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sábado, 21 de abril de 2018
Estamos na Semana Internacional dos Céus Escuros 2018! Conheça um pouco do meu trabalho na área #IDSW2018
Estamos encerrando a Semana Internacional dos Céus Escuros 2018 (International Dark Sky Week, IDSW2018). Esta é uma iniciativa iniciada em 2003 por uma estudante norte americana, Jennifer Barlow.
O objetivo é chamar a atenção para os problemas causados pela poluição luminosa e promover iniciativas simples para minimizá-la. A International Dark Sky Association criou uma página com recursos de sensibilização que podem ser utilizados durante estes dias. Também é possível acompanhar a campanha nas redes sociais, seguindo a hashtag #IDSW2018. O tema deste ano é "Acenda a noite" (Turn on the night).
O blog anda parado, mas não as atividades... Aproveito a IDSW2018 para disponibilizar aqui os artigos que publicamos recentemente sobre poluição luminosa.
- Utilizando conceitos de patrimônio como uma estratégia de proteção do direito à luz das estrelas, por Tania Pereira Dominici e Marcio Ferreira Rangel (MAST), publicado na revista Museologia e Patrimônio.
Neste trabalho, mostramos como a observação do céu noturno sempre teve importância vital para o desenvolvimento da Humanidade, seja do ponto de vista científico, filosófico ou como inspiração artística. No entanto, a visão das estrelas está em risco: o descontrole no uso da iluminação artificial, provocando a poluição luminosa, tem feito com que boa parte da população mundial fique impossibilitada de apreciar um céu estrelado. Deste modo, também se limita a capacidade de compreender a ciência, o processo de construção do conhecimento e as obras culturais inspiradas pela visão do firmamento. A luz artificial inadequadamente utilizada também altera o ciclo natural de vida das plantas e animais, lesando o patrimônio natural. Analisamos os instrumentos legais e certificações existentes para assegurar a proteção da qualidade do céu e de sua visão enquanto parte integrante do patrimônio humano, natural ou cultural. Pretende-se demonstrar que, ainda que o céu noturno não esteja por si só formalmente reconhecido em diversas instâncias oficiais enquanto patrimônio, ele já deveria estar sendo resguardado por fazer parte de sítios e saberes registrados, tombados ou candidatos a procedimentos de conservação e proteção no contexto internacional ou nacional.
Tendo em vista a dificuldade para a articulação de legislações ou regulamentações de controle da iluminação artificial junto ao poder público, a abordagem referente à proteção do patrimônio - natural e/ou cultural, tangível ou intangível, que remete à presença da luz das estrelas - fortalece a demanda, uma vez que pode vir a obrigar a ações urgentes para preservar o nosso acesso à observação do Universo. Como exemplo, ressaltamos a pertinência de procurar proteger dois locais no território brasileiro potencializados pela possibilidade da observação do céu noturno: o Saco do Céu (Ilha Grande, RJ) e o Observatório do Pico dos Dias (Brazópolis, MG).
- Uma discussão sobre os mecanismos de proteção do patrimônio em relação aos efeitos nocivos da poluição luminosa, por Tania Pereira Dominici e Marcio Ferreira Rangel (MAST), publicado nos Anais do Simpósio Científico 2017 - ICOMOS Brasil.
Como sempre, estamos disponíveis para esclarecer quaisquer dúvidas e para discussões. Boa leitura e bom final de IDSW2018!
Marcadores:IAU,ICOMOS,IDA,IDSW,MAST,OPD,patrimônio astronômico,poluição luminosa,UAI,UNESCO | 0
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quarta-feira, 11 de março de 2015
A campanha "Globe at Night" completa dez anos!
Em 2015, a campanha de ciência cidadã Globe at Night está completando dez anos de atividades! É um projeto oficial do National Optical Astronomy Observatory (NOAO), instituição norte americana responsável pela operação dos telescópios ópticos em solo disponíveis aos astrônomos daquele país.
Através do Globe at Night qualquer pessoa, de qualquer lugar do planeta, pode contribuir para pesquisas sobre a incidência da poluição luminosa. Basta acompanhar as campanhas mensais, observar e contar estrelas nas constelações indicadas e enviar seus resultados para serem incluídos na base de dados. Além dos procedimentos serem muito simples e bem documentados, o "cientista cidadão" ainda tem o prazer de dedicar alguns minutos para contemplar o céu noturno!
Sem dúvida, durante estes dez anos, o Globe at Night tem coordenado a coleta de informações essenciais e que podem ser usadas em diversas análises, testemunhando o impacto da iluminação artificial no meio ambiente, nas nossas vidas e na nossa capacidade de observar as estrelas...
Outras informações sobre o Globe at Night já foram apresentados neste post. Uma explicação detalhada de como comunicar os resultados através do aplicativo web do projeto pode ser vista aqui. Este aplicativo é disponibilizado em várias línguas, inclusive em português.
Hoje, 11 de março, tem início a terceira campanha de 2015 e devemos contar quantas estrelas podemos ver na constelação do Cruzeiro do Sul. As outras datas e constelações a serem observadas no Hemisfério Sul são:
O mapa abaixo mostra os resultados de 2014, quando mais de 18 mil observações foram enviadas. Mas, por que participamos tão pouco no Brasil? Dê a sua contribuição! Todas as constelações são de fácil identificação já no início da noite! (Tudo bem, Grou é um pouco mais complicada...). A meta é conseguir 20 mil observações até o fim deste ano!
Visando colaborar para que seja formada uma base de dados mais homogênea e completa, Christopher Kyba, do projeto e blog Loss of the Night, fez um levantamento e disponibilizou os locais de onde já foram fornecidas observações em algum momento mas, nos últimos cinco anos, ninguém se propôs a repeti-las. Assim, ficamos sem saber como a situação evoluiu naquele local.
Kyba diz (tradução livre): "O melhor lugar para fazer uma observação e ajudar a estimar a poluição luminosa é um lugar muito perto de sua casa, onde você possa observar novamente no futuro. Mas, se estiver disposto a viajar um ou dois quilômetros, a fim de nos ajudar a controlar a forma como a contribuição da luz artificial está mudando, você poderia nos ajudar, fazendo uma observação perto do mesmo local onde já foi feita no passado". Consulte o mapa com 5 mil locais onde as observações precisam ser novamente realizadas e veja se pode ajudar!
O Globe at Night tem uma newsletter mensal, que pode ser assinada ou lida neste link. Este mês, por exemplo, tem a indicação da página Light Pollution Map, onde é possível acompanhar medidas de brilho de fundo do céu obtidas com equipamentos como o Sky Quality Meter (SQM) e fornecidos pela instituição norte americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). Na imagem abaixo é possível ver a área com maior incidência de poluição luminosa no Brasil, que inclui São Paulo, Rio de Janeiro e entre elas, no Sul de Minas, o local onde está instalado o maior telescópio profissional em solo brasileiro, o Observatório do Pico dos Dias (cerca de 35 quilômetros de Itajubá).
Através do Globe at Night qualquer pessoa, de qualquer lugar do planeta, pode contribuir para pesquisas sobre a incidência da poluição luminosa. Basta acompanhar as campanhas mensais, observar e contar estrelas nas constelações indicadas e enviar seus resultados para serem incluídos na base de dados. Além dos procedimentos serem muito simples e bem documentados, o "cientista cidadão" ainda tem o prazer de dedicar alguns minutos para contemplar o céu noturno!
Sem dúvida, durante estes dez anos, o Globe at Night tem coordenado a coleta de informações essenciais e que podem ser usadas em diversas análises, testemunhando o impacto da iluminação artificial no meio ambiente, nas nossas vidas e na nossa capacidade de observar as estrelas...
Outras informações sobre o Globe at Night já foram apresentados neste post. Uma explicação detalhada de como comunicar os resultados através do aplicativo web do projeto pode ser vista aqui. Este aplicativo é disponibilizado em várias línguas, inclusive em português.
Hoje, 11 de março, tem início a terceira campanha de 2015 e devemos contar quantas estrelas podemos ver na constelação do Cruzeiro do Sul. As outras datas e constelações a serem observadas no Hemisfério Sul são:
- 11 a 20 de março - Cruzeiro do Sul, guia de atividades em inglês;
- 9 a 18 de abril - Cruzeiro do Sul;
- 9 a 18 de maio - Cruzeiro do Sul;
- 8 a 17 de junho - Escorpião, guia de atividades em inglês;
- 7 a 16 de julho - Escorpião;
- 5 a 14 de agosto - Sagitário, guia de atividades em inglês;
- 3 a 12 de setembro - Sagitário;
- 3 a 12 de outubro - Sagitário;
- 2 a 11 de novembro - Grou, guia de atividades em inglês;
- 2 a 11 de dezembro - Grou.
O mapa abaixo mostra os resultados de 2014, quando mais de 18 mil observações foram enviadas. Mas, por que participamos tão pouco no Brasil? Dê a sua contribuição! Todas as constelações são de fácil identificação já no início da noite! (Tudo bem, Grou é um pouco mais complicada...). A meta é conseguir 20 mil observações até o fim deste ano!
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| Visão geral dos resultados da campanha de 2014, quando 18506 observações foram enviadas. Note como o Brasil participa pouco, assim como outros países da América do Sul. Resultados de outros anos e em diferentes formatos podem ser encontrados nesta página. |
Kyba diz (tradução livre): "O melhor lugar para fazer uma observação e ajudar a estimar a poluição luminosa é um lugar muito perto de sua casa, onde você possa observar novamente no futuro. Mas, se estiver disposto a viajar um ou dois quilômetros, a fim de nos ajudar a controlar a forma como a contribuição da luz artificial está mudando, você poderia nos ajudar, fazendo uma observação perto do mesmo local onde já foi feita no passado". Consulte o mapa com 5 mil locais onde as observações precisam ser novamente realizadas e veja se pode ajudar!
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| Imagem do blog Loss of the Night mostrando 5 mil locais onde contagens de estrelas para o projeto Globe at Night foram feitas em algum momento nos últimos nove anos, mas nunca repetidas para registrar a evolução da poluição luminosa naquele local. |
O Globe at Night tem uma newsletter mensal, que pode ser assinada ou lida neste link. Este mês, por exemplo, tem a indicação da página Light Pollution Map, onde é possível acompanhar medidas de brilho de fundo do céu obtidas com equipamentos como o Sky Quality Meter (SQM) e fornecidos pela instituição norte americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). Na imagem abaixo é possível ver a área com maior incidência de poluição luminosa no Brasil, que inclui São Paulo, Rio de Janeiro e entre elas, no Sul de Minas, o local onde está instalado o maior telescópio profissional em solo brasileiro, o Observatório do Pico dos Dias (cerca de 35 quilômetros de Itajubá).
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| Mapa da poluição luminosa na área mais afetada do Brasil, incluindo as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Imagem produzida através da página Light Pollution Map. Clique para ampliar! |
É sempre importante lembrar que as observações realizadas através dos aplicativos 'Dark Sky Meter' (iOS) e 'Loss of the Night' (para iOS e Android) também se juntam aos esforços do Globe at Night, de mapear a incidência e variação da poluição luminosa em todo o globo terrestre. São várias as oportunidades e maneiras de colaborar com as pesquisas!
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| Nova página web do projeto Globe at Night, marcando seus dez anos de existência. |
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
O Observatório de Mont-Mégantic quase fechou. E não foi por causa da poluição luminosa!
Na quarta-feira, 11 de fevereiro, foi noticiado que o Observatório de Mont-Mégantic (OMM, Quebec, Canadá) iria encerrar as operações em abril. O motivo era a falta de recursos financeiros, uma vez que, dentro da política econômica de contenção de gastos do governo canadense, o orçamento havia sido cortado em 500 mil dólares.
Porém, em poucas horas a situação se reverteu! Quando as notícias do fechamento começaram a ser divulgadas e as reações nas redes sociais surgiram (por exemplo, através da hasthag #sauvonsOMM - salvar OMM), o governo canadense voltou atrás e se comprometeu a completar o orçamento para as operações do OMM por pelo menos mais dois anos.
A situação é de particular interesse para os brasileiros por conta de duas peculiaridades: a primeira é que o telescópio do OMM é um Perkin-Elmer com espelho primário de 1.60 m de diâmetro, idêntico ao que o Observatório do Pico dos Dias possui (o maior em território brasileiro). Compare nas imagens abaixo. O OMM opera desde 1978 e, o OPD, desde 1980.
Esquerda: Telescópio Perkin-Elmer com espelho primário de 1.60 m de diâmetro do Observatório de Mont-Mégantic, Canada. Crédito: Sébastien Giguère/ASTROLab/Mont-Mégantic National Park. Direita: o telescópio idêntico no Observatório do Pico dos Dias. Crédito: LNA.
O outro ponto a ser destacado é que, apesar de estar a apenas 250 km de uma grande cidade como Quebec e a 1100 metros de altitude (o OPD está a 1864 m), o OMM está em um sítio pouco contaminado pela poluição luminosa. Inclusive fica em uma reserva de 5500 km2 certificada pela Associação Internacional dos Céus Escuros, a IDA. Este não é o caso do OPD, cuja qualidade do céu vem sendo comprometida de maneira crescente pelo aumento descontrolado da iluminação irracional nos seus arredores.
O trabalho realizado na região do OMM é uma referência internacional de combate à poluição luminosa e preservação do céu estrelado, cujos detalhes podem ser encontrados em uma página própria. Uma série de documentos técnicos com recomendações para boas práticas de iluminação está disponível (em francês, mas o Google tradutor ajuda...).
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| Captura de tela da página web sobre a reserva de céus escuros do Mont-Mégantic, onde podem ser encontradas informações sobre o local, acerca do problema da poluição luminosa e uma série de documentos com orientações para assegurar céus escuros. |
Deste episódio podemos tirar algumas lições. A primeira é que a sociedade precisa se mobilizar pelos seus interesses. Se a ciência não está na ordem do dia, é responsabilidade dos cientistas, divulgadores e jornalistas da área se empenharem para trazer à tona os assuntos relacionados. Não apenas o Canadá, mas praticamente todos os países passam por um período de contenção de despesas (é o caso do Brasil). Neste contexto, a astronomia também atravessa um momento peculiar: visando conseguir recursos financeiros para os novos projetos de telescópios extremamente grandes em sítios de excelência, observatórios menores estão sendo fechados, ainda que sejam produtivos do ponto científico. Tendo o objetivo de evitar o fechamento dessas infraestruturas de pesquisa, é preciso que a sociedade colabore demonstrando claramente quais ela acredita que devem ser as prioridades de investimento de país. E ciência é a base para uma população mais educada, saudável e com oportunidades de crescimento econômico e pessoal.
Além disso o OPD, ao contrário seu gêmeo canadense, não possui nenhum controle da poluição luminosa nos seus arredores, seja através de legislações e/ou regulamentações ou de ações sistemáticas de conscientização popular e para os administradores públicos. Ou seja, ainda que uma parcela significativa da comunidade astronômica deseje a continuidade das operações, chegará um momento em que a questão ambiental as inviabilizará. A menos que providências incisivas sejam tomadas o mais rápido possível.
Assim como o OPD, o OMM tem um papel fundamental na astronomia canadense, pois proporciona o treinamento avançado de estudantes em observações astronômicas, e funciona como um laboratório de desenvolvimento instrumental para observatórios maiores, como o CFHT. Tudo isso sem deixar de realizar pesquisas científicas de vanguarda, como a descoberta feita no ano passado de um planeta com cerca de dez vezes a massa de Júpiter, orbitando uma estrela jovem.
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| "Reserva de céu estrelado do Mont-Mégantic - Um patrimônio coletivo a ser protegido". Cartaz de conscientização popular produzido pela reserva. |
Para saber mais:
- Quebec’s Mont-Megantic observatory to close in April - Global New
- L'Observatoire du Mont-Mégantic fermera ses portes le 1er avril - ICI Radio-Canada
- Fermeture de l'observatoire du Mont-Mégantic - La Presse
- Mont-Mégantic Observatory could close due to lack of funding - CBC News
- L’Observatoire du Mont-Mégantic forcé de fermer - Le Devoir
A reviravolta:
- L'Observatoire du Mont-Mégantic reste ouvert - TVA Nouvelles
- Mont-Mégantic Observatory saved by federal funding - CBC News
- Federal government restores funding to Mont-Mégantic Observatory after public outcry - Montreal Gazette
domingo, 9 de novembro de 2014
Sobre a fotografia noturna em locais com alta poluição luminosa
Quem mora em áreas urbanas já está acostumado a olhar para o céu noturno e enxergar poucas estrelas devido à poluição luminosa, agravada pela poluição atmosférica. Com o tempo, até perdemos a sensibilidade para a questão. Uma maneira interessante de comprovar dramaticamente o quanto estamos afetando a natureza com o excesso de luz artificial é através da fotografia noturna.
Abaixo, temos uma imagem do tipo que chamamos de startrails: é a combinação de uma sequência de fotos obtidas com a câmera fixa. Quando combinadas, através de programas específicos, podemos ver o movimento relativo das estrelas ao redor dos polos celestes. Esse movimento é, de fato, causado pela rotação da Terra. Para chegar ao resultado, cerca de 90 imagens obtidas em um céu relativamente bem preservado foram combinadas. Cada uma delas foi feita com 4 segundos de integração e ISO 3200 (F3.5), utilizando uma câmera Canon Rebel T3i. O tripé é imprescindível...
Imagens de startrails como as mostradas acima podem ser criadas com o programa gratuito de mesmo nome, criado e disponibilizado pelo astrofotógrafo alemão Achim Schaller. Tem até versão em português!
Por sua vez, o fotógrafo Justin Ng elaborou um tutorial para demonstrar que é possível produzir imagens da Via Láctea mesmo em cidades muito contaminadas, como Cingapura, onde ele vive. Para tanto, é necessário basicamente uma câmara DSLR (com tripé), como a utilizada nas imagens mostradas acima, e o programa Photoshop. A sequência de fotos abaixo ilustra o processo. A primeira mostra a imagem original, obtida com o máximo de integração possível para que as estrelas não apareçam corridas (devido ao movimento da Terra). É indiscutível o comprometimento pela poluição luminosa. No Photoshop, o fotógrafo faz manipulações, como aplicar uma normalização e o ajuste de brilho. Na imagem resultante (no centro), já podemos ver a Via Láctea. Após uma sequência de outras edições, Justin Ng chega ao resultado final (terceira imagem): uma estonteante visão do centro da nossa Galáxia que parece ter sido obtida em um local distante das grandes concentrações urbanas. Não, o olho humano não consegue ver este espetáculo daquele local, mas poderia chegar próximo se houvesse controle da poluição luminosa...
Veja o tutorial completo na página de Justin Ng (uma versão simplificada em português foi disponibilizada pelo portal de fotografia digital Convexa).
Porém, mesmo sem o conhecimento técnico e a habilidade de pessoas como Justin Ng, com uma máquina DSLR e um tripé é possível obter imagens interessantes de alguns objetos celestes nas grandes cidades. A Lua é, obviamente, o alvo principal, mas também é interessante utilizar o zoom óptico da máquina (e a eventual ajuda de uma luneta simples) para registrar o movimento das luas galileanas em torno de Júpiter. Mesmo em locais muito iluminados, a passagem da Estação Espacial Internacional (ISS) pode resultar em imagens muito interessantes! Para se programar, descubra quando ela passará sobre a sua cidade na página Heavens Above.
No entanto, você quer mesmo perder a oportunidade de contemplar um céu despoluído e fotografar a Via Láctea com toda a sua beleza sem maiores truques de edição? O vídeo abaixo, produzido por Ian Norman e Diana Southern em locações nos EUA é, definitivamente, inspirador para uma aventura de turismo ecológico e científico em áreas com céus preservados. Os autores do vídeo também oferecem um curso online gratuito de astrofotografia. Aproveite!
Abaixo, temos uma imagem do tipo que chamamos de startrails: é a combinação de uma sequência de fotos obtidas com a câmera fixa. Quando combinadas, através de programas específicos, podemos ver o movimento relativo das estrelas ao redor dos polos celestes. Esse movimento é, de fato, causado pela rotação da Terra. Para chegar ao resultado, cerca de 90 imagens obtidas em um céu relativamente bem preservado foram combinadas. Cada uma delas foi feita com 4 segundos de integração e ISO 3200 (F3.5), utilizando uma câmera Canon Rebel T3i. O tripé é imprescindível...
Já na próxima imagem, algo semelhante foi tentado, mas nos céus muito poluídos do Rio de Janeiro. Foram combinadas cerca de 80 imagens, cada uma com 11 segundos de integração (!) e ISO 3200 (f/22), com o mesmo equipamento utilizado na produção da imagem acima. A diferença na quantidade de estrelas é gritante. Além disso, na imagem abaixo ainda é possível notar a reflexão interna na câmera devido à iluminação super irracional de um museu ao lado da locação.
Imagens de startrails como as mostradas acima podem ser criadas com o programa gratuito de mesmo nome, criado e disponibilizado pelo astrofotógrafo alemão Achim Schaller. Tem até versão em português!
Por sua vez, o fotógrafo Justin Ng elaborou um tutorial para demonstrar que é possível produzir imagens da Via Láctea mesmo em cidades muito contaminadas, como Cingapura, onde ele vive. Para tanto, é necessário basicamente uma câmara DSLR (com tripé), como a utilizada nas imagens mostradas acima, e o programa Photoshop. A sequência de fotos abaixo ilustra o processo. A primeira mostra a imagem original, obtida com o máximo de integração possível para que as estrelas não apareçam corridas (devido ao movimento da Terra). É indiscutível o comprometimento pela poluição luminosa. No Photoshop, o fotógrafo faz manipulações, como aplicar uma normalização e o ajuste de brilho. Na imagem resultante (no centro), já podemos ver a Via Láctea. Após uma sequência de outras edições, Justin Ng chega ao resultado final (terceira imagem): uma estonteante visão do centro da nossa Galáxia que parece ter sido obtida em um local distante das grandes concentrações urbanas. Não, o olho humano não consegue ver este espetáculo daquele local, mas poderia chegar próximo se houvesse controle da poluição luminosa...
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| Sequência de imagens feitas por Justin Ng ilustrando o seu método para fotografar a Via Láctea em locais muito poluídos como Cingapura. No topo: foto original, obtida integrando o máximo possível sem que as estrelas fiquem corridas (conhecida como regra dos 500). No centro: imagem normalizada pelo Photoshop e com ajuste de brilho, onde já é possível ver a Via Láctea. Abaixo: resultado final, após manipulações diversas no Photoshop. Não deixe de visitar a página do fotógrafo. |
Veja o tutorial completo na página de Justin Ng (uma versão simplificada em português foi disponibilizada pelo portal de fotografia digital Convexa).
Porém, mesmo sem o conhecimento técnico e a habilidade de pessoas como Justin Ng, com uma máquina DSLR e um tripé é possível obter imagens interessantes de alguns objetos celestes nas grandes cidades. A Lua é, obviamente, o alvo principal, mas também é interessante utilizar o zoom óptico da máquina (e a eventual ajuda de uma luneta simples) para registrar o movimento das luas galileanas em torno de Júpiter. Mesmo em locais muito iluminados, a passagem da Estação Espacial Internacional (ISS) pode resultar em imagens muito interessantes! Para se programar, descubra quando ela passará sobre a sua cidade na página Heavens Above.
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| A Lua é facilmente fotografada mesmo com câmeras simples. O essencial é colocar o equipamento em um tripé a aprender a utilizar as configurações manuais da sua câmera... Crédito: Tânia Dominici. |
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| Passagem da Estação Espacial Internacional (ISS) registrada em uma cidade de médio porte. Crédito: Tânia Dominici. |
No entanto, você quer mesmo perder a oportunidade de contemplar um céu despoluído e fotografar a Via Láctea com toda a sua beleza sem maiores truques de edição? O vídeo abaixo, produzido por Ian Norman e Diana Southern em locações nos EUA é, definitivamente, inspirador para uma aventura de turismo ecológico e científico em áreas com céus preservados. Os autores do vídeo também oferecem um curso online gratuito de astrofotografia. Aproveite!
É claro que, apesar de existirem maneiras de obter imagens razoáveis do céu mesmo com a poluição luminosa, ou então viajar para os poucos locais do planeta ainda preservados, o melhor mesmo é nos conscientizarmos do problema e cobrarmos a instalação de luminárias e lâmpadas racionais, que direcionem a luz unicamente para o local que deve ser iluminado e exclusivamente pelo período de tempo que for necessário. Deste modo, ganharemos em qualidade de vida, em sustentabilidade e na possibilidade de voltar a contemplar as estrelas, mesmo vivendo nas maiores metrópoles...
Nunca é demais lembrar: a luta contra a poluição luminosa não se baseia em eliminar ou reduzir drasticamente a iluminação externa, mas em racionalizá-la para criar ambientes noturnos mais sustentáveis e seguros para a população, sem desperdício de recursos, naturais ou financeiros, e minimizando o comprometimento para a vida de plantas e animais.
Update em 15/12/2014: Ian Norman também produziu o vídeo incorporado abaixo explicando a técnica ETTR (Expose to the Right) para fotografar a Via Láctea mesmo em lugares com muita poluição luminosa. No final, Ian relembra que nada substitui a experiência de fotografar o céu noturno em locais despoluídos...
Update em 15/12/2014: Ian Norman também produziu o vídeo incorporado abaixo explicando a técnica ETTR (Expose to the Right) para fotografar a Via Láctea mesmo em lugares com muita poluição luminosa. No final, Ian relembra que nada substitui a experiência de fotografar o céu noturno em locais despoluídos...
domingo, 1 de dezembro de 2013
As 45 cidades mais brilhantes do planeta: conheça o trabalho de Christina Seely
Depois das "Cidades Escurecidas" de Thierry Cohen, mais uma fotógrafa divulga uma série de imagens que chama a atenção para as questões relacionadas à poluição luminosa.
Observando a imagem da Terra à noite, disponibilizada pela NASA e mostrada abaixo, Christina Seely, fotógrafa e educadora de São Francisco (EUA), selecionou 45 cidades nas regiões mais brilhantes do globo. Normalmente associadas ao progresso e melhor qualidade de vida, as regiões mais iluminadas registram, antes de mais nada, o imenso desperdício de recursos econômicos e naturais com a iluminação mal planejada, que direciona a luz inutilmente para o céu.
A Terra observada à noite em outubro de 2012 (NASA Earth Observatory/NOAA NGDC). Com base nessa imagem, Seely selecionou as 45 cidades nas áreas mais iluminadas para compor a sua série Lux, que registra o brilho do céu naquelas regiões.
Durante cinco anos, a fotógrafa visitou os locais selecionados e registrou o brilho do céu, também chamado de sky glow, um dos tipos de poluição luminosa. A série de imagens resultante constitui o trabalho intitulado de Lux. Sempre que possível, Christina procurava locais mais afastados de onde pudesse observar as cidades e registrar o contraste entre a natureza e a iluminação artificial. Ambas são belas, porém incompatíveis, uma vez que a poluição luminosa provoca impactos negativos no meio ambiente e no ciclo de vida de diversas espécies animais. Veja abaixo alguns resultados desse belo trabalho.
E no Brasil?
Embora o trabalho de Seely seja uma expressão artística que promove a discussão sobre a poluição luminosa, o fato é que o monitoramento fotográfico de áreas urbanas próximas de regiões de especial interesse (como reservas naturais e observatórios astronômicos) constitui uma importante ferramenta de controle dos excessos e da qualidade da iluminação artificial.
Para exemplificar, as imagens abaixo, obtidas entre 2012 e 2013, mostram as cidades de Itajubá e Brazópolis, vistas do Observatório do Pico dos Dias.
Algumas imagens da série Lux, de Christina Seely, mostrando o contraste entre o brilho do céu gerado pela iluminação excessiva e a natureza. Em cima: Madrid (Espanha); no meio: Amsterdã (Holanda); abaixo: Tóquio (Japão).
Embora o trabalho de Seely seja uma expressão artística que promove a discussão sobre a poluição luminosa, o fato é que o monitoramento fotográfico de áreas urbanas próximas de regiões de especial interesse (como reservas naturais e observatórios astronômicos) constitui uma importante ferramenta de controle dos excessos e da qualidade da iluminação artificial.
Para exemplificar, as imagens abaixo, obtidas entre 2012 e 2013, mostram as cidades de Itajubá e Brazópolis, vistas do Observatório do Pico dos Dias.
Itajubá vista do Observatório do Pico dos Dias. Imagem obtida em 15 de maio de 2013, por T. Dominici (Canon Rebel T3i, f3.5, 20 segundos de exposição, ISO 1600).
Brazópolis observada do OPD em imagens obtidas com 10 meses de intervalo, aproximadamente no mesmo horário (por volta das 19:30 h). À esquerda: observação em 16/08/2012; à direita: observação em 03/06/2013. Podemos verificar, do lado esquerdo da cidade na imagem mais recente, uma área de expansão urbana, utilizando lâmpadas alaranjadas e menos poluentes, de vapor de sódio de alta pressão. Na imagem de 2012, a polêmica iluminação do campo de futebol está ligada. Imagens de T. Dominici, ambas obtidas com Canon Rebel T3i, f5.6, 5 segundos de exposição, ISO 800.
Não deixe de visitar a página de Christina Seely. O livro com as imagens pode ser adquirido aqui. As fotografias em grande formato estão, neste momento, expostas em Massachusetts (EUA).
Principais fontes:
The 45 brightest cities in the world photographed by one woman (Gizmodo)
Slide show: The world's brightest cities (The New Yorker)
The 45 brightest cities in the world photographed by one woman (Gizmodo)
Slide show: The world's brightest cities (The New Yorker)
Update em 12/03/2016: Se você quer saber mais sobre a "cidade mais iluminada do mundo", não deixe de ver o post sobre Hong Kong!
Aproveite para ver as incríveis imagens do Planeta durante a noite, nesta galeria organizada pelo jornal britânico Telegraph.
América do Sul durante a noite. Note a poluição luminosa concentrada na região sudeste do Brasil e veja a galeria completa aqui (Fonte: Telegraph/NASA).
terça-feira, 30 de abril de 2013
Última oportunidade de participar da campanha Globe at Night 2013 (29 de abril a 8 de maio)!
A última etapa da campanha Globe at Night 2013 está em andamento até o dia 8 de maio. Como explicamos aqui, o objetivo é engajar a população mundial na pesquisa para avaliar a poluição luminosa em diferentes partes do planeta.
Aproveite as belas noites de outono para fazer a sua contribuição! Durante os próximos dias, a constelação a ser identificada no Hemisfério Sul é o Cruzeiro do Sul.
O Globe at Night tem um aplicativo online de fácil utilização para o registro de suas observações. Está em inglês, mas é muito simples de entender. Descrevemos abaixo cada passo.
Passo 1: Insira o local e a data das suas observações
Passo 2: Informe onde foram feitas as suas observações. Ao entrar na página, o aplicativo pedirá a sua permissão para identificar a localização (baseado nos dados de sua conexão). Se for a mesma da observação, permita e confirme. Caso contrário, localize-a no mapa.
Ainda no Passo 2: Se puder, descreva no quadro o local das observações. Por exemplo, se foi em uma cidade grande ou área rural.
Passo 3: Clique nos quadrinhos até encontrar um mapa que represente a sua observação. Por exemplo, se você só consegue ver quatro estrelas do Cruzeiro, deve selecionar a imagem que indica '< 3.5 mag'.
Passo 4: Informe a cobertura de nuvens. O céu estava completamente limpo? Nublado? Clique no quadro que melhor represente a condição de observação. Na janela abaixo, coloque informações complementares, se considerar necessário.
Passo 5: Se você for um entusiasta dos céus escuros, pode eventualmente ter um equipamento como este que mostramos aqui, o SQM. Nesta parte do formulário é possível informar as suas medidas. Se não tem o equipamento, ignore e vá para o passo 6...
Passo 6: Com o relatório preenchido, clique em 'Submit Data' e envie as suas informações. Está feito! Você ajudou a avaliar os impactos da iluminação artificial no planeta...
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| Situação atual da participação brasileira no projeto de ciência cidadã Globe at Night, campanha de 2013. A nossa última chance de colaborar para as medidas deste ano termina em 8 de maio. O mapa completo das contribuições pode ser visto aqui. |
No twitter, acompanhe @GLOBEatNight e use a hashtag #GaN2013.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Calgary, no Canadá, aprova nova regulamentação contra a poluição luminosa
Na segunda, dia 08/04, a cidade de Calgary, no Canadá, aprovou por unanimidade uma nova regulamentação para iluminação externa, visando o controle da poluição luminosa.
A medida é um reconhecimento ao fato de que a má iluminação representa um gasto desnecessário de recursos financeiros e está afetando as atividades do Observatório Astronômico de Universidade de Calgary.
A nova regulamentação implica em requerimentos mais exigentes para novos pontos de iluminação e na obrigatoriedade de planos de iluminação detalhados em solicitações de licenças para novas obras. Antigos pontos de iluminação não precisam ser modificados imediatamente e devem ir se adequando conforme forem sendo substituídos, ao fim de sua vida útil.
A nossa ideia para as cidades nos arredores do Observatório do Pico dos Dias é bastante semelhante: exigir que novos pontos de iluminação sejam racionais e ir adequando os antigos conforme tiverem que ser trocados. É importante notar que um eventual maior investimento em luminárias e lâmpadas mais modernas e menos poluentes é compensado pela economia em manutenção, consumo de energia elétrica e maior vida útil.
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| Imagem recente de Calgary à noite a partir da Estação Espacial Internacional (ISS). obtida pelo astronauta canadense Chris Hadfield e compartilhada em seu twitter, |
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| Outra visão das luzes de Calgary a partir do espaço (NASA Geophysical Data Center, http://www.blue-marble.de/nightlights/2012). Tudo isso é luz desperdiçada, que não está ajudando a população a se locomover com segurança, agride o meio ambiente e ainda impede a observação das estrelas...
Acesse as notícias originais (em inglês):
New light pollution curbs pondered by the council (08/04/2013)
Calgary to dim light pollution (09/04/2013)
Veja também: RASC Calgary Centre, com informações sobre poluição luminosa e as ações de combate na região de Calgary.
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segunda-feira, 18 de março de 2013
Aproveite a Hora do Planeta para observar o céu!
A Hora do Planeta é um ato simbólico promovido anualmente pela organização não governamental WWF (World Wide Fund for Nature - Fundo Mundial para a Natureza, em tradução livre).
A ideia é apagar as luzes durante uma hora para demonstrar a preocupação de governos, empresas e cidadãos com o aquecimento global e, consequentemente, com o futuro do planeta. Neste ano, o evento será realizado no sábado, dia 23/03, a partir das 20:30 h. Participe! Visite a página oficial do evento no Brasil.
Mas, o que fazer durante a Hora do Planeta, enquanto as luzes estiverem apagadas? Uma sugestão é aproveitar para ver as estrelas! É uma oportunidade incrível de perceber o quanto a poluição luminosa, gerada pela iluminação artificial irracional, impede a observação do céu noturno. É importante que a sua cidade também esteja engajada no evento e apague as luzes dos edifícios públicos, monumentos e arredores.
Veja na imagem abaixo as simulações do céu feitas para a cidade de Itajubá, próxima ao Observatório do Pico dos Dias, para o dia 23/03, no início da Hora do Planeta. Na imagem à esquerda temos o céu com a poluição luminosa típica de uma cidade de médio porte. Já à direita, temos o céu que poderia ser observado caso não houvesse qualquer poluição luminosa. O arquivo em pdf com as simulações pode ser obtido aqui.
| A imagem mostra simulações do céu da cidade de Itajubá (cerca de 90 mil habitantes, no Sul de Minas Gerais) com poluição luminosa (à esquerda) e caso não houvesse interferência da iluminação artificial (à direita). Os mapas foram feitos com o programa gratuito Stellarium e uma versão em pdf das simulações está disponível. |
Em Itajubá, a Hora do Planeta faz parte do calendário oficial do Município desde 2012 e a concentração costuma ocorrer em frente à Câmara Municipal, no centro da cidade. É uma iniciativa importante e, como dissemos, pode ser utilizada para conscientizar as pessoas sobre a poluição luminosa, principalmente em uma cidade que tem a responsabilidade de estar próxima ao local onde está instalado o maior telescópio astronômico profissional em território brasileiro...
Não deixe de fazer parte desse movimento. Não custa nada, mas diz muito sobre a nossa consciência em relação aos danos ambientais provocados pela ação dos seres humanos no planeta. Sábado, dia 23/03 às 20:30 h, apague as luzes por uma hora e... aprecie as estrelas!
Não deixe de fazer parte desse movimento. Não custa nada, mas diz muito sobre a nossa consciência em relação aos danos ambientais provocados pela ação dos seres humanos no planeta. Sábado, dia 23/03 às 20:30 h, apague as luzes por uma hora e... aprecie as estrelas!
Marcadores:Hora do Planeta,Itajubá,OPD,poluição luminosa | 0
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Monitoramento da qualidade do céu no Observatório do Pico dos Dias utilizando o SQM-L
Desde 2012, a qualidade do céu no OPD está sendo monitorada através de medidas do brilho de fundo do céu. Para tanto, utilizamos um equipamento chamado Sky Quality Meter (SQM-L), produzido pela empresa canadense Unihedron. As medidas são obtidas em unidades de magnitude por área (no caso, segundos de arco ao quadrado). A magnitude é uma medida de brilho cuja escala é invertida: quanto maior o valor, menos brilho, e vice-versa.
E quanto menor o brilho do fundo do céu, mais estrelas podem ser observadas. Do ponto de vista da astronomia profissional, isso significa que em locais escuros os cientistas podem investigar objetos celestes de brilho mais tênue. Se o brilho do céu é elevado por conta da poluição luminosa gerada pela iluminação artificial, de nada adianta investir em telescópios maiores, uma vez que não haverá impacto sobre a ciência que pode ser realizada naquele local. Ou seja, o descontrole no uso da luz artificial implica no subaproveitamento da infraestrutura para a astronomia observacional profissional, que é cara e cujo desenvolvimento sempre traz avanços do ponto de vista tecnológico.
E quanto menor o brilho do fundo do céu, mais estrelas podem ser observadas. Do ponto de vista da astronomia profissional, isso significa que em locais escuros os cientistas podem investigar objetos celestes de brilho mais tênue. Se o brilho do céu é elevado por conta da poluição luminosa gerada pela iluminação artificial, de nada adianta investir em telescópios maiores, uma vez que não haverá impacto sobre a ciência que pode ser realizada naquele local. Ou seja, o descontrole no uso da luz artificial implica no subaproveitamento da infraestrutura para a astronomia observacional profissional, que é cara e cujo desenvolvimento sempre traz avanços do ponto de vista tecnológico.
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| SQM-L, aparelho para medida do brilho do céu, que permite quantificar os prejuízos causados pela poluição luminosa. Produzido pela Unihedron. |
A figura abaixo mostra os dados coletados entre setembro e dezembro de 2012 no Observatório do Pico dos Dias. Até o momento, as medidas têm sido feitas na direção do zênite (ou seja, no ponto que corta a esfera celeste imediatamente acima da cabeça do observador). O brilho do céu médio durante o período foi estimado em 21.16 +/- 0.11 magnitudes por segundos de arco ao quadrado. Esse valor indica que o OPD ainda é um bom local para pesquisas astronômicas, apesar do crescimento acelerado das cidades ao seu redor. A escala de magnitudes é logarítimica e a diferença de uma unidade representa um fator de 100 no fluxo de energia. Assim, mesmo variações de décimos no brilho do céu são muito importantes.
![]() |
| Variação do brilho
do céu no OPD durante as noites, estimada com o SQM-L entre setembro e dezembro de 2012.
Os diferentes símbolos representam medidas feitas na proximidade de cada
um dos três principais telescópios do OPD (B&C, PE e Zeiss).
A flecha indica uma medida onde o fundo do céu estava muito mais claro,
devido à presença da Lua. A escala de magnitude/arcsec^2 é invertida:
quanto maior o número, mais escuro é o fundo do céu. |
O brilho de fundo do céu também varia por questões naturais, como os ciclos de atividade solar e a presença da Lua (como indicado pela flecha na figura acima). Assim, é preciso manter um monitoramento contínuo para compreender as variações naturais do sítio e o impacto da iluminação artificial nos seus arredores e em diferentes escalas de tempo.
Portanto, desde 2012, podemos oferecer informações quantitativas sobre os impactos da poluição luminosa no Observatório do Pico do Dias. Esses dados devem ajudar as cidades nos seus arredores a controlar o desperdício de energia elétrica e a qualidade de sua iluminação.
O objetivo principal deve ser manter a qualidade do céu no ponto em que está e, idealmente, melhorá-la através de ações que levem a um uso mais racional da luz artificial. Experiências em outros sítios astronômicos mundo afora mostram que a recuperação da qualidade do céu em vários décimos de magnitude é possível. Junto com isso vem a melhora da qualidade de vida da população, seja através da economia financeira proveniente de sistemas sustentáveis de iluminação ou da minimização dos impactos da luz articial na saúde humana.
Os dados atualizados do monitoramento devem ser disponibilizados, sempre que possível, por meio deste blog.
Marcadores:monitoramento,OPD,poluição luminosa,SQM-L | 0
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