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domingo, 7 de abril de 2019

Museu do Cárcere: um exemplo do uso desnecessário de iluminação decorativa #IDSW2019



Hoje, dia 7 de abril, é o último dia da Semana Internacional dos Céus Escuros 2019, cujas postagens nas redes sociais estão identificadas pela hashtag #IDSW2019. Escrevi um pouco sobre a origem da semana neste post do ano passado.

Deixei minha colaboração para o último dia sobretudo devido à relutância sobre escrever ou não acerca de um post no Facebook que causou-me extrema tristeza: a nova iluminação exterior do Museu do Cárcere, integrante e sede do Ecomuseu Ilha Grande, instalado na Vila Dois Rios (Ilha Grande, RJ). Como não tive retorno com meu comentário lá, concluí que seria válido registrar aqui.

A Ilha Grande é um santuário natural, mantido relativamente bem preservado ao longo da história devido ao seu uso como ponto estratégico, por exemplo, na chegada de embarcações ao Brasil e para o isolamento carcerário. Quase todo o território possui algum tipo de proteção legal através de suas quatro unidades de conservação ambiental (Parque Estadual da Ilha Grande, Marinho do Aventureiro, Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e Área de Proteção Ambiental de Tamoios). Em particular, o arquipélago de Ilha Grande está incluído na área da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO. As atividades predominantes na Ilha são o turismo, a pesca e o uso para pesquisas científicas na área ambiental.

É na Vila Dois Rios que ficava o presídio pelo qual a Ilha era conhecida até a década de 1990 e que deu origem ao Museu do Cárcere após sua desativação e demolição parcial. Hoje a área pertence à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que mantém ali o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (CEADS), além do Ecomuseu.

A Vila só pode ser acessada a pé, após cerca de três horas de caminhada (aproximadamente 9 km). O único veículo que ali transita é o ônibus da UERJ, que transporta - exclusivamente e em horários pré-estabelecidos -, os moradores, servidores e estudantes da universidade a partir e para a Vila do Abraão, principal bairro de Ilha Grande. Cerca de 150 pessoas vivem na Vila Dois Rios, entre pescadores e servidores da UERJ.

Em 2015, fui convidada pelos colegas do CEADS para conhecer o local e ajudar a pensar ações para proteger a região da poluição luminosa e de todos os seus bem conhecidos impactos ambientais. Foi uma experiência fascinante que, apesar das dificuldades enfrentadas para estabelecer colaborações a longo prazo e obter recursos financeiros, resultou em uma série de oportunidades. Graças ao contato que estabeleci com a então arte-educadora do Ecomuseu, Angélica Liaño, escrevi dois artigos para o jornal local O Eco, que podem ser acessados aqui e aqui. Também obtive informações que foram fundamentais para um artigo científico.


Imagine então a minha tristeza ao encontrar recentemente no Facebook o post reproduzido abaixo...


 Além de continuar iluminado de baixo para cima, agora ainda há variação de cores... para uma Vila de cerca de 150 moradores em área de proteção ambiental. Captura de tela de post do Facebook do Ecomuseu Ilha Grande


Os moradores da Vila gostaram, acharam bonito? Não duvido. Mas eles sabem que estão afetando a vida natural da região? Foram informados de que a iluminação decorativa atrai insetos e outros animais comprometendo diversos ciclos biológicos? Sabem que o aumento de iluminação artificial abala o ciclo circadiano inclusive dos humanos? É isso que os moradores desejam? Faz sentido um local onde está instalado um centro de estudos sobre desenvolvimento sustentável interferir no meio ambiente desta maneira?

Entre proteger a vida na Vila e olhar um prédio colorido à noite, qual seria a escolha dos moradores e pesquisadores em missão científica?

Qual o limite para um Ecomuseu alterar o território do qual ele é constituído?

Os pesquisadores do CEADS foram consultados em relação a criação de possíveis vieses em suas pesquisas, especialmente para aqueles que trabalham com animais como morcegos, insetos e sapos?


Em um dos textos para O Eco (Poluição Luminosa e a Ilha Grande) está a imagem abaixo, que mostra a então iluminação de fachada do Museu do Cárcere. Na época, a minha recomendação era de iluminar de cima para baixo se a iluminação fosse realmente indispensável. Caso contrário, deveria iluminar penas a calçada por onde as pessoas transitam. Qualquer ponto de iluminação deve ser pensado seguindo critérios como: é necessário? Qual a área a ser iluminada? Qual o rendimento de cor necessário para essa área? Em que momentos/horários a iluminação precisa ser acionada? A resposta a questões como essas determinam o tipo de luminária, o tipo de lâmpada e a operação do ponto de iluminação. Se ele for necessário...


Refletor utilizado para iluminação da fachada do Museu do Cárcere em 2015. Luminárias como esta devem sempre ser utilizadas de baixo para cima.


Sou uma astrofísica que trabalha em um Museu. Assim, também questiono de que modo a iluminação colorida do Museu do Cárcere colabora para o atendimento da função daquela instituição enquanto museu. Em particular, entendo que o Ecomuseu deveria colaborar para a conservação do patrimônio natural do seu território. Espero que os colegas do Museu do Cárcere e do Ecomuseu Ilha Grande levem em consideração os pontos aqui colocados e revertam a decisão de utilizar luz artificial meramente decorativa em uma área de proteção natural. Estou à disposição para ajudar no que for possível.


Aproveitando o post, coloco abaixo algumas imagens feitas em 2015 em Dois Rios mostrando os problemas da iluminação artificial instalada nos arredores. Espero sempre poder colaborar com a UERJ no desafio de proteger e estudar um local tão repleto de história e riquezas naturais como é a Vila Dois Rios!


O brilho alaranjado é a iluminação mal instalada da Vila do Abraão vista da Praia de Dois Rios. A luz é desnecessariamente direcionada para o céu.



Nesta fotografia, feita a partir da Praia de Dois Rios, é possível o avaliar a iluminação do CEADS (à esquerda) que além de direcionar a luz para cima pelo uso de luminárias tipo globo, é excessivamente branca pela aplicação predominante de lâmpadas de mercúrio de baixa pressão. À direita do CEADS, o brilho alaranjado proveniente da Vila Dois Rios.



A constelação de Órion fotografada nos arredores do CEADS. O verde das árvores foi realçado com light painting por cerca de três segundos, utilizando uma lanterna de mão absolutamente inofensiva para o meio ambiente.


As minhas fotos definitivamente não refletem a beleza da praia e Vila Dois Rios. Felizmente, Tunc Tenzel, produziu a bela imagem abaixo!


O céu da praia de Dois Rios, fotografado por Tunc Tezel. Veja também a imagem na sua página original. Outras fotos de Tunc Tezel e Babak A. Tafreshi na Ilha Grande podem ser vistas aqui.





segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O ano é 2218...


2018 foi um ano de derrotas e decepção até mesmo com pessoas muito próximas. Buscar a conscientização sobre a poluição luminosa pareceu um tanto sem sentido nesse cenário, em que muitos (muitos mesmo...) declararam explicitamente o desejo de assassinar, torturar, exilar pessoas tão perigosas como... professores, artistas, cientistas... . Declararam considerar o conhecimento científico como questão "de opinião" e, como resultado, foi eleito um negacionista do aquecimento global para a presidência. Desolador.

Falar sobre poluição luminosa implica em uma conversa que frequentemente demanda um olhar delicado sobre a natureza e de muita autocrítica em relação à ação humana no planeta. Autocrítica? Cada vez mais rara no Brasil de 2018.

Porém, desanimamos, mas não desistimos... Como reflexão neste fim/início de ano, compartilho uma experiência realizada durante uma Star Party* no Grand Canyon National Park, um santuário de céus escuros nos EUA.

Naquela ocasião, um tocador de fita cassete, daqueles bem antigos, foi deixado sobre uma mesa durante a noite, sob o céu estrelado. Em um cartaz próximo, encontrava-se a seguinte mensagem:

"Prezado visitante,

O ano é 2218. O mundo não pode mais ver as estrelas por causa da poluição luminosa global.
Você foi enviado de volta ao passado para este santuário de céus escuros.
Olhe para as estrelas.
O que você vê? O que você sente?
Qual é a sua mensagem para o futuro?"


O vídeo abaixo, intitulado "Night Spoken" (Noite Falada), mostra uma coleção de respostas. Está em inglês mas lembre-se que é possível colocar legendas em português.





Qual seria a sua mensagem para o futuro? Como explicar para quem nunca viu estrelas e, especialmente, um céu preservado, a experiência de estar à noite em um lugar distante das luzes artificiais? E como explicar que escolhemos interferir no ritmo biológico de milhões de especies animais e vegetais, incluindo o próprio ser humano, apenas para alimentar o crescente vício em luzes artificiais absolutamente desnecessárias para o nosso bem-estar?

As escolhas estão sendo feitas, assim que é adequado pensar em como explicá-las para as futuras gerações...



*Star Parties são eventos em que as pessoas se reúnem para observar o céu, trazendo seus próprios equipamentos de observação para compartilhar. São bastante frequentes nos EUA, onde há uma significativa comunidade de astrônomos amadores com acesso a bons equipamentos.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O Público, Jornal de Portugal, publica série de textos sobre poluição luminosa


No dia 3 de setembro, o jornal Público (Portugal) publicou uma série especial de textos sobre poluição luminosa, escritos majoritariamente pelo Dr. Raul Cerveira Lima. Raul trabalha no tema, é astrofísico, com doutorado em Engenharia Física e pesquisador da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto.

É preciso destacar o espaço disponibilizado ao tema por um jornal de grande circulação nacional, além da qualidade dos textos, que têm potencial para se tornar importante ferramenta para quem se dedica à conscientização pública sobre a poluição luminosa em países de língua portuguesa. Assim, divulgo e registro aqui os links. Boa leitura e compartilhe!

  • Poluição luminosa - Deixar a noite ser noite (Raul Cerveira Lima)
  • A poluição luminosa é a de que menos se fala sendo, até por definição, a mais visível. A “revolução” tecnológica dos LED, que poderia ser uma oportunidade para iluminar menos mas controlar a poluição luminosa, está a transformar-se num erro. O investigador Raul Cerveira Lima explica porquê.

  • Efeitos da poluição luminosa - Dos impactos na saúde do ser humano e na economia às consequências da poluição luminosa na fauna e flora do planeta (Raul Cerveira Lima)

  • O que podem fazer municípios, associações e cidadãos (Raul Cerveira Lima)

  • Dez candeeiros valem por dez polícias? Em Portugal não há legislação nem cidade que tenha limites à poluição luminosa (Cristiana Faria Moreira) 

  • Onde ver um céu nocturno de qualidade [em Portugal...] (Raul Cerveira Lima)
  • Não existe em Portugal Continental nenhum local onde o céu nocturno esteja totalmente livre de poluição luminosa, mas há locais onde o céu tem boa qualidade.

  • Infográfico - Como temos vindo a perder céu natural nocturno (Francisco Lopes)
  • O mais recente Atlas do brilho artificial do céu oferece uma panorâmica da perda do céu natural nocturno no globo. O excesso de iluminação, quer por uso indiscriminado de luz e de fluxos elevados, quer pela reflexão no solo, provoca a degradação do céu escuro a uma escala sem precedentes.




    Imagem do infográfico sobre poluição luminosa publicado no Público de Portugal. Clique nas imagens para ampliar ou clique aqui para ir à página original (altamente recomendado). 


    Update! Em 8 se setembro, o jornalista António Guerreiro escreveu uma reflexão em sua coluna no Público intitulada "A tirania da luz". O texto foi provocado pelo artigo de Raul Lima. António nos aponta, por exemplo, que "impedir que a noite seja noite tem sido o desígnio alcançado com grande eficiência pelo capitalismo contemporâneo". Não deixe de ler! Apenas uma correção histórica se faz necessária: foram os astrônomos, no começo do século XX, que começaram a chamar a atenção para a poluição luminosa, e não Pasolini, na década de 1970, como coloca Guerreiro.


    quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

    Lost in Light I e II - Agora você vai ver o que está perdendo com a poluição luminosa


    Ter a experiência de observar um céu estrelado realmente livre de poluição luminosa é algo cada vez mais raro. A maioria das pessoas nunca viu a Via Láctea a olho nu e fica sem referências para entender o impacto da iluminação artificial mal utilizada.

    O trabalho de Sriram Murali está ajudando as pessoas a verem o que elas estão perdendo! Em seus vídeos "Lost in Light" e "Lost in Light II", o fotógrafo mostra uma sequência de timelapses obtidos em locais com diferentes níveis de poluição luminosa, desde o ambiente urbano até aquele totalmente livre da interferência da iluminação artificial.

    O primeiro vídeo foi disponibilizado no ano passado e concentra-se na visão da Via Láctea. O segundo, recém-lançado, mostra imagens na direção da constelação de Orion. Isso porque ela é muito mais facilmente reconhecida pelas pessoas, e daí fica mais fácil perceber as diferenças entre as paisagens expostas à poluição luminosa e as que estão preservadas.

    Assista aos vídeos abaixo e surpreenda-se com a beleza do céu noturno!





    Realmente não me lembro se cheguei a compartilhar o primeiro vídeo no blog anteriormente. De qualquer modo, vale assistir novamente!

    Não deixe de conhecer mais sobre o trabalho de Sriram Murali em sua página oficial.

    Via International Dark Sky Association.


    sábado, 31 de dezembro de 2016

    Uma campanha ambientalmente nociva para encerrar 2016 - promovida pelo Banco do Brasil!


    2016 não foi um ano fácil... Diversos avanços obtidos nas últimas décadas - e dados como garantidos - foram sacrificados. E não só no Brasil. Com as bases abaladas, ficou difícil ter alguma visão de futuro.

    Ironicamente, a campanha de final de ano do Banco do Brasil soa perfeita neste cenário: é uma "árvore de luz" formada por canhões de luz Xenon que podem alcançar até 5 km de altura, instalada no edifício do Banco do Brasil em Brasília e em São Paulo, na Avenida Paulista. Além do óbvio desperdício de energia elétrica (que é você quem paga, contribuinte...), a "comemoração" é uma arma mortal para várias espécies e, em maior grau, para pássaros e insetos.

    A mortal "comemoração" de fim de ano do Banco do Brasil, em Brasília. Imagem do Correio Braziliense.


    A tal "árvore", que assombrará os céus de Brasília e São Paulo até 9 de janeiro de 2017, responde às mensagens enviadas pelo público através da internet ficando mais iluminada quando é utilizada certa hashtag. Por favor, não participe...

    A instalação, produzida por Marcello Dantas, não é nada original e copia as colunas de luz criadas em Nova Iorque em 2010 para lembrar as vidas perdidas nos ataques ao World Trade Center. Aquele evento acabou se tornando uma tragédia ambiental, na qual estima-se que mais de 10 mil pássaros tenham sido afetados.

    "Tribute in lights" em Nova Iorque para lembrar as vítimas do ataque ao World Trade Center. A instalação chegou a ser desligada ao perceberem que estava atraindo pássaros. Imagem de Dima Gravrysh, obtida em matéria da ABC.


    Várias espécies de pássaros migram durante a noite, orientadas pelas constelações e a luz da Lua. No entanto, os pássaros são confundidos pela iluminação dos prédios e acabam por colidir com eles. Estima-se que, apenas na America do Norte, 100 milhões de pássaros são mortos todos os anos em colisões com prédios. Imagine então o que acontece quando eles se deparam com colunas de luz de 5 km de altura!

    Amostra de pássaros mortos em colisões com prédios. Imagem de Kenneth Herdy, da organização canadense Fatal Light Awareness Program (FLAP). 


    No caso da homenagem nos EUA, as pessoas começaram a perceber "traços brancos" inesperados nos feixes de luz. Descobriram se tratar de pássaros que, confusos, rodopiavam até caírem exaustos. Na imagem abaixo e à esquerda, é possível ver os pássaros no feixe de luz do "Tribute in lights". A imagem à direita foi obtida no totem de divulgação da campanha do Banco do Brasil no seu centro cultural do Rio de Janeiro (CCBB). Note a presença dos mesmos "traços brancos". Ou seja, a "árvore de luz" do Banco do Brasil, além de produzir poluição luminosa com todos os impactos  nocivos amplamente discutidos neste blog, é uma armadilha mortal para passarinhos.


    À esquerda: feixe de luzes do "Tribute in lights" em Nova Iorque (imagem: Jay Smooth, na página da FLAP). À direita, "árvore de luz" sobre o edifício do Banco do Brasil em Brasília. Nos dois casos, os "traços brancos" são pássaros confundidos pela presença das luzes.


    Enfim, a última esperança é que as pessoas se recusem a participar da campanha e, idealmente, que reajam com o devido assombro contra este premeditado e supérfluo desastre ambiental financiado com o dinheiro público.


    "Árvore de luz" no interior do Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro. Em ambiente fechado, suficientemente bonita e sem maiores impactos ambientais. Não seria o suficiente para marcar o final do ano?


    Depois do "encerramento perfeito" para 2016 promovido pelo Banco do Brasil, desejo que 2017 seja um ano iluminado - com racionalidade e sem produção de poluição luminosa - para todos nós.


    Para saber mais:



    quinta-feira, 24 de setembro de 2015

    Evitando gerar Poluição Luminosa, parte 2: A instalação de luminárias e projetores


    Esta é a segunda postagem de uma série que pretende oferecer informações práticas de como podemos evitar gerar poluição luminosa e até reverter a situação, recuperando um ambiente noturno mais saudável, menos nocivo ao meio ambiente e que ainda permita ver estrelas!

    A primeira postagem foi sobre a escolha de luminárias. Mas, do que adianta ter o esquipamento correto se ele for mal instalado? Como já colocamos, a boa iluminação deve direcionar a luz apenas para o local que precisa dela. Note que, diferentemente das luminárias, o projetor em si pode produzir o melhor ou o pior efeito em relação à poluição luminosa: tudo depende do modo que ele for instalado.

    Os projetores, destes muito utilizados para iluminar placas de lojas e outdoors, dependem crucialmente da instalação correta para evitar gerar poluição luminosa.


    Nos esquemas abaixo, adaptados do material disponibilizado pelo IAC, podemos ver as orientações para correta instalação de projetores e luminárias. Para as luminárias, a instalação correta é aquela paralela ao solo. Luminárias tipo globo, jamais!

    No caso dos projetores, a melhor situação é aquela onde a parede ou placa é iluminada de cima para baixo, e ainda é colocado um anteparo na parte superior. Além disso, é preciso atentar para o ângulo de orientação do feixe de luz. Resultados ótimos podem ser obtidos se o ângulo de orientação for menor que 10 graus.


    Orientações para a instalação de projetores e luminárias. O objetivo, claro, é buscar garantir que a luz seja direcionada apenas para o chão e, no caso de projetores, para a parede ou placa que necessita ser iluminada. Adaptação da figura original disponibilizada pelo Instituto de Astrofísica de Canárias. Clique para ampliar.


    Diferentes situações em relação ao ângulo de direcionamento de projetores. A situação ideal e que minimiza a poluição luminosa é direcionar a luz com ângulo menor de 10 graus. Adaptação da figura original disponibilizada pelo Instituto de Astrofísica de Canárias. Clique para ampliar.


    O esquema abaixo mostra todas as origens para a poluição luminosa quando uma luminária ou projetor não são adequadamente instalados. Idealmente, a luz deve incidir apenas sobre a área a ser iluminada. Quando a luminária está mal orientada, cria uma zona de ofuscamento: quem estiver caminhando na direção da fonte de luz terá seus olhos ofuscados, ficando mais suscetível a acidentes ou crimes. Esta mesma luz, inadequadamente direcionada, invadirá moradias ou outros ambientes. tipo de poluição luminosa que chamamos de luz intrusa.


    Esquema mostrando todos os tipos de poluição luminosa que podem ser gerados a partir de uma luminária mal instalada. Imagem adaptada do original publicado em artigo do Alternatives Journal e também compartilhada na página da IDA. Clique para ampliar.

    A luz direcionada para cima, além de representar um gasto econômico sem sentido, impedirá a observação das estrelas. Se o céu estiver com nuvens carregadas, parte da luz será refletida de volta para baixo, criando aquele aspecto desagradável de uma capa alaranjada sobre a cidade.

    Além disso, tem a luz que reflete no solo em direção ao céu. Para minimizar esta componente, o ideal seria que o chão fosse o mais escuro possível. Sabemos que esta é uma condição complexa, principalmente quando pensamos em caminhos para pedestres. Assim, é de se esperar que a componente refletida pelo chão não chegue a ser completamente anulada, mesmo nos melhores projetos de iluminação.

    Frequentemente, justifica-se a inclinação excessiva das luminárias e o uso de refratores não planos pela impossibilidade de aumentar o número de postes. O fato é que sempre existirá alguma solução para racionalizar o sistema de iluminação sem negligenciar os riscos da iluminação excessiva. Veja abaixo alguns exemplos de luminárias e projetores mal instalados.


    Exemplos de luminárias mal instaladas. Nas imagens à esquerda e central, as luminárias estão viradas para a frente e não para baixo! Assim, quem caminha é ofuscado e o chão quase não é iluminado. O poste da esquerda também é alto demais. A luminária nunca deve ficar acima da copa das árvores. Na imagem à esquerda, uma boa luminária torna-se poluente por estar inclinada.



    Exemplos de projetores mal instalados. À esquerda, o projetor que deveria iluminar a parede o faz de cima para baixo, de modo que a maior parte da luz é direcionada para cima. À direita, o uso incompreensível de um projetor. A luz colocada desta maneira apenas cega por ofuscamento quem transita, desperdiça recursos ao direcionar luz para cima e nada colabora com a segurança.



     
    Caminho para o Auditório Cláudio Santoro (Campos do Jordão, SP), durante uma edição recente do Festival de Inverno. Toda a iluminação da cena está equivocada: uma luminária que não está paralela ao solo, um cartaz iluminado por projetor de cima para baixo e projetores com celofane verde iluminando as árvores e comprometendo inutilmente o ambiente natural! Clique para ampliar.


    No entanto, também não adianta selecionar cuidadosamente a luminária e instalá-la com correção se a lâmpada não for a correta para o tipo de aplicação! A escolha racional de lâmpadas deverá ser o assunto da próxima postagem desta série.

    Não deixe de ler o primeiro texto da série: Evitando gerar poluição luminosa, parte I: A escolha das luminárias.


    quarta-feira, 15 de abril de 2015

    Estamos na Semana Internacional dos Céus Escuros 2015!


    Entre os dias 13 e 19 de abril estamos celebrando a Semana Internacional dos Céus Escuros 2015 (International Dark Sky Week). O evento de conscientização é promovido pela IDA, principal organização não governamental de combate à poluição luminosa.

    Vamos então aproveitar para aprender um pouco mais sobre o assunto e, principalmente, sobre o que cada um de nós pode fazer. Os três vídeos abaixo foram produzidos pelo projeto "What you can do" e a ideia central é que se você tem apenas um minuto, você pode mudar o mundo.  É uma premiada série de vídeos onde são apresentadas soluções e mudanças de comportamento que podem fazer a diferença para a sociedade e o planeta - em um minuto.

    No caso da poluição luminosa, o projeto produziu os três vídeos abaixo: Proteger o céu noturno, Ajudar a proteger pássaros e Ajudar a proteger a vida selvagem. Os vídeos estão em inglês, mas lembre-se que no You Tube é possível colocar legendas traduzidas.

    Não perca mais nem um minuto e aproveite as informações dos vídeos!








    Além disso, durante esta semana a IDA sugere a leitura de um texto por dia para nos aprofundarmos nas questões ligadas à poluição luminosa:

    A árvore e as Plêiades, também conhecidas como Subaru ou as Sete Irmãs. Foto: Tânia Dominici.

    Os vídeos do "What you can do" estão entre as referências de multimídia da página da IDA.

    domingo, 19 de outubro de 2014

    Os perigos da descoberta agraciada com o prêmio Nobel de Física 2014

    No dia 7 de outubro deste ano aconteceu o anúncio dos ganhadores do prêmio Nobel de Física 2014. Os Drs. Isamu Akasaki (Meijo University, Japão), Hiroshi Amano (Nagoya University, Japão) e Shuji Nakamura (UC - Santa Barbara, EUA) foram premiados pelo desenvolvimento do LED azul. Isso permitiu, através da combinação com os LEDs vermelhos e verdes já existentes, a produção de luz branca com baixo consumo de energia elétrica.

    A tecnologia LED (Light-Emitting Diode ou diodo emissor de luz), aperfeiçoada através das pequisas dos laureados pelo Nobel, é utilizada em vários equipamentos presentes no nosso cotidiano, como nos monitores de smartphones, tablets, computadores e televisores.

    Um dos maiores potenciais do LED é realmente na iluminação. A economia de energia para a iluminação pública, quando comparada com aquela baseada em lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, pode ser maior do que 60% (veja o caso de Los Angeles, EUA, por exemplo). 

    As lâmpadas de LED possuem uma vida útil cinco vezes maior dos que as lâmpadas fluorescentes que usamos atualmente nos ambientes domésticos e três vezes mais em relação às lâmpadas utilizadas na iluminação pública (principalmente vapor de sódio de alta pressão). Nas LEDs, 100% da energia é convertida em luz, enquanto nas fluorescentes, apenas 80%. O restante é desperdiçado gerando calor. Como comparação, nas ultrapassadas lâmpadas incandescentes apenas 4% da energia elétrica consumida gera luz e 96% é desperdiçada na forma de calor.

    Em relação à poluição luminosa, uma vantagem do LED é o fato de que este tipo de lâmpada é intrinsecamente direcionada.Ou seja, ela ilumina apenas o local para onde está apontada e pode ser mais eficientemente controlada. O acendimento também é instantâneo, ao contrário das lâmpadas usuais que demoram vários minutos até alcançarem sua luminosidade total.

    No entanto, o problema em relação à geração da poluição luminosa não é apenas o direcionamento e a quantidade de luz, mas sim os comprimentos de onda do qual ela é composta. E é justamente o fato da luz do LED ser tão branca que faz com que o uso indiscriminado dessa nova tecnologia seja um grande risco ambiental e para a saúde humana, que ainda nem sabemos como estimar.

    A luz branca é muito mais atrativa para insetos, por exemplo. Em um artigo publicado este ano, S. Pawson e M. Bader (Scion, Nova Zelândia) demonstraram através de um experimento de campo que o LED atrai 48% mais insetos do que as lâmpadas de sódio de alta pressão, atualmente utilizada na maioria da cidades e responsável pelo tom alaranjado que observamos no céu das densas áreas urbanas durante a noite. Ou seja, com a iluminação LED existe maior risco de comprometer cadeias alimentares que garantem a sobrevivência de diferentes espécies e a disseminação de sementes de plantas diversas.

    Outro risco que vem sendo associado à popularização dos LEDs é o aumento indiscriminado dos pontos de iluminação e de sua luminosidade. Conforme o preço das lâmpadas (que ainda é muito alto) começar a diminuir e, levando em consideração o baixo consumo de energia, deve surgir uma tendência a instalar mais pontos do que o necessário. 

    Desde o início da disponibilização da luz elétrica, principalmente a partir da segunda metade do século XIX, estamos continuamente prolongando as nossas horas de trabalho e lazer e desejando para isso que a iluminação reproduza o ambiente diurno. Acontece que o corpo humano, assim como muitas outras espécies animais e vegetais, necessita do chamado ciclo claro-escuro (ou circadiano). É importante lembrar que a melatonina, por exemplo, é produzida pelo corpo humano durante o sono e a presença de luz diminui a eficiência do processo. A falta deste hormônio pode desencadear vários problemas para a saúde humana. E como ficam as espécies de animais de hábitos noturnos neste cenário onde nunca  é realmente noite? Estes são apenas alguns exemplos do impacto negativo da luz branca. 

    O fato de que os LEDs produzem um feixe de luz direcionado pode fazer com que os fabricantes de luminárias coloquem LEDs inclinados nas extremidades das mesmas, buscando aumentar a área do solo iluminada. Isso faz com que o pedestre seja ofuscado pela forte luz branca ao se aproximar da luminária, podendo causar cegueira momentânea. A recuperação da visão é particularmente mais lenta para pessoas da terceira idade.

    Este parece ser o caso da iluminação da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. O excesso de luminosidade incomoda e o alto rendimento de cor, proporcionado pelo fato da luz ser branca, é desnecessário para as atividades noturnas da população e muito prejudicial para o meio ambiente, como já discutimos. Ao olhar para as luminárias, a visão é fortemente ofuscada, fazendo com que as pessoas fiquem mais vulneráveis aos acidentes e à criminalidade, por exemplo.


    Iluminação LED da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Desnecessariamente branca, forte e ofuscante. Imagem obtida na página da Prefeitura do Rio de Janeiro.

    Existem algumas soluções para aproveitar a significante economia gerada pelas lâmpadas LED minimizando os problemas aqui apresentados. A principal delas é utilizar filtros que permitam a passagem apenas da luz útil para a iluminação urbana: aquela que pode ser captada pelos olhos humanos e com rendimento de cor suficiente para que as pessoas circulem com segurança. Isso é o que tem sido feito, por exemplo, em Hilo, no Havaí (EUA), próximo ao Mauna Kea - vulcão com 4200 metros de altitude onde se localizam os principais observatórios astronômicos do Hemisfério Norte. As luminárias baseadas em lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão (muito alaranjadas) estão sendo substituídas por LEDs com filtros que resultam em uma luz de tom esverdeado, aparentemente pouco prejudicial para as pesquisas astronômicas.

    Em Flagstaff, no Arizona (EUA), cidade próxima a relevantes locais de observação astronômica e muito valorizada por seus céus escuros, as luminárias baseadas em LED estão sendo modificadas para oferecer um tom alaranjado, semelhante ao que é produzido pelas lâmpadas de sódio de baixa pressão.


    Em Hilo, as lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão, de coloração alaranjada (à esquerda) estão sendo substituídas por luminárias LED especialmente modificadas, resultando em uma coloração esverdeada (à direita). Imagem e informação do portal bigislandnow.com.

    Em Flagstaff (EUA), a iluminação pública está sendo substituíra por luminárias LED com filtros cuja luz resultante é semelhante à produzida pelas lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão. Imagem e informação do portal azcentral.

    O prêmio Nobel concedido aos pesquisadores "pela invenção de LEDs azuis eficientes que possibilitaram criar fontes de luz brancas e energeticamente econômicas" (Nobelprize.org, em livre tradução) é mais do que merecido. No entanto, o uso abusivo da tecnologia oriunda destas pesquisas pode vir a prejudicar de maneira irrecuperável várias formas de vida no planeta. E a observação do céu noturno, claro...


    Para saber mais:


    domingo, 28 de setembro de 2014

    O estranho flagelo da poluição luminosa

    O SciShow é um canal do YouTube mantido por jovens americanos que se propõe a apresentar tópicos científicos de maneira profunda, porém em poucos minutos.

    O problema da poluição luminosa foi tema recente do canal, em um vídeo intitulado "The strange scourge of light pollution", ou "O estranho flagelo da poluição luminosa", em livre tradução. Em apenas dez minutos, Hank Green - o apresentador -, expõe de maneira clara a questão e as implicações ambientais, econômicas e sobre a saúde humana desse tipo de poluição. Vale muito assistir!

    Logo no início, Hank Green lembra que em 1994, após um terremoto que causou a queda do sistema de energia elétrica em Los Angeles (EUA), a população em pânico começou a ligar para os telefones de emergência, relatando a aparição de uma imensa "nuvem prateada" no céu. Era a Via Láctea, que a maioria nunca tinha visto devido à iluminação artificial irracional!

    O vídeo pode ser visto abaixo. A narração é em inglês, mas é possível selecionar as legendas em português (um singelo tutorial é oferecido ao final do post*).




    O SciShow foi criado em 2012 e oferece vídeos com dezenas de outros temas científicos no seu canal. Você pode ajudar a manter o projeto através da página https://subbable.com/scishowO SciShow também pode ser acompanhado através do Facebook ou do Twitter.

    A história de Los Angeles lembra a tira mostrada abaixo, retirada da lendária página "Calamities of Nature". A tradução para o português foi feita com a autorização do author, Tony Piro. 

    Clique para aumentar!

    A tira original pode ser encontrada aqui. De fato, quem nunca viu o céu noturno em um local despoluído não sabe o que está perdendo...


    *Para colocar as legendas em vídeos do YouTube, clique no seguinte ícone da tela:
    Em seguida, clique em "On" para acionar as legendas: 
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    E, finalmente, escolha o Português: 

    domingo, 20 de abril de 2014

    A vida sem céus escuros: você não sabe o que está perdendo

    Entre os dias 20 e 26 de abril de 2014 acontece a Semana Internacional dos Céus Escuros (International Dark Sky Week), uma iniciativa da IDA, principal organização não-governamental trabalhando no combate à poluição luminosa.

    Para colaborar com o evento, o fotografo Mark Gee, de Wellington (Nova Zelândia), produziu um vídeo com imagens mostrando a diferença entre ambientes com poluição luminosa e céus escuros.

    No texto de apresentação do vídeo, Gee coloca (em livre tradução a partir do original em inglês): "Durante meu tempo como astrofotógrafo, tenho falado com muitas pessoas mundo afora, interessadas por minhas fotografias e vídeos. Fiquei realmente chocado quando algumas delas me disseram que nunca viram a Via Láctea com seus próprios olhos. Eu fiz algumas pesquisas sobre o assunto e descobri que mais de um quinto da população mundial, dois terços da norte americana e metade dos europeus [vivem em locais em que] já perderam totalmente a visibilidade da Via Láctea a olho nu! Isso é uma vergonha, e os efeitos da poluição luminosa podem ser muito mais sérios do que não sermos capazes de enxergar estrelas à noite". 

    Veja abaixo o belo trabalho de Mark Gee para esta semana de conscientização acerca dos problemas causados pela poluição luminosa. A narração é em inglês, porém as imagens são, por si só, bastante ilustrativas do contraste entre a luz artificial e o céu estrelado que o artista desejou apresentar.








    E você? Já viu a Via Láctea com seus próprios olhos? Se não, não sabe o que está perdendo...


    Outros trabalhos do fotógrafo podem ser vistos em sua página na internet, não por acaso intitulada "The art of Night".




    Update: o post foi atualizado para conter os links para todos os textos disponibilizados pela IDA durante a semana.
    sexta-feira, 28 de março de 2014

    Dia 29/03 às 20:30 h começa a Hora do Planeta 2014: use o seu poder!

    Assim como fizemos no ano passado, incentivamos que todos participem da Hora do Planeta 2014. O evento, promovido pela WWF, será neste sábado, dia 29 de março, com início às 20:30 h.

    A ideia é apagar as luzes por uma hora para demonstrarmos a nossa preocupação com o futuro do planeta. Neste sentido, a poluição luminosa é um grave problema ambiental, social e econômico, e a Hora do Planeta também nos dá a oportunidade de aproveitar aqueles minutos de privação da luz artificial para nos reconectarmos com o céu noturno.

    Então aproveite e aprecie o céu! Para quem quer ter uma ideia do que seria o céu do Rio de Janeiro ou outras grandes cidades se todas as luzes fossem apagadas, basta relembrar o trabalho do fotógrafo Thierry Cohen, que fez justamente este exercício de imaginação, juntando fotos de metrópoles com imagens do céu obtidas em regiões escuras de mesma latitude. O resultado pode ser visto abaixo. Quem não gostaria de ter esta visão?


    Imagens do Rio de Janeiro caso todas as luzes fossem apagadas. Créditos: Thierry Cohen.


    Se alguém quiser aproveitar a Hora do Planeta para identificar as estrelas e planetas, as cartas abaixo mostram o céu noturno no Rio de Janeiro, em 29/03, às 20:30h. A primeira é uma simulação das condições usuais, com as luzes da cidade pouco racionais, direcionando parte da luz para o alto. Na carta de baixo, simulamos o céu noturno até o limite visual médio do ser humano. Ou seja, seria o que veríamos caso todas as luzes artificiais fossem apagadas ou próximo do que seria possível caso a iluminação fosse totalmente racional, cuidando para iluminar apenas o que é preciso, estritamente durante o tempo necessário.



    A carta de cima simula o céu do Rio de Janeiro no início da Hora do Planeta 2014 (29 de março, às 20:30 h), com as condições usuais de poluição luminosa. Já na carta de baixo, podemos ter uma ideia de tudo o que os nossos olhos seriam capazes de captar caso as luzes fossem apagadas, e próximo do que poderia ser rotineiro se a iluminação artificial fosse racional, buscanco impactar minimamente no meio ambiente e na nossa saúde. Simulações feitas com o programa gratuito Stellarium.


    Não deixe de ver a divertida série de vídeos, intitulada "O homem do Farol", produzidas pelo WWF Brasil para divulgar a Hora do Planeta 2014:



     Desligue as luzes e use o seu poder!


    E, por fim é sempre interessante lembrar que estamos na terceira parte da campanha Globe at Night de 2014. Por que não contar as estrelas da constelação de Órion durante e depois da Hora do Planeta, colaborando para estimar o impacto da iluminação artificial no nosso planeta?


     
    Vem para a rua! Conte estrelas e ajude a construir um planeta mais sustentável. A poluição luminosa é reversível e todos podemos colaborar!



    Página de notícias sobre Poluição Luminosa (PL), mantida pela astrofísica Tânia Dominici.

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