosa, perde a inspiração e a fama. Até que ele mesmo provoca acidentalmente um blackout e se reencontra com a visão das estrelas! Veja o filme abaixo. Está em inglês, mas é possível colocar legendas traduzidas para o português.
E não é assim com as últimas gerações, que crescem nas zonas urbanas sem ter oportunidade de ver a Via Láctea a olho nu? Veja o vídeo abaixo, com narração em espanhol e possibilidade de colocar legendas automaticamente (mal) traduzidas em português.
Aliás, o canal do IAA no YouTube tem várias animações divertidas com temas de astronomia! Vale a visita.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Evitando gerar Poluição Luminosa, parte 2: A instalação de luminárias e projetores
Esta é a segunda postagem de uma série que pretende oferecer informações práticas de como podemos evitar gerar poluição luminosa e até reverter a situação, recuperando um ambiente noturno mais saudável, menos nocivo ao meio ambiente e que ainda permita ver estrelas!
A primeira postagem foi sobre a escolha de luminárias. Mas, do que adianta ter o esquipamento correto se ele for mal instalado? Como já colocamos, a boa iluminação deve direcionar a luz apenas para o local que precisa dela. Note que, diferentemente das luminárias, o projetor em si pode produzir o melhor ou o pior efeito em relação à poluição luminosa: tudo depende do modo que ele for instalado.
Os projetores, destes muito utilizados para iluminar placas de lojas e outdoors, dependem crucialmente da instalação correta para evitar gerar poluição luminosa.
Nos esquemas abaixo, adaptados do material disponibilizado pelo IAC, podemos ver as orientações para correta instalação de projetores e luminárias. Para as luminárias, a instalação correta é aquela paralela ao solo. Luminárias tipo globo, jamais!
No caso dos projetores, a melhor situação é aquela onde a parede ou placa é iluminada de cima para baixo, e ainda é colocado um anteparo na parte superior. Além disso, é preciso atentar para o ângulo de orientação do feixe de luz. Resultados ótimos podem ser obtidos se o ângulo de orientação for menor que 10 graus.
Orientações para a instalação de projetores e luminárias. O objetivo, claro, é buscar garantir que a luz seja direcionada apenas para o chão e, no caso de projetores, para a parede ou placa que necessita ser iluminada. Adaptação da figura original disponibilizada pelo Instituto de Astrofísica de Canárias. Clique para ampliar.
Diferentes situações em relação ao ângulo de direcionamento de projetores. A situação ideal e que minimiza a poluição luminosa é direcionar a luz com ângulo menor de 10 graus. Adaptação da figura original disponibilizada pelo Instituto de Astrofísica de Canárias. Clique para ampliar.
O esquema abaixo mostra todas as origens para a poluição luminosa quando uma luminária ou projetor não são adequadamente instalados. Idealmente, a luz deve incidir apenas sobre a área a ser iluminada. Quando a luminária está mal orientada, cria uma zona de ofuscamento: quem estiver caminhando na direção da fonte de luz terá seus olhos ofuscados, ficando mais suscetível a acidentes ou crimes. Esta mesma luz, inadequadamente direcionada, invadirá moradias ou outros ambientes. tipo de poluição luminosa que chamamos de luz intrusa.
Esquema mostrando todos os tipos de poluição luminosa que podem ser gerados a partir de uma luminária mal instalada. Imagem adaptada do original publicado em artigo do Alternatives Journal e também compartilhada na página da IDA. Clique para ampliar.
A luz direcionada para cima, além de representar um gasto econômico sem sentido, impedirá a observação das estrelas. Se o céu estiver com nuvens carregadas, parte da luz será refletida de volta para baixo, criando aquele aspecto desagradável de uma capa alaranjada sobre a cidade.
Além disso, tem a luz que reflete no solo em direção ao céu. Para minimizar esta componente, o ideal seria que o chão fosse o mais escuro possível. Sabemos que esta é uma condição complexa, principalmente quando pensamos em caminhos para pedestres. Assim, é de se esperar que a componente refletida pelo chão não chegue a ser completamente anulada, mesmo nos melhores projetos de iluminação.
Frequentemente, justifica-se a inclinação excessiva das luminárias e o uso de refratores não planos pela impossibilidade de aumentar o número de postes. O fato é que sempre existirá alguma solução para racionalizar o sistema de iluminação sem negligenciar os riscos da iluminação excessiva. Veja abaixo alguns exemplos de luminárias e projetores mal instalados.
Exemplos de luminárias mal instaladas. Nas imagens à esquerda e central, as luminárias estão viradas para a frente e não para baixo! Assim, quem caminha é ofuscado e o chão quase não é iluminado. O poste da esquerda também é alto demais. A luminária nunca deve ficar acima da copa das árvores. Na imagem à esquerda, uma boa luminária torna-se poluente por estar inclinada.
Exemplos de projetores mal instalados. À esquerda, o projetor que deveria iluminar a parede o faz de cima para baixo, de modo que a maior parte da luz é direcionada para cima. À direita, o uso incompreensível de um projetor. A luz colocada desta maneira apenas cega por ofuscamento quem transita, desperdiça recursos ao direcionar luz para cima e nada colabora com a segurança.
Caminho para o Auditório Cláudio Santoro (Campos do Jordão, SP), durante uma edição recente do Festival de Inverno. Toda a iluminação da cena está equivocada: uma luminária que não está paralela ao solo, um cartaz iluminado por projetor de cima para baixo e projetores com celofane verde iluminando as árvores e comprometendo inutilmente o ambiente natural! Clique para ampliar.
No entanto, também não adianta selecionar cuidadosamente a luminária e instalá-la com correção se a lâmpada não for a correta para o tipo de aplicação! A escolha racional de lâmpadas deverá ser o assunto da próxima postagem desta série.
Não deixe de ler o primeiro texto da série: Evitando gerar poluição luminosa, parte I: A escolha das luminárias.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Estamos na Semana Internacional dos Céus Escuros 2015!
Entre os dias 13 e 19 de abril estamos celebrando a Semana Internacional dos Céus Escuros 2015 (International Dark Sky Week). O evento de conscientização é promovido pela IDA, principal organização não governamental de combate à poluição luminosa.
Vamos então aproveitar para aprender um pouco mais sobre o assunto e, principalmente, sobre o que cada um de nós pode fazer. Os três vídeos abaixo foram produzidos pelo projeto "What you can do" e a ideia central é que se você tem apenas um minuto, você pode mudar o mundo. É uma premiada série de vídeos onde são apresentadas soluções e mudanças de comportamento que podem fazer a diferença para a sociedade e o planeta - em um minuto.
No caso da poluição luminosa, o projeto produziu os três vídeos abaixo: Proteger o céu noturno, Ajudar a proteger pássaros e Ajudar a proteger a vida selvagem. Os vídeos estão em inglês, mas lembre-se que no You Tube é possível colocar legendas traduzidas.
Não perca mais nem um minuto e aproveite as informações dos vídeos!
Além disso, durante esta semana a IDA sugere a leitura de um texto por dia para nos aprofundarmos nas questões ligadas à poluição luminosa:
- Segunda: Uma visão geral sobre a Poluição Luminosa;
- Terça: Saiba como a Poluição Luminosa coloca os animais e todo o meio ambiente em risco;
- Quarta: Aprenda como a luz durante a noite pode ser nociva para a saúde humana;
- Quinta: Descubra como a poluição luminosa desperdiça energia, dinheiro e contribui para as mudanças climáticas;
- Sexta: Aprenda porque mais luz pode nos deixar mais expostos à criminalidade;
- Sábado: Descubra porque o céu noturno é importante para a humanidade;
- Domingo: Veja como você pode fazer a diferença com ações simples e rápidas.
| A árvore e as Plêiades, também conhecidas como Subaru ou as Sete Irmãs. Foto: Tânia Dominici. |
Os vídeos do "What you can do" estão entre as referências de multimídia da página da IDA.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Poluição luminosa afeta a saúde humana comprometendo a produção de melatonina
Sempre falamos que a poluição luminosa afeta a vida de várias espécies animais e vegetais, incluindo a nossa, por comprometer o ciclo circadiano. O que isso significa exatamente?
O ciclo circadiano é o ciclo biológico que ocorre na maioria dos seres vivos em um intervalo de 24 horas. Ele é influenciado principalmente pela variação de luz e temperatura entre o dia e a noite. O controle do nosso sono e do apetite, por exemplo, é afetado pela disfunção do ciclo circadiano. Isto ocorre através do comprometimento da produção de substâncias importantes para a manutenção do corpo, como o hormônio melatonina que é produzido durante o sono e em ambientes escuros.
A poluição luminosa causada pela luz do ambiente exterior que adentra o quarto durante a noite (chamada de luz intrusa), as lâmpadas que emitem luz muito branca no interior das casas e o hábito crescente de utilizar computadores, smarthphones e tablets até altas horas da noite, vêm desequilibrando a produção de melatonina nas pessoas.
Em janeiro, a Agência FAPESP divulgou alguns resultados recentes obtidos pelo Professor Dr. José Cipolla Neto (ICB/USP) e seus colaboradores, através de financiamento oferecido pela agência paulista. Estes resultados indicam que a falta de melatonina pode causar obesidade e diabetes pois, muito além de regular o sono, este hormônio controla a ingestão alimentar, o gasto de energia e seu acúmulo no tecido adiposo, a síntese e a ação da insulina nas células.
A melatonina também é um importante agente anti-hipertensivo, regula a resposta do organismo à atividade física aeróbica e participa da formação de neurônios durante o desenvolvimento fetal e pós-natal.
A resposta do professor da USP, quando perguntado a respeito de quais fatores podem prejudicar a produção de melatonina, cita explicitamente a poluição luminosa:
"Cipolla Neto – A principal causa de queda na produção noturna de melatonina é a fotoestimulação. A maioria das pessoas começa a produzir esse hormônio por volta de 20 horas. Quando o indivíduo se expõe à luz durante a noite, seja vendo TV ou mexendo no smartphone ou no computador, a síntese de melatonina que deveria estar ocorrendo nesse período é bloqueada. Esse pode ser um dos fatores por trás da epidemia de obesidade da sociedade contemporânea. Também há fatores relacionados com intervenções médicas. Várias drogas usadas na clínica alteram a produção de melatonina, como os betabloqueadores, os bloqueadores de canal de cálcio e os inibidores da enzima conversora de angiotensina (as três drogas são usadas contra hipertensão). Indiscutivelmente, os mais poderosos são a poluição luminosa noturna e o trabalho no turno da noite."
O Dr. Cipolla Neto informa que, em cerca de 75% das pessoas, a produção de melatonina se inicia por volta das 20 h. Ou seja, a partir deste horário deveríamos começar a minimizar a exposição à iluminação artificial a fim de não comprometer o ritmo natural do corpo. A Agência Fapesp também questiona como podemos tornar a rotina menos danosa para quem precisa trabalhar até tarde e/ou acordar muito cedo, ao que o pesquisador responde:
"Cipolla Neto – Uma das coisas que têm sido sugeridas é eliminar o comprimento de onda da luz azul, de 480 nanômetros, que controla a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina. As empresas de iluminação já estão trabalhando nesse tema. Estudos mostraram que, se o ambiente noturno estiver com baixas intensidade de luz azul, o indivíduo pode permanecer trabalhando sem ter a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina afetadas significativamente. Mas esse é justamente o comprimento de onda emitido pelo LED de luz azul presente em computadores, televisores e smartphones. Há empresas que vendem películas para colocar na tela e filtrar a luz azul. É uma forma de lidar com o problema."
Vários estudos têm comprovado que a exposição à luz artificial durante a noite aumenta os riscos de câncer, em particular o de mama e o de próstata, dois tipos que são ligados às disfunções na produção hormonal (veja, por exemplo, a revisão de Angela Spivey, Light Pollution: Light at Night and Breast Cancer Risk Worldwide).
Uma ferramenta interessante para quem precisa ficar conectado até mais tarde é o programa f.lux, disponível para os sistemas operacionais Windows, OS e iOS (iPhone e iPad). Ele faz com que a cor da tela do seu dispositivo se adapte ao horário do dia: mais quente (amarelado) quando anoitece e reproduzindo a luz solar durante o dia.
Veja a matéria completa da Agência FAPESP sobre o aumento de risco de obesidade e diabetes associado à baixa produção de melatonina e as recomendações da Dra. Mariana Figueiro (RPI/USA), autora de estudos pioneiros sobre a influência dos dispositivos eletrônicos no sono, para que a luz seja utilizada de modo a ajudar a nossa saúde.
Seguem as referências dos artigos publicados pelo grupo do ICB/USP sobre o assunto:
- F. G. Amaral, A. M. Castrucci, J. Cipolla-Neto, M. O. Poletini, N. Mendez, H. G. Richter & M. T. Sellix, Environmental Control of Biological Rhythms: Effects on Development, Fertility and Metabolism, Journal of Neuroendocrinology, V. 26, n. 9, p. 603-612, 2014
- J. Cipolla-Neto, F. G. Amaral, S. C. Afeche, D. X. Tan & R. J. Reiter, Melatonin, energy metabolism, and obesity: a review, Journal of Pineal Research, V. 56, n. 4, p. 371–381, 2014
- F. G. Amaral, A. O. Turati, M. Barone, J. H. Scialfa, D. do Carmo Buonfiglio, R. Peres, R. A. Peliciari-Garcia, S. C. Afeche, L. Lima, C. Scavone, S. Bordin, R. J. Reiter, L. Menna-Barreto & J. Cipolla-Neto, Melatonin synthesis impairment as a new deleterious outcome of diabetes-derived hyperglycemia, Journal of Pineal Research, V. 57, n. 1, p. 67-79, 2014
| Como dormir bem com tanta luz? Exemplo de luz intrusa. Imagem de Ian Cheney. |
domingo, 19 de outubro de 2014
Os perigos da descoberta agraciada com o prêmio Nobel de Física 2014
No dia 7 de outubro deste ano aconteceu o anúncio dos ganhadores do prêmio Nobel de Física 2014. Os Drs. Isamu Akasaki (Meijo University, Japão), Hiroshi Amano (Nagoya University, Japão) e Shuji Nakamura (UC - Santa Barbara, EUA) foram premiados pelo desenvolvimento do LED azul. Isso permitiu, através da combinação com os LEDs vermelhos e verdes já existentes, a produção de luz branca com baixo consumo de energia elétrica.
A tecnologia LED (Light-Emitting Diode ou diodo emissor de luz), aperfeiçoada através das pequisas dos laureados pelo Nobel, é utilizada em vários equipamentos presentes no nosso cotidiano, como nos monitores de smartphones, tablets, computadores e televisores.
Um dos maiores potenciais do LED é realmente na iluminação. A economia de energia para a iluminação pública, quando comparada com aquela baseada em lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, pode ser maior do que 60% (veja o caso de Los Angeles, EUA, por exemplo).
As lâmpadas de LED possuem uma vida útil cinco vezes maior dos que as lâmpadas fluorescentes que usamos atualmente nos ambientes domésticos e três vezes mais em relação às lâmpadas utilizadas na iluminação pública (principalmente vapor de sódio de alta pressão). Nas LEDs, 100% da energia é convertida em luz, enquanto nas fluorescentes, apenas 80%. O restante é desperdiçado gerando calor. Como comparação, nas ultrapassadas lâmpadas incandescentes apenas 4% da energia elétrica consumida gera luz e 96% é desperdiçada na forma de calor.
Em relação à poluição luminosa, uma vantagem do LED é o fato de que este tipo de lâmpada é intrinsecamente direcionada.Ou seja, ela ilumina apenas o local para onde está apontada e pode ser mais eficientemente controlada. O acendimento também é instantâneo, ao contrário das lâmpadas usuais que demoram vários minutos até alcançarem sua luminosidade total.
No entanto, o problema em relação à geração da poluição luminosa não é apenas o direcionamento e a quantidade de luz, mas sim os comprimentos de onda do qual ela é composta. E é justamente o fato da luz do LED ser tão branca que faz com que o uso indiscriminado dessa nova tecnologia seja um grande risco ambiental e para a saúde humana, que ainda nem sabemos como estimar.
A luz branca é muito mais atrativa para insetos, por exemplo. Em um artigo publicado este ano, S. Pawson e M. Bader (Scion, Nova Zelândia) demonstraram através de um experimento de campo que o LED atrai 48% mais insetos do que as lâmpadas de sódio de alta pressão, atualmente utilizada na maioria da cidades e responsável pelo tom alaranjado que observamos no céu das densas áreas urbanas durante a noite. Ou seja, com a iluminação LED existe maior risco de comprometer cadeias alimentares que garantem a sobrevivência de diferentes espécies e a disseminação de sementes de plantas diversas.
Outro risco que vem sendo associado à popularização dos LEDs é o aumento indiscriminado dos pontos de iluminação e de sua luminosidade. Conforme o preço das lâmpadas (que ainda é muito alto) começar a diminuir e, levando em consideração o baixo consumo de energia, deve surgir uma tendência a instalar mais pontos do que o necessário.
Desde o início da disponibilização da luz elétrica, principalmente a partir da segunda metade do século XIX, estamos continuamente prolongando as nossas horas de trabalho e lazer e desejando para isso que a iluminação reproduza o ambiente diurno. Acontece que o corpo humano, assim como muitas outras espécies animais e vegetais, necessita do chamado ciclo claro-escuro (ou circadiano). É importante lembrar que a melatonina, por exemplo, é produzida pelo corpo humano durante o sono e a presença de luz diminui a eficiência do processo. A falta deste hormônio pode desencadear vários problemas para a saúde humana. E como ficam as espécies de animais de hábitos noturnos neste cenário onde nunca é realmente noite? Estes são apenas alguns exemplos do impacto negativo da luz branca.
O fato de que os LEDs produzem um feixe de luz direcionado pode fazer com que os fabricantes de luminárias coloquem LEDs inclinados nas extremidades das mesmas, buscando aumentar a área do solo iluminada. Isso faz com que o pedestre seja ofuscado pela forte luz branca ao se aproximar da luminária, podendo causar cegueira momentânea. A recuperação da visão é particularmente mais lenta para pessoas da terceira idade.
Este parece ser o caso da iluminação da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. O excesso de luminosidade incomoda e o alto rendimento de cor, proporcionado pelo fato da luz ser branca, é desnecessário para as atividades noturnas da população e muito prejudicial para o meio ambiente, como já discutimos. Ao olhar para as luminárias, a visão é fortemente ofuscada, fazendo com que as pessoas fiquem mais vulneráveis aos acidentes e à criminalidade, por exemplo.
Existem algumas soluções para aproveitar a significante economia gerada pelas lâmpadas LED minimizando os problemas aqui apresentados. A principal delas é utilizar filtros que permitam a passagem apenas da luz útil para a iluminação urbana: aquela que pode ser captada pelos olhos humanos e com rendimento de cor suficiente para que as pessoas circulem com segurança. Isso é o que tem sido feito, por exemplo, em Hilo, no Havaí (EUA), próximo ao Mauna Kea - vulcão com 4200 metros de altitude onde se localizam os principais observatórios astronômicos do Hemisfério Norte. As luminárias baseadas em lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão (muito alaranjadas) estão sendo substituídas por LEDs com filtros que resultam em uma luz de tom esverdeado, aparentemente pouco prejudicial para as pesquisas astronômicas.
Em Flagstaff, no Arizona (EUA), cidade próxima a relevantes locais de observação astronômica e muito valorizada por seus céus escuros, as luminárias baseadas em LED estão sendo modificadas para oferecer um tom alaranjado, semelhante ao que é produzido pelas lâmpadas de sódio de baixa pressão.
O prêmio Nobel concedido aos pesquisadores "pela invenção de LEDs azuis eficientes que possibilitaram criar fontes de luz brancas e energeticamente econômicas" (Nobelprize.org, em livre tradução) é mais do que merecido. No entanto, o uso abusivo da tecnologia oriunda destas pesquisas pode vir a prejudicar de maneira irrecuperável várias formas de vida no planeta. E a observação do céu noturno, claro...
Para saber mais:
A tecnologia LED (Light-Emitting Diode ou diodo emissor de luz), aperfeiçoada através das pequisas dos laureados pelo Nobel, é utilizada em vários equipamentos presentes no nosso cotidiano, como nos monitores de smartphones, tablets, computadores e televisores.
Um dos maiores potenciais do LED é realmente na iluminação. A economia de energia para a iluminação pública, quando comparada com aquela baseada em lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, pode ser maior do que 60% (veja o caso de Los Angeles, EUA, por exemplo).
As lâmpadas de LED possuem uma vida útil cinco vezes maior dos que as lâmpadas fluorescentes que usamos atualmente nos ambientes domésticos e três vezes mais em relação às lâmpadas utilizadas na iluminação pública (principalmente vapor de sódio de alta pressão). Nas LEDs, 100% da energia é convertida em luz, enquanto nas fluorescentes, apenas 80%. O restante é desperdiçado gerando calor. Como comparação, nas ultrapassadas lâmpadas incandescentes apenas 4% da energia elétrica consumida gera luz e 96% é desperdiçada na forma de calor.
Em relação à poluição luminosa, uma vantagem do LED é o fato de que este tipo de lâmpada é intrinsecamente direcionada.Ou seja, ela ilumina apenas o local para onde está apontada e pode ser mais eficientemente controlada. O acendimento também é instantâneo, ao contrário das lâmpadas usuais que demoram vários minutos até alcançarem sua luminosidade total.
No entanto, o problema em relação à geração da poluição luminosa não é apenas o direcionamento e a quantidade de luz, mas sim os comprimentos de onda do qual ela é composta. E é justamente o fato da luz do LED ser tão branca que faz com que o uso indiscriminado dessa nova tecnologia seja um grande risco ambiental e para a saúde humana, que ainda nem sabemos como estimar.
A luz branca é muito mais atrativa para insetos, por exemplo. Em um artigo publicado este ano, S. Pawson e M. Bader (Scion, Nova Zelândia) demonstraram através de um experimento de campo que o LED atrai 48% mais insetos do que as lâmpadas de sódio de alta pressão, atualmente utilizada na maioria da cidades e responsável pelo tom alaranjado que observamos no céu das densas áreas urbanas durante a noite. Ou seja, com a iluminação LED existe maior risco de comprometer cadeias alimentares que garantem a sobrevivência de diferentes espécies e a disseminação de sementes de plantas diversas.
Outro risco que vem sendo associado à popularização dos LEDs é o aumento indiscriminado dos pontos de iluminação e de sua luminosidade. Conforme o preço das lâmpadas (que ainda é muito alto) começar a diminuir e, levando em consideração o baixo consumo de energia, deve surgir uma tendência a instalar mais pontos do que o necessário.
Desde o início da disponibilização da luz elétrica, principalmente a partir da segunda metade do século XIX, estamos continuamente prolongando as nossas horas de trabalho e lazer e desejando para isso que a iluminação reproduza o ambiente diurno. Acontece que o corpo humano, assim como muitas outras espécies animais e vegetais, necessita do chamado ciclo claro-escuro (ou circadiano). É importante lembrar que a melatonina, por exemplo, é produzida pelo corpo humano durante o sono e a presença de luz diminui a eficiência do processo. A falta deste hormônio pode desencadear vários problemas para a saúde humana. E como ficam as espécies de animais de hábitos noturnos neste cenário onde nunca é realmente noite? Estes são apenas alguns exemplos do impacto negativo da luz branca.
O fato de que os LEDs produzem um feixe de luz direcionado pode fazer com que os fabricantes de luminárias coloquem LEDs inclinados nas extremidades das mesmas, buscando aumentar a área do solo iluminada. Isso faz com que o pedestre seja ofuscado pela forte luz branca ao se aproximar da luminária, podendo causar cegueira momentânea. A recuperação da visão é particularmente mais lenta para pessoas da terceira idade.
Este parece ser o caso da iluminação da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. O excesso de luminosidade incomoda e o alto rendimento de cor, proporcionado pelo fato da luz ser branca, é desnecessário para as atividades noturnas da população e muito prejudicial para o meio ambiente, como já discutimos. Ao olhar para as luminárias, a visão é fortemente ofuscada, fazendo com que as pessoas fiquem mais vulneráveis aos acidentes e à criminalidade, por exemplo.
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| Iluminação LED da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Desnecessariamente branca, forte e ofuscante. Imagem obtida na página da Prefeitura do Rio de Janeiro. |
Existem algumas soluções para aproveitar a significante economia gerada pelas lâmpadas LED minimizando os problemas aqui apresentados. A principal delas é utilizar filtros que permitam a passagem apenas da luz útil para a iluminação urbana: aquela que pode ser captada pelos olhos humanos e com rendimento de cor suficiente para que as pessoas circulem com segurança. Isso é o que tem sido feito, por exemplo, em Hilo, no Havaí (EUA), próximo ao Mauna Kea - vulcão com 4200 metros de altitude onde se localizam os principais observatórios astronômicos do Hemisfério Norte. As luminárias baseadas em lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão (muito alaranjadas) estão sendo substituídas por LEDs com filtros que resultam em uma luz de tom esverdeado, aparentemente pouco prejudicial para as pesquisas astronômicas.
Em Flagstaff, no Arizona (EUA), cidade próxima a relevantes locais de observação astronômica e muito valorizada por seus céus escuros, as luminárias baseadas em LED estão sendo modificadas para oferecer um tom alaranjado, semelhante ao que é produzido pelas lâmpadas de sódio de baixa pressão.
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| Em Hilo, as lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão, de coloração alaranjada (à esquerda) estão sendo substituídas por luminárias LED especialmente modificadas, resultando em uma coloração esverdeada (à direita). Imagem e informação do portal bigislandnow.com. |
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| Em Flagstaff (EUA), a iluminação pública está sendo substituíra por luminárias LED com filtros cuja luz resultante é semelhante à produzida pelas lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão. Imagem e informação do portal azcentral. |
O prêmio Nobel concedido aos pesquisadores "pela invenção de LEDs azuis eficientes que possibilitaram criar fontes de luz brancas e energeticamente econômicas" (Nobelprize.org, em livre tradução) é mais do que merecido. No entanto, o uso abusivo da tecnologia oriunda destas pesquisas pode vir a prejudicar de maneira irrecuperável várias formas de vida no planeta. E a observação do céu noturno, claro...
Para saber mais:
- The promise and the peril of LED lighting (blog do projeto de ciência cidadã 'Loss of the Night');
- 2014 Nobel Prize for Physics Draws Attention To Promise And Challenges of Blue Light (comunicado da International Dark Sky Association);
- Visibility, Environmental, and Astronomical Issues Associated with Blue-Rich White Outdoor Lighting (white paper da IDA);
- The Potential Dark Side of Nobel-Winning LEDs: Pest Problems (artigo da Smithsonian magazine);
- LEDs: Light Pollution Solution or Night Sky Nemesis? (artigo da Universe Today);
- Stargazers hope new lights won't dim Flagstaff's skies (artigo da azcentral);
- LED lighting increases the ecological impact of light pollution irrespective of color temperature, Pawson, S.M & Bader, M. K.-F., Ecological Applications, 24(7), 2014, pp. 1561-1568;
- Shift to High-Tech Streetlights Saves Dark Skies, Money (artigo da página bigislandnow.com).
domingo, 28 de setembro de 2014
O estranho flagelo da poluição luminosa
O SciShow é um canal do YouTube mantido por jovens americanos que se propõe a apresentar tópicos científicos de maneira profunda, porém em poucos minutos.
O problema da poluição luminosa foi tema recente do canal, em um vídeo intitulado "The strange scourge of light pollution", ou "O estranho flagelo da poluição luminosa", em livre tradução. Em apenas dez minutos, Hank Green - o apresentador -, expõe de maneira clara a questão e as implicações ambientais, econômicas e sobre a saúde humana desse tipo de poluição. Vale muito assistir!
Logo no início, Hank Green lembra que em 1994, após um terremoto que causou a queda do sistema de energia elétrica em Los Angeles (EUA), a população em pânico começou a ligar para os telefones de emergência, relatando a aparição de uma imensa "nuvem prateada" no céu. Era a Via Láctea, que a maioria nunca tinha visto devido à iluminação artificial irracional!
O vídeo pode ser visto abaixo. A narração é em inglês, mas é possível selecionar as legendas em português (um singelo tutorial é oferecido ao final do post*).
A tira original pode ser encontrada aqui. De fato, quem nunca viu o céu noturno em um local despoluído não sabe o que está perdendo...
O problema da poluição luminosa foi tema recente do canal, em um vídeo intitulado "The strange scourge of light pollution", ou "O estranho flagelo da poluição luminosa", em livre tradução. Em apenas dez minutos, Hank Green - o apresentador -, expõe de maneira clara a questão e as implicações ambientais, econômicas e sobre a saúde humana desse tipo de poluição. Vale muito assistir!
Logo no início, Hank Green lembra que em 1994, após um terremoto que causou a queda do sistema de energia elétrica em Los Angeles (EUA), a população em pânico começou a ligar para os telefones de emergência, relatando a aparição de uma imensa "nuvem prateada" no céu. Era a Via Láctea, que a maioria nunca tinha visto devido à iluminação artificial irracional!
O vídeo pode ser visto abaixo. A narração é em inglês, mas é possível selecionar as legendas em português (um singelo tutorial é oferecido ao final do post*).
O SciShow foi criado em 2012 e oferece vídeos com dezenas de outros temas científicos no seu canal. Você pode ajudar a manter o projeto através da página https://subbable.com/scishow. O SciShow também pode ser acompanhado através do Facebook ou do Twitter.
A história de Los Angeles lembra a tira mostrada abaixo, retirada da lendária página "Calamities of Nature". A tradução para o português foi feita com a autorização do author, Tony Piro.
![]() |
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A tira original pode ser encontrada aqui. De fato, quem nunca viu o céu noturno em um local despoluído não sabe o que está perdendo...
Em seguida, clique em "On" para acionar as legendas:
Selecione a opção de tradução:
E, finalmente, escolha o Português:
domingo, 20 de abril de 2014
A vida sem céus escuros: você não sabe o que está perdendo
Entre os dias 20 e 26 de abril de 2014 acontece a Semana Internacional dos Céus Escuros (International Dark Sky Week), uma iniciativa da IDA, principal organização não-governamental trabalhando no combate à poluição luminosa.
Para colaborar com o evento, o fotografo Mark Gee, de Wellington (Nova Zelândia), produziu um vídeo com imagens mostrando a diferença entre ambientes com poluição luminosa e céus escuros.
No texto de apresentação do vídeo, Gee coloca (em livre tradução a partir do original em inglês): "Durante meu tempo como astrofotógrafo, tenho falado com muitas pessoas mundo afora, interessadas por minhas fotografias e vídeos. Fiquei realmente chocado quando algumas delas me disseram que nunca viram a Via Láctea com seus próprios olhos. Eu fiz algumas pesquisas sobre o assunto e descobri que mais de um quinto da população mundial, dois terços da norte americana e metade dos europeus [vivem em locais em que] já perderam totalmente a visibilidade da Via Láctea a olho nu! Isso é uma vergonha, e os efeitos da poluição luminosa podem ser muito mais sérios do que não sermos capazes de enxergar estrelas à noite".
Veja abaixo o belo trabalho de Mark Gee para esta semana de conscientização acerca dos problemas causados pela poluição luminosa. A narração é em inglês, porém as imagens são, por si só, bastante ilustrativas do contraste entre a luz artificial e o céu estrelado que o artista desejou apresentar.
Para colaborar com o evento, o fotografo Mark Gee, de Wellington (Nova Zelândia), produziu um vídeo com imagens mostrando a diferença entre ambientes com poluição luminosa e céus escuros.
No texto de apresentação do vídeo, Gee coloca (em livre tradução a partir do original em inglês): "Durante meu tempo como astrofotógrafo, tenho falado com muitas pessoas mundo afora, interessadas por minhas fotografias e vídeos. Fiquei realmente chocado quando algumas delas me disseram que nunca viram a Via Láctea com seus próprios olhos. Eu fiz algumas pesquisas sobre o assunto e descobri que mais de um quinto da população mundial, dois terços da norte americana e metade dos europeus [vivem em locais em que] já perderam totalmente a visibilidade da Via Láctea a olho nu! Isso é uma vergonha, e os efeitos da poluição luminosa podem ser muito mais sérios do que não sermos capazes de enxergar estrelas à noite".
Veja abaixo o belo trabalho de Mark Gee para esta semana de conscientização acerca dos problemas causados pela poluição luminosa. A narração é em inglês, porém as imagens são, por si só, bastante ilustrativas do contraste entre a luz artificial e o céu estrelado que o artista desejou apresentar.
E você? Já viu a Via Láctea com seus próprios olhos? Se não, não sabe o que está perdendo...
Outros trabalhos do fotógrafo podem ser vistos em sua página na internet, não por acaso intitulada "The art of Night".
Durante toda a semana, a IDA apresentará informações em sua página acerca dos diferentes aspectos relacionados ao tema: os motivos pelos quais a poluição luminosa importa, impactos na nossa saúde, impactos no meio ambiente, impactos econômicos, iluminação e segurança pública, a importância do céu noturno para a Humanidade e, finalmente, como podemos ajudar a evitar este tipo de poluição.
Via @IDADarkSky.
Update: o post foi atualizado para conter os links para todos os textos disponibilizados pela IDA durante a semana.
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Página de notícias sobre Poluição Luminosa (PL), mantida pela astrofísica Tânia Dominici.
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