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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Vamos juntos? Convite para a articulação de uma comunidade nacional em defesa dos céus escuros e pelo uso sustentável da iluminação artificial

A atualização deste blog foi descontinuada porque avançamos um passo adiante: em 2020 foi criada a rede Céus Estrelados do Brasil, uma articulação entre iniciativas interdisciplinares e democráticas para a mobilização pelo combate à poluição luminosa no país.

 


 

Para participar da CEB, preencha o formulário neste link.






sexta-feira, 10 de maio de 2019

Vamos conversar sobre poluição luminosa no Pint of Science - São Paulo?



O Pint of Science é um festival de divulgação científica de alcance global que teve origem na Inglaterra, em 2012. A ideia é levar cientistas para falarem dos seus trabalhos em bares, de forma descontraída. No Brasil, a fórmula é tão bem sucedida que serão 87 cidades participantes na edição 2019, o que significa que a participação brasileira é a maior entre 24 países!

A edição 2019 ocorrerá nos dias 20, 21 e 22 de maio. É possível ver a programação completa, por cidade, no site do evento no Brasil.

Em particular, participarei do Pint of Science - São Paulo no dia 21 de maio para conversar com as pessoas sobre poluição luminosa! O evento acontecerá no Delirium Café, localizado na Rua Ferreira de Araújo, 589 - Pinheiros, São Paulo (telefone: 11 2495-2225), a partir das 19h. A estação de metrô mais próxima é a Faria Lima. Programe-se! Minha modesta opinião é que a noite será imperdível...


Cientistas participantes do Pint of Sience São Paulo no dia 21 de maio de 2019. Veja os detalhes aqui.


A atividade é chamada de "Rodízio de Ciências". Neste formato, dez cientistas de diferentes áreas estarão circulando entre as mesas e conversando por dez minutos com a pessoas em cada uma delas. É uma oportunidade incrível de, em uma mesma noite, ter contato próximo com especialistas em áreas tão diversas como vacinas, aranhas e física quântica. Entre os convidados da noite está, por exemplo, o Prof. Dr. Paulo Artaxo (IF/USP), referência internacional em mudanças climáticas. 


A entrada é gratuita mas os lugares são limitados, por isso é necessário obter um ingresso através deste link. Não perca a oportunidade!

Atualização (16/05): estou feliz de informar que os ingressos já esgotaram!

O "Rodízio de Ciências" está sendo organizado pelas iniciativas de divulgação científica Via Saber e Nunca vi 1 Cientista, às quais agradeço o convite.



Durante este ano, todas as minhas atividades relacionadas à poluição luminosa estão sendo realizadas também no contexto do projeto global "Dark Skies for all", promovido pela União Astronômica Internacional e do qual sou embaixadora.



domingo, 7 de abril de 2019

Museu do Cárcere: um exemplo do uso desnecessário de iluminação decorativa #IDSW2019



Hoje, dia 7 de abril, é o último dia da Semana Internacional dos Céus Escuros 2019, cujas postagens nas redes sociais estão identificadas pela hashtag #IDSW2019. Escrevi um pouco sobre a origem da semana neste post do ano passado.

Deixei minha colaboração para o último dia sobretudo devido à relutância sobre escrever ou não acerca de um post no Facebook que causou-me extrema tristeza: a nova iluminação exterior do Museu do Cárcere, integrante e sede do Ecomuseu Ilha Grande, instalado na Vila Dois Rios (Ilha Grande, RJ). Como não tive retorno com meu comentário lá, concluí que seria válido registrar aqui.

A Ilha Grande é um santuário natural, mantido relativamente bem preservado ao longo da história devido ao seu uso como ponto estratégico, por exemplo, na chegada de embarcações ao Brasil e para o isolamento carcerário. Quase todo o território possui algum tipo de proteção legal através de suas quatro unidades de conservação ambiental (Parque Estadual da Ilha Grande, Marinho do Aventureiro, Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e Área de Proteção Ambiental de Tamoios). Em particular, o arquipélago de Ilha Grande está incluído na área da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO. As atividades predominantes na Ilha são o turismo, a pesca e o uso para pesquisas científicas na área ambiental.

É na Vila Dois Rios que ficava o presídio pelo qual a Ilha era conhecida até a década de 1990 e que deu origem ao Museu do Cárcere após sua desativação e demolição parcial. Hoje a área pertence à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que mantém ali o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (CEADS), além do Ecomuseu.

A Vila só pode ser acessada a pé, após cerca de três horas de caminhada (aproximadamente 9 km). O único veículo que ali transita é o ônibus da UERJ, que transporta - exclusivamente e em horários pré-estabelecidos -, os moradores, servidores e estudantes da universidade a partir e para a Vila do Abraão, principal bairro de Ilha Grande. Cerca de 150 pessoas vivem na Vila Dois Rios, entre pescadores e servidores da UERJ.

Em 2015, fui convidada pelos colegas do CEADS para conhecer o local e ajudar a pensar ações para proteger a região da poluição luminosa e de todos os seus bem conhecidos impactos ambientais. Foi uma experiência fascinante que, apesar das dificuldades enfrentadas para estabelecer colaborações a longo prazo e obter recursos financeiros, resultou em uma série de oportunidades. Graças ao contato que estabeleci com a então arte-educadora do Ecomuseu, Angélica Liaño, escrevi dois artigos para o jornal local O Eco, que podem ser acessados aqui e aqui. Também obtive informações que foram fundamentais para um artigo científico.


Imagine então a minha tristeza ao encontrar recentemente no Facebook o post reproduzido abaixo...


 Além de continuar iluminado de baixo para cima, agora ainda há variação de cores... para uma Vila de cerca de 150 moradores em área de proteção ambiental. Captura de tela de post do Facebook do Ecomuseu Ilha Grande


Os moradores da Vila gostaram, acharam bonito? Não duvido. Mas eles sabem que estão afetando a vida natural da região? Foram informados de que a iluminação decorativa atrai insetos e outros animais comprometendo diversos ciclos biológicos? Sabem que o aumento de iluminação artificial abala o ciclo circadiano inclusive dos humanos? É isso que os moradores desejam? Faz sentido um local onde está instalado um centro de estudos sobre desenvolvimento sustentável interferir no meio ambiente desta maneira?

Entre proteger a vida na Vila e olhar um prédio colorido à noite, qual seria a escolha dos moradores e pesquisadores em missão científica?

Qual o limite para um Ecomuseu alterar o território do qual ele é constituído?

Os pesquisadores do CEADS foram consultados em relação a criação de possíveis vieses em suas pesquisas, especialmente para aqueles que trabalham com animais como morcegos, insetos e sapos?


Em um dos textos para O Eco (Poluição Luminosa e a Ilha Grande) está a imagem abaixo, que mostra a então iluminação de fachada do Museu do Cárcere. Na época, a minha recomendação era de iluminar de cima para baixo se a iluminação fosse realmente indispensável. Caso contrário, deveria iluminar penas a calçada por onde as pessoas transitam. Qualquer ponto de iluminação deve ser pensado seguindo critérios como: é necessário? Qual a área a ser iluminada? Qual o rendimento de cor necessário para essa área? Em que momentos/horários a iluminação precisa ser acionada? A resposta a questões como essas determinam o tipo de luminária, o tipo de lâmpada e a operação do ponto de iluminação. Se ele for necessário...


Refletor utilizado para iluminação da fachada do Museu do Cárcere em 2015. Luminárias como esta devem sempre ser utilizadas de baixo para cima.


Sou uma astrofísica que trabalha em um Museu. Assim, também questiono de que modo a iluminação colorida do Museu do Cárcere colabora para o atendimento da função daquela instituição enquanto museu. Em particular, entendo que o Ecomuseu deveria colaborar para a conservação do patrimônio natural do seu território. Espero que os colegas do Museu do Cárcere e do Ecomuseu Ilha Grande levem em consideração os pontos aqui colocados e revertam a decisão de utilizar luz artificial meramente decorativa em uma área de proteção natural. Estou à disposição para ajudar no que for possível.


Aproveitando o post, coloco abaixo algumas imagens feitas em 2015 em Dois Rios mostrando os problemas da iluminação artificial instalada nos arredores. Espero sempre poder colaborar com a UERJ no desafio de proteger e estudar um local tão repleto de história e riquezas naturais como é a Vila Dois Rios!


O brilho alaranjado é a iluminação mal instalada da Vila do Abraão vista da Praia de Dois Rios. A luz é desnecessariamente direcionada para o céu.



Nesta fotografia, feita a partir da Praia de Dois Rios, é possível o avaliar a iluminação do CEADS (à esquerda) que além de direcionar a luz para cima pelo uso de luminárias tipo globo, é excessivamente branca pela aplicação predominante de lâmpadas de mercúrio de baixa pressão. À direita do CEADS, o brilho alaranjado proveniente da Vila Dois Rios.



A constelação de Órion fotografada nos arredores do CEADS. O verde das árvores foi realçado com light painting por cerca de três segundos, utilizando uma lanterna de mão absolutamente inofensiva para o meio ambiente.


As minhas fotos definitivamente não refletem a beleza da praia e Vila Dois Rios. Felizmente, Tunc Tenzel, produziu a bela imagem abaixo!


O céu da praia de Dois Rios, fotografado por Tunc Tezel. Veja também a imagem na sua página original. Outras fotos de Tunc Tezel e Babak A. Tafreshi na Ilha Grande podem ser vistas aqui.





segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O ano é 2218...


2018 foi um ano de derrotas e decepção até mesmo com pessoas muito próximas. Buscar a conscientização sobre a poluição luminosa pareceu um tanto sem sentido nesse cenário, em que muitos (muitos mesmo...) declararam explicitamente o desejo de assassinar, torturar, exilar pessoas tão perigosas como... professores, artistas, cientistas... . Declararam considerar o conhecimento científico como questão "de opinião" e, como resultado, foi eleito um negacionista do aquecimento global para a presidência. Desolador.

Falar sobre poluição luminosa implica em uma conversa que frequentemente demanda um olhar delicado sobre a natureza e de muita autocrítica em relação à ação humana no planeta. Autocrítica? Cada vez mais rara no Brasil de 2018.

Porém, desanimamos, mas não desistimos... Como reflexão neste fim/início de ano, compartilho uma experiência realizada durante uma Star Party* no Grand Canyon National Park, um santuário de céus escuros nos EUA.

Naquela ocasião, um tocador de fita cassete, daqueles bem antigos, foi deixado sobre uma mesa durante a noite, sob o céu estrelado. Em um cartaz próximo, encontrava-se a seguinte mensagem:

"Prezado visitante,

O ano é 2218. O mundo não pode mais ver as estrelas por causa da poluição luminosa global.
Você foi enviado de volta ao passado para este santuário de céus escuros.
Olhe para as estrelas.
O que você vê? O que você sente?
Qual é a sua mensagem para o futuro?"


O vídeo abaixo, intitulado "Night Spoken" (Noite Falada), mostra uma coleção de respostas. Está em inglês mas lembre-se que é possível colocar legendas em português.





Qual seria a sua mensagem para o futuro? Como explicar para quem nunca viu estrelas e, especialmente, um céu preservado, a experiência de estar à noite em um lugar distante das luzes artificiais? E como explicar que escolhemos interferir no ritmo biológico de milhões de especies animais e vegetais, incluindo o próprio ser humano, apenas para alimentar o crescente vício em luzes artificiais absolutamente desnecessárias para o nosso bem-estar?

As escolhas estão sendo feitas, assim que é adequado pensar em como explicá-las para as futuras gerações...



*Star Parties são eventos em que as pessoas se reúnem para observar o céu, trazendo seus próprios equipamentos de observação para compartilhar. São bastante frequentes nos EUA, onde há uma significativa comunidade de astrônomos amadores com acesso a bons equipamentos.

sábado, 21 de abril de 2018

Estamos na Semana Internacional dos Céus Escuros 2018! Conheça um pouco do meu trabalho na área #IDSW2018


Estamos encerrando a Semana Internacional dos Céus Escuros 2018 (International Dark Sky Week, IDSW2018). Esta é uma iniciativa iniciada em 2003 por uma estudante norte americana, Jennifer Barlow.

 O objetivo é chamar a atenção para os problemas causados pela poluição luminosa e promover iniciativas simples para minimizá-la. A International Dark Sky Association criou uma página com recursos de sensibilização que podem ser utilizados durante estes dias. Também é possível acompanhar a campanha nas redes sociais, seguindo a hashtag #IDSW2018. O tema deste ano é "Acenda a noite" (Turn on the night).




O blog anda parado, mas não as atividades... Aproveito a IDSW2018 para disponibilizar aqui os artigos que publicamos recentemente sobre poluição luminosa.


Neste trabalho, mostramos como a observação do céu noturno sempre teve importância vital para o desenvolvimento da Humanidade, seja do ponto de vista científico, filosófico ou como inspiração artística. No entanto, a visão das estrelas está em risco: o descontrole no uso da iluminação artificial, provocando a  poluição luminosa, tem feito com que boa parte da população mundial fique  impossibilitada de apreciar um céu estrelado. Deste modo, também se limita a capacidade de compreender a ciência, o processo de construção do conhecimento e as obras culturais inspiradas pela visão do firmamento. A luz artificial inadequadamente utilizada também altera o ciclo natural de vida das plantas e animais, lesando o patrimônio natural. Analisamos os instrumentos legais e certificações existentes para assegurar a proteção da qualidade do céu e de sua visão enquanto parte integrante do patrimônio humano, natural ou cultural. Pretende-se demonstrar que, ainda que o céu noturno não esteja por si só formalmente reconhecido em diversas instâncias oficiais enquanto patrimônio, ele já deveria estar sendo resguardado por fazer parte de sítios e saberes registrados, tombados ou candidatos a procedimentos de conservação e proteção no contexto internacional ou nacional.
Tendo em vista a dificuldade para a articulação de legislações ou regulamentações de controle da iluminação artificial junto ao poder público, a abordagem referente à proteção do patrimônio - natural e/ou cultural, tangível ou intangível, que remete à presença da luz das estrelas - fortalece a demanda, uma vez que pode vir a obrigar a ações urgentes para preservar o nosso acesso à observação do Universo. Como exemplo, ressaltamos a pertinência de procurar proteger dois locais no território brasileiro potencializados pela possibilidade da observação do céu noturno: o Saco do Céu (Ilha Grande, RJ) e o Observatório do Pico dos Dias (Brazópolis, MG).

Neste artigo, ressaltamos a existência de uma lacuna em termos de reconhecimento e proteção a uma certa tipologia de patrimônio no território brasileiro: o astronômico, cujos elementos frequentemente só podem ser devidamente compreendidos sob a luz das estrelas. A mobilização internacional em torno do tema tem sido facilitada por um trabalho conjunto do ICOMOS e da União Astronômica Internacional (UAI/IAU), iniciado em 2004. Assim, argumentamos que é urgente a articulação nacional em torno da identificação sistemática do patrimônio astronômico brasileiro e a discussão coordenada sobre os mecanismos para a sua devida proteção.


Como sempre, estamos disponíveis para esclarecer quaisquer dúvidas e para discussões. Boa leitura e bom final de IDSW2018!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O Público, Jornal de Portugal, publica série de textos sobre poluição luminosa


No dia 3 de setembro, o jornal Público (Portugal) publicou uma série especial de textos sobre poluição luminosa, escritos majoritariamente pelo Dr. Raul Cerveira Lima. Raul trabalha no tema, é astrofísico, com doutorado em Engenharia Física e pesquisador da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto.

É preciso destacar o espaço disponibilizado ao tema por um jornal de grande circulação nacional, além da qualidade dos textos, que têm potencial para se tornar importante ferramenta para quem se dedica à conscientização pública sobre a poluição luminosa em países de língua portuguesa. Assim, divulgo e registro aqui os links. Boa leitura e compartilhe!

  • Poluição luminosa - Deixar a noite ser noite (Raul Cerveira Lima)
  • A poluição luminosa é a de que menos se fala sendo, até por definição, a mais visível. A “revolução” tecnológica dos LED, que poderia ser uma oportunidade para iluminar menos mas controlar a poluição luminosa, está a transformar-se num erro. O investigador Raul Cerveira Lima explica porquê.

  • Efeitos da poluição luminosa - Dos impactos na saúde do ser humano e na economia às consequências da poluição luminosa na fauna e flora do planeta (Raul Cerveira Lima)

  • O que podem fazer municípios, associações e cidadãos (Raul Cerveira Lima)

  • Dez candeeiros valem por dez polícias? Em Portugal não há legislação nem cidade que tenha limites à poluição luminosa (Cristiana Faria Moreira) 

  • Onde ver um céu nocturno de qualidade [em Portugal...] (Raul Cerveira Lima)
  • Não existe em Portugal Continental nenhum local onde o céu nocturno esteja totalmente livre de poluição luminosa, mas há locais onde o céu tem boa qualidade.

  • Infográfico - Como temos vindo a perder céu natural nocturno (Francisco Lopes)
  • O mais recente Atlas do brilho artificial do céu oferece uma panorâmica da perda do céu natural nocturno no globo. O excesso de iluminação, quer por uso indiscriminado de luz e de fluxos elevados, quer pela reflexão no solo, provoca a degradação do céu escuro a uma escala sem precedentes.




    Imagem do infográfico sobre poluição luminosa publicado no Público de Portugal. Clique nas imagens para ampliar ou clique aqui para ir à página original (altamente recomendado). 


    Update! Em 8 se setembro, o jornalista António Guerreiro escreveu uma reflexão em sua coluna no Público intitulada "A tirania da luz". O texto foi provocado pelo artigo de Raul Lima. António nos aponta, por exemplo, que "impedir que a noite seja noite tem sido o desígnio alcançado com grande eficiência pelo capitalismo contemporâneo". Não deixe de ler! Apenas uma correção histórica se faz necessária: foram os astrônomos, no começo do século XX, que começaram a chamar a atenção para a poluição luminosa, e não Pasolini, na década de 1970, como coloca Guerreiro.


    quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

    Lost in Light I e II - Agora você vai ver o que está perdendo com a poluição luminosa


    Ter a experiência de observar um céu estrelado realmente livre de poluição luminosa é algo cada vez mais raro. A maioria das pessoas nunca viu a Via Láctea a olho nu e fica sem referências para entender o impacto da iluminação artificial mal utilizada.

    O trabalho de Sriram Murali está ajudando as pessoas a verem o que elas estão perdendo! Em seus vídeos "Lost in Light" e "Lost in Light II", o fotógrafo mostra uma sequência de timelapses obtidos em locais com diferentes níveis de poluição luminosa, desde o ambiente urbano até aquele totalmente livre da interferência da iluminação artificial.

    O primeiro vídeo foi disponibilizado no ano passado e concentra-se na visão da Via Láctea. O segundo, recém-lançado, mostra imagens na direção da constelação de Orion. Isso porque ela é muito mais facilmente reconhecida pelas pessoas, e daí fica mais fácil perceber as diferenças entre as paisagens expostas à poluição luminosa e as que estão preservadas.

    Assista aos vídeos abaixo e surpreenda-se com a beleza do céu noturno!





    Realmente não me lembro se cheguei a compartilhar o primeiro vídeo no blog anteriormente. De qualquer modo, vale assistir novamente!

    Não deixe de conhecer mais sobre o trabalho de Sriram Murali em sua página oficial.

    Via International Dark Sky Association.


    sábado, 31 de dezembro de 2016

    Uma campanha ambientalmente nociva para encerrar 2016 - promovida pelo Banco do Brasil!


    2016 não foi um ano fácil... Diversos avanços obtidos nas últimas décadas - e dados como garantidos - foram sacrificados. E não só no Brasil. Com as bases abaladas, ficou difícil ter alguma visão de futuro.

    Ironicamente, a campanha de final de ano do Banco do Brasil soa perfeita neste cenário: é uma "árvore de luz" formada por canhões de luz Xenon que podem alcançar até 5 km de altura, instalada no edifício do Banco do Brasil em Brasília e em São Paulo, na Avenida Paulista. Além do óbvio desperdício de energia elétrica (que é você quem paga, contribuinte...), a "comemoração" é uma arma mortal para várias espécies e, em maior grau, para pássaros e insetos.

    A mortal "comemoração" de fim de ano do Banco do Brasil, em Brasília. Imagem do Correio Braziliense.


    A tal "árvore", que assombrará os céus de Brasília e São Paulo até 9 de janeiro de 2017, responde às mensagens enviadas pelo público através da internet ficando mais iluminada quando é utilizada certa hashtag. Por favor, não participe...

    A instalação, produzida por Marcello Dantas, não é nada original e copia as colunas de luz criadas em Nova Iorque em 2010 para lembrar as vidas perdidas nos ataques ao World Trade Center. Aquele evento acabou se tornando uma tragédia ambiental, na qual estima-se que mais de 10 mil pássaros tenham sido afetados.

    "Tribute in lights" em Nova Iorque para lembrar as vítimas do ataque ao World Trade Center. A instalação chegou a ser desligada ao perceberem que estava atraindo pássaros. Imagem de Dima Gravrysh, obtida em matéria da ABC.


    Várias espécies de pássaros migram durante a noite, orientadas pelas constelações e a luz da Lua. No entanto, os pássaros são confundidos pela iluminação dos prédios e acabam por colidir com eles. Estima-se que, apenas na America do Norte, 100 milhões de pássaros são mortos todos os anos em colisões com prédios. Imagine então o que acontece quando eles se deparam com colunas de luz de 5 km de altura!

    Amostra de pássaros mortos em colisões com prédios. Imagem de Kenneth Herdy, da organização canadense Fatal Light Awareness Program (FLAP). 


    No caso da homenagem nos EUA, as pessoas começaram a perceber "traços brancos" inesperados nos feixes de luz. Descobriram se tratar de pássaros que, confusos, rodopiavam até caírem exaustos. Na imagem abaixo e à esquerda, é possível ver os pássaros no feixe de luz do "Tribute in lights". A imagem à direita foi obtida no totem de divulgação da campanha do Banco do Brasil no seu centro cultural do Rio de Janeiro (CCBB). Note a presença dos mesmos "traços brancos". Ou seja, a "árvore de luz" do Banco do Brasil, além de produzir poluição luminosa com todos os impactos  nocivos amplamente discutidos neste blog, é uma armadilha mortal para passarinhos.


    À esquerda: feixe de luzes do "Tribute in lights" em Nova Iorque (imagem: Jay Smooth, na página da FLAP). À direita, "árvore de luz" sobre o edifício do Banco do Brasil em Brasília. Nos dois casos, os "traços brancos" são pássaros confundidos pela presença das luzes.


    Enfim, a última esperança é que as pessoas se recusem a participar da campanha e, idealmente, que reajam com o devido assombro contra este premeditado e supérfluo desastre ambiental financiado com o dinheiro público.


    "Árvore de luz" no interior do Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro. Em ambiente fechado, suficientemente bonita e sem maiores impactos ambientais. Não seria o suficiente para marcar o final do ano?


    Depois do "encerramento perfeito" para 2016 promovido pelo Banco do Brasil, desejo que 2017 seja um ano iluminado - com racionalidade e sem produção de poluição luminosa - para todos nós.


    Para saber mais:



    segunda-feira, 9 de maio de 2016

    Duas histórias em vídeo para ajudar a divulgar o problema da poluição luminosa


    A poluição luminosa afeta negativamente diversos aspectos de nossas vidas. É preciso conscientizar as pessoas a respeito, inclusive porque este tipo de poluição pode ser até reversível, caso boas práticas no uso da iluminação artificial sejam adotadas. Isso é o que este blog e organizações diversas tentam divulgar a fim de conquistar a adesão da população.

    E se tem algo que funciona para conquistar a empatia do público, é contar uma boa história! Os dois vídeos abaixo, muito bem produzidos, seguem esta linha.

    "O dia que as luzes se apagaram" (The day the lights went out) foi criado para divulgar um concurso de imagens do céu noturno promovido em 2014, nos Estados Unidos. Conta de modo poético a história de um pintor que alcançou o sucesso pintando o céu noturno mas, com o aumento da poluição luminosa, perde a inspiração e a fama. Até que ele mesmo provoca acidentalmente um blackout e se reencontra com a visão das estrelas! Veja o filme abaixo. Está em inglês, mas é possível colocar legendas traduzidas para o português.




    Já a animação "O terrível poluidor de iluminação" (triste tentativa de traduzir para português o título original em espanhol: El terrible contaminador lumínico) foi produzida pelo Instituto de Astrofísica de Andalucia (IAA). Fala de uma comunidade habituada a conviver à luz das estrelas. Até que uma pessoa estranha chega ao local dizendo que a escuridão era perigosa e que ela não deveria ocupar quase metade do dia! Luzes artificiais foram então instaladas de modo a matar a noite e a visão das estrelas. Algum tempo depois, a comunidade vivia entristecida e sem lembrar da existência das estrelas. Aqueles que não conheceram o céu noturno, intuíam que algo muito precioso estava sendo perdido.

    E não é assim com as últimas gerações, que crescem nas zonas urbanas sem ter oportunidade de ver a Via Láctea a olho nu? Veja o vídeo abaixo, com narração em espanhol e possibilidade de colocar legendas automaticamente (mal) traduzidas em português.







    domingo, 13 de março de 2016

    Iluminação noturna baseada em bactérias bioluminescentes? É o que propõe uma empresa francesa


    A bioluminescência é o fenômeno de produção de luz por seres vivos, resultante de reações químicas. O exemplo mais conhecido é, certamente, a luz emitida pelos vaga-lumes. Mas a bioluminescência ocorre em muitos outros organismos, tais como algas, moluscos, peixes e crustáceos.

    Uma starup francesa, a Glowee, está propondo a utilização de bactérias bioluminescentes como fonte de iluminação noturna. A vantagem seria o consumo nulo de energia elétrica e a não geração de poluição luminosa, segundo a visão do grupo de jovens empreendedores. A ideia da tecnologia proposta pela Glowee nasceu em um concurso universitário e seu desenvolvimento inicial foi possível graças a uma ação de financiamento coletivo.

    A Glowee cultiva as bactérias bioluminescentes Aliivibrio fischeri, extraídas de lulas, em um suporte transparente que pode ser criado em qualquer formato. No interior do suporte é inserido um gel com nutrientes para a manutenção da vida daquelas bactérias. A iluminação só é percebida durante a noite (ou no escuro, claro), com o suporte permanecendo transparente durante o dia. É o que ilustra a figura abaixo.

    Durante o dia, o produto criado pela Glowee permanece transparente. Durante a noite, observa-se a luz produzida pelas bactérias. Captura de tela de um dos vídeos de divulgação do projeto (assista no final deste post).


    O maior problema da nova tecnologia, do ponto de vista de sua viabilidade comercial, é o tempo de vida. O primeiro produto oferecido pela companhia é uma fonte de luz que dura três dias. Pesquisas estão sendo realizadas para aumentar a duração da fonte de luz. Até 2017, a expectativa é que a o produto forneça luz ao menos por um mês, o que o tornaria competitivo para a iluminação de vitrines nas lojas de rua, por exemplo. As bactérias estariam sendo geneticamente modificadas para aumentar o seu brilho e a sobrevivência em caso de maiores variações de temperatura.

    Um dos incentivos para investir nesta nova tecnologia de iluminação é a legislação em vigor desde 2013 na França, que limita o uso da luz artificial durante a noite, exigindo que vitrines e prédios comerciais de maneira geral desliguem suas luzes externas a partir da 1:00 h da madrugada para economizar energia elétrica e diminuir a poluição luminosa. O produto da Glowee seria uma maneira de burlar a lei. Mas, por qual razão, se a legislação francesa estabelece o óbvio: luzes desligadas quando e onde não há circulação de pessoas?

    Concepção artística das possibilidades de utilização da nova tecnologia. A luz bioluminescente seria usada para sinalização pública, iluminação de propagandas, vitrines e decoração de prédios. Imagens de divulgação, obtidas na página da Glowee.


    A nova tecnologia serviria como opção sustentável para manter as cidades seguras e sustentáveis ou só seria uma maneira para continuar utilizando a luz inutilmente? Mesmo sem gastar energia elétrica, a fonte de luz continuaria impactando no ciclo circadiano humano, dos insetos, das aves, das plantas... Para manipular qualquer forma de vida e condicioná-la a viver fora daquele que seria o seu ciclo natural, tal como esta sendo feito com as bactérias bioluminescentes, é preciso uma necessidade real. Não deveria bastar o capricho humano... Os próximos anos saberemos se há, de fato, um nicho de mercado para esta nova forma de iluminar.

    A utilização de sensores de presença para acionamento de luzes, o investimento em desenvolver matrizes energéticas variadas e sustentáveis, a utilização de filtros em lâmpadas LED, ou a criação destas lâmpadas simulando o rendimento de cor das lâmpadas de vapor de sódio: estes parecem ser caminhos mais razoáveis para criar um sistema de iluminação racionalizado, que minimize a poluição luminosa e os impactos da luz artificial no meio ambiente.

    Assista abaixo aos vídeos de apresentação da Glowee (o primeiro em inglês; o segundo em francês, com legendas em inglês).





    Update em 25/03/2016: A bioluminescência tem papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas e esta é uma das razões pela qual pode ser questionável manipular bactérias para que elas produzam luz visando satisfazer nosso anseio por iluminação decorativa.  Os vaga-lumes, por exemplo, possuem toda uma rede de comunicação entre si baseada no padrão de suas luzes. O vídeo abaixo, produzido por Harun Mehmedinović, traz um belo exemplo. Ele mostra o registro das luzes sincronizadas durante a temporada de reprodução da espécie Photinus carolinus, que ocorre entre maio e junho no Hemisfério Norte. As imagens foram feitas em Elkmont, cidade abandonada no território do Parque Nacional Great Smoky Mountains, nos Estados Unidos.




    Fontes:

    domingo, 6 de março de 2016

    Começou a campanha "Globe at Night" de 2016, participe!


    O Globe at Night é um projeto de ciência cidadã que conta com a contribuição da população para estimar os impactos da iluminação artificial em todo o planeta. Para cada época do ano e cada Hemisfério (Sul ou Norte), uma constelação de fácil identificação é escolhida como referência. É muito simples participar: basta contar quantas estrelas você consegue observar naquela dada área do céu e registrar suas observações no formulário próprio. São oferecidas instruções em 28 idiomas, inclusive em português. Explicações detalhadas de como executar as observações e preencher o formulário podem ser encontradas neste post.

    As duas primeiras campanhas de 2016 foram realizadas entre 1 e 10 de janeiro e fevereiro. O fato é que em boa parte do Brasil, devido às chuvas de verão, é mesmo difícil termos noites de céu aberto especialmente entre novembro e fevereiro... Com o início do tempo seco, teremos mais oportunidades de participar! Vamos às datas e constelações das próximas observações para a campanha 2016:

    • Cruzeiro do Sul - 1o a 10 de março; 30 de março a 8 de abril; 29 de abril a 8 de maio; 29 de maio a 7 de junho;
    • Escorpião - 27 de junho a 6 de julho;
    • Sagitário - 28 de julho a 6 de agosto; 25 de agosto a 2 de setembro;
    • Grou - 21 a 31 de outubro; 20 a 30 de novembro;
    • Órion - 20 a 30 de dezembro.

    Lembrando que as observações devem ser feitas sempre entre 20 e 22:00 h!

    Atenção às datas de observação para a campanha Globe at Night 2016! Imagem obtida da página do projeto.

    Resultados da campanha 2015, incluindo 23 mil observações obtidas por pessoas de 103 países. Note como participamos pouco no Brasil e ajude a mudar esta situação! Imagem obtida da página do projeto.


    Esta mobilização mundial para acompanhamento a longo prazo das alterações no meio ambiente causadas pela poluição luminosa é essencial. Particularmente neste momento crítico, em que muitas cidades estão adotando a iluminação LED que, apesar de extremamente econômica do ponto de vista do consumo energético e manutenção, possui um rendimento de cor que pode trazer severas consequências negativas para a vida no planeta.

    As medidas realizadas através dos aplicativos para celular Dark Sky Meter (iOS) e Loss of the Night (Android e iOS) também são incluídas na base de dados do Globe at Night. Aproveite e use o seu celular para ajudar a monitorar a poluição luminosa em todo o planeta!

    Você pode acompanhar a evolução das observações através do mapa interativo, disponível neste link.


    segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

    "A cidade mais iluminada do mundo"


    O título desta postagem também é também a frase utilizada nos mecanismos de busca que mais direciona novos leitores a este pretensioso blog. Em particular, a busca tem levado ao post sobre o trabalho da fotógrafa Christina Seely, que registrou cenários noturnos nas 45 cidades mais brilhantes do planeta, selecionadas através de imagens da Terra obtidas do espaço.

    Mas o leitor quer saber: dentre todas, qual é considerada a "cidade mais iluminada do mundo"? A resposta para a pergunta é: Hong Kong, na China. E, claro, ser a mais iluminada significa também ser aquela mais contaminada pela poluição luminosa.

    Vista noturna de Hong Kong, considerada a cidade com maior poluição luminosa do planeta. Imagem retirada da Wikipedia e de autoria de Base64 (Own work, CC BY-SA 3.0)

    Existia resistência em se discutir a questão e ela começou a ser vencida a partir de 2008, quando uma série de pesquisas indicaram, por exemplo, que o céu em Hong Kong chega a ser mil vezes mais brilhante do que em locais com o céu preservado da poluição luminosa. A situação é dramática não apenas nas áreas comerciais: as regiões mais periféricas também apresentam brilho do céu extremamente alterado em relação ao que seria o ambiente natural. Como é sempre discutido neste blog, além de nos afastar da visão das estrelas, a poluição luminosa tem severos impactos sobre o meio ambiente, a economia e a saúde humana. Por isso a situação drástica de Hong Kong precisa ser controlada e a cidade ainda não tem nenhuma legislação para isso. O mais preocupante é que ela não a terá tão cedo...

    Em 2011, o governo criou uma força-tarefa para propor soluções de controle da poluição luminosa que levassem em conta a viabilidade para o comércio, a segurança, a percepção dos moradores e o impacto no turismo. Por sua vez, esta equipe realizou pesquisas junto à população e promoveu sessões de consultas públicas. Em 2015, na impossibilidade de chegar a um consenso, foi sugerido um esquema de voluntariado. Assim, a partir de uma série de orientações para boas práticas em iluminação externa, espera-se que a adesão ao combate à poluição luminosa seja feita de modo espontâneo por instituições privadas e públicas. A solução apontada obviamente desaponta pesquisadores e ativistas ambientais, porém as pesquisas de opinião e consultas públicas parecem ter indicado um ambiente desfavorável para a implantação de ações mais efetivas, prevendo punição para os excessos. Principalmente os comerciantes resistem à ideia de limitar a iluminação de suas fachadas e prédios, temendo descaracterizar o que seria um dos principais atrativos turísticos da cidade: justamente o ambiente externo ultra iluminado.


    Charge ironizando o trabalho da força tarefa criada para buscar soluções para a poluição luminosa em Hong Kong que, não tendo sucesso em apresentar soluções que acolhessem a todos os interesses, propôs que a adesão ao combate à poluição luminosa seja voluntário. Charge de Harry Harrison (Harry’s View).


    A força-tarefa não excluiu a possibilidade de que leis para o controle da poluição luminosa sejam criadas no futuro, mas por pelo menos dois anos a partir de 2015 o foco deve ser no incentivo para a adesão espontânea ao uso racional da luz. A posição conservadora vai na contramão do que vem acontecendo em outros países e cidades, cada vez mais preocupados em criar ferramentas legais que ajudem a combater os problemas causados pela poluição luminosa. Assim, a perspectiva é que Hong Kong permaneça sendo por muito tempo "a cidade mais iluminada do mundo".

    As pesquisas sobre a poluição luminosa na região são crescentes e, em particular, existe uma rede de monitoramento do brilho do céu em Hong Kong, cuja página disponibiliza o monitoramento em tempo real, além de informações para a conscientização sobre poluição luminosa e seus diversos malefícios.

    Surpreendentemente, o local de pior iluminação em toda Hong Kong é o museu de astronomia e ciências espaciais! Como pode ser visto na imagem reproduzida acima, a área do museu é 1200 vezes mais brilhante do que deveria!


    Referências e informações adicionais:



    terça-feira, 20 de outubro de 2015

    Teve blogagem coletiva na Semana Nacional de C&T 2015!



    A Semana Nacional de C&T (SNCT) deste ano ocorreu entre os dias 19 e 25/10. Foi a 12o edição do evento criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com o objetivo de aproximar o público dos conhecimentos e novos desenvolvimentos da área. Este ano o tema foi "Luz, ciência e Vida", refletindo o fato de que 2015 foi declarado pela UNESCO o Ano Internacional da Luz (IYL2015, do inglês).

    Por sua vez, Poluição luminosa é um dos principais temas do IYL2015, que destaca a luz no ambiente construído pelo homem e - através da iniciativa "Luz Cósmica" da IAU -, a preservação de céus escuros para a observação celeste. Ou seja, trabalhamos desde sempre com o tema da SNCT2015!



    No começo do ano, o Roberto Takata, autor do Gene Repórter, cadastrou blogs interessados em participar de uma ação coletiva durante a SNCT2015, a pedido do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que divulgou a iniciativa em alguns de seus canais de comunicação: SNCT 2015 - Blogagem coletiva divulga tema “Luz, ciência e vida”. Ao menos dez blogs divulgaram textos relacionados à luz durante a semana, viabilizando a blogagem coletiva.

    Veja abaixo os links dos textos publicados nos blogs participantes:


    Como podemos notar, vários textos falaram sobre a importância do ciclo circadiano e, de maneira direta ou indireta, de poluição luminosa.

    Agradecimentos ao Roberto Takata por todo o trabalho de organização da blogagem coletiva!


    Nas redes sociais, as atividades da semana foram indexadas principalmente com as hashtags #sintonizeciência e #SNCT2015.

    Veja abaixo o vídeo oficial de divulgação da SNCT2015.




    domingo, 27 de setembro de 2015

    Os perigos da poluição luminosa - reportagem da DW


    É muito raro encontrar boas matérias em português sobre poluição luminosa. O vídeo abaixo é uma importante exceção e foi produzido pela agência alemã Deutsche Welle (DW), para a sua programação voltada ao público brasileiro.

    A reportagem, de Maurício Cancilieri e Ceci Leal, é bastante completa: explica o que é poluição luminosa, seus impactos, mostra soluções de iluminação e pesquisas para evitar aumentar o problema. E tudo isso em menos de cinco minutos! Não deixe de ver!





    A reportagem foi feita para o o programa Futurando, transmitido em emissoras públicas brasileiras parceiras da DW. Todas as edições também podem ser assistidas diretamente da página da DW.

    O Futurando também fez uma matéria interessante sobre novas tecnologias para evitar o ofuscamento por faróis de carro (sim, isto também é poluição luminosa...): Tecnologia "Matrix" revoluciona faróis de carros.




    quinta-feira, 24 de setembro de 2015

    Evitando gerar Poluição Luminosa, parte 2: A instalação de luminárias e projetores


    Esta é a segunda postagem de uma série que pretende oferecer informações práticas de como podemos evitar gerar poluição luminosa e até reverter a situação, recuperando um ambiente noturno mais saudável, menos nocivo ao meio ambiente e que ainda permita ver estrelas!

    A primeira postagem foi sobre a escolha de luminárias. Mas, do que adianta ter o esquipamento correto se ele for mal instalado? Como já colocamos, a boa iluminação deve direcionar a luz apenas para o local que precisa dela. Note que, diferentemente das luminárias, o projetor em si pode produzir o melhor ou o pior efeito em relação à poluição luminosa: tudo depende do modo que ele for instalado.

    Os projetores, destes muito utilizados para iluminar placas de lojas e outdoors, dependem crucialmente da instalação correta para evitar gerar poluição luminosa.


    Nos esquemas abaixo, adaptados do material disponibilizado pelo IAC, podemos ver as orientações para correta instalação de projetores e luminárias. Para as luminárias, a instalação correta é aquela paralela ao solo. Luminárias tipo globo, jamais!

    No caso dos projetores, a melhor situação é aquela onde a parede ou placa é iluminada de cima para baixo, e ainda é colocado um anteparo na parte superior. Além disso, é preciso atentar para o ângulo de orientação do feixe de luz. Resultados ótimos podem ser obtidos se o ângulo de orientação for menor que 10 graus.


    Orientações para a instalação de projetores e luminárias. O objetivo, claro, é buscar garantir que a luz seja direcionada apenas para o chão e, no caso de projetores, para a parede ou placa que necessita ser iluminada. Adaptação da figura original disponibilizada pelo Instituto de Astrofísica de Canárias. Clique para ampliar.


    Diferentes situações em relação ao ângulo de direcionamento de projetores. A situação ideal e que minimiza a poluição luminosa é direcionar a luz com ângulo menor de 10 graus. Adaptação da figura original disponibilizada pelo Instituto de Astrofísica de Canárias. Clique para ampliar.


    O esquema abaixo mostra todas as origens para a poluição luminosa quando uma luminária ou projetor não são adequadamente instalados. Idealmente, a luz deve incidir apenas sobre a área a ser iluminada. Quando a luminária está mal orientada, cria uma zona de ofuscamento: quem estiver caminhando na direção da fonte de luz terá seus olhos ofuscados, ficando mais suscetível a acidentes ou crimes. Esta mesma luz, inadequadamente direcionada, invadirá moradias ou outros ambientes. tipo de poluição luminosa que chamamos de luz intrusa.


    Esquema mostrando todos os tipos de poluição luminosa que podem ser gerados a partir de uma luminária mal instalada. Imagem adaptada do original publicado em artigo do Alternatives Journal e também compartilhada na página da IDA. Clique para ampliar.

    A luz direcionada para cima, além de representar um gasto econômico sem sentido, impedirá a observação das estrelas. Se o céu estiver com nuvens carregadas, parte da luz será refletida de volta para baixo, criando aquele aspecto desagradável de uma capa alaranjada sobre a cidade.

    Além disso, tem a luz que reflete no solo em direção ao céu. Para minimizar esta componente, o ideal seria que o chão fosse o mais escuro possível. Sabemos que esta é uma condição complexa, principalmente quando pensamos em caminhos para pedestres. Assim, é de se esperar que a componente refletida pelo chão não chegue a ser completamente anulada, mesmo nos melhores projetos de iluminação.

    Frequentemente, justifica-se a inclinação excessiva das luminárias e o uso de refratores não planos pela impossibilidade de aumentar o número de postes. O fato é que sempre existirá alguma solução para racionalizar o sistema de iluminação sem negligenciar os riscos da iluminação excessiva. Veja abaixo alguns exemplos de luminárias e projetores mal instalados.


    Exemplos de luminárias mal instaladas. Nas imagens à esquerda e central, as luminárias estão viradas para a frente e não para baixo! Assim, quem caminha é ofuscado e o chão quase não é iluminado. O poste da esquerda também é alto demais. A luminária nunca deve ficar acima da copa das árvores. Na imagem à esquerda, uma boa luminária torna-se poluente por estar inclinada.



    Exemplos de projetores mal instalados. À esquerda, o projetor que deveria iluminar a parede o faz de cima para baixo, de modo que a maior parte da luz é direcionada para cima. À direita, o uso incompreensível de um projetor. A luz colocada desta maneira apenas cega por ofuscamento quem transita, desperdiça recursos ao direcionar luz para cima e nada colabora com a segurança.



     
    Caminho para o Auditório Cláudio Santoro (Campos do Jordão, SP), durante uma edição recente do Festival de Inverno. Toda a iluminação da cena está equivocada: uma luminária que não está paralela ao solo, um cartaz iluminado por projetor de cima para baixo e projetores com celofane verde iluminando as árvores e comprometendo inutilmente o ambiente natural! Clique para ampliar.


    No entanto, também não adianta selecionar cuidadosamente a luminária e instalá-la com correção se a lâmpada não for a correta para o tipo de aplicação! A escolha racional de lâmpadas deverá ser o assunto da próxima postagem desta série.

    Não deixe de ler o primeiro texto da série: Evitando gerar poluição luminosa, parte I: A escolha das luminárias.


    Página de notícias sobre Poluição Luminosa (PL), mantida pela astrofísica Tânia Dominici.

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