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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Lost in Light I e II - Agora você vai ver o que está perdendo com a poluição luminosa


Ter a experiência de observar um céu estrelado realmente livre de poluição luminosa é algo cada vez mais raro. A maioria das pessoas nunca viu a Via Láctea a olho nu e fica sem referências para entender o impacto da iluminação artificial mal utilizada.

O trabalho de Sriram Murali está ajudando as pessoas a verem o que elas estão perdendo! Em seus vídeos "Lost in Light" e "Lost in Light II", o fotógrafo mostra uma sequência de timelapses obtidos em locais com diferentes níveis de poluição luminosa, desde o ambiente urbano até aquele totalmente livre da interferência da iluminação artificial.

O primeiro vídeo foi disponibilizado no ano passado e concentra-se na visão da Via Láctea. O segundo, recém-lançado, mostra imagens na direção da constelação de Orion. Isso porque ela é muito mais facilmente reconhecida pelas pessoas, e daí fica mais fácil perceber as diferenças entre as paisagens expostas à poluição luminosa e as que estão preservadas.

Assista aos vídeos abaixo e surpreenda-se com a beleza do céu noturno!





Realmente não me lembro se cheguei a compartilhar o primeiro vídeo no blog anteriormente. De qualquer modo, vale assistir novamente!

Não deixe de conhecer mais sobre o trabalho de Sriram Murali em sua página oficial.

Via International Dark Sky Association.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Céus despoluídos sobre as grandes cidades?


O fotógrafo David Oliver Lennon decidiu juntar as suas magníficas imagens do céu despoluído da Tasmânia com aquelas feitas em cinco grande cidades: Londres, Nova Iorque, Los Angeles, Cingapura e Doha. O resultado é o vídeo abaixo, onde podemos vislumbrar o que seria o melhor dos mundos: todo o conforto possibilitado pelo uso da iluminação artificial, com a deslumbrante visão do céu noturno preservada.




Impossível não é! Porém é preciso que a iluminação artificial seja utilizada de modo racional, evitando gerar poluição luminosa. Isso inclui a escolha e instalação correta de luminárias e lâmpadas além de, claro, manter as luzes acessas exclusivamente durante o tempo em que elas são necessárias.

Visite a página oficial de David Oliver Lennon para conhecer mais sobre o seu trabalho e, em particular, suas astrofotografias!

sábado, 24 de outubro de 2015

Janelas para o Universo #SNCT2015


Este post faz parte da blogagem coletiva para a Semana Nacional de C&T 2015, organizada pelo Roberto Takata, do Gene Repórter.


Vivemos tempos privilegiados por termos acesso a imagens incríveis e fascinantes do Universo, obtidas através de diversos tipos de telescópios e instrumentos! 

Esta é a justificativa para a promoção do tema "Um Universo de imagens" durante este ano, em que destacamos a importância da luz para as nossas vidas. O Ano Internacional da Luz faz um convite para contemplarmos o Universo através destas imagens!

A astrofísica é uma área da ciência que demanda desenvolvimentos tecnológicos extremos e, obviamente, cada vez mais caros. Porém, ela recompensa os investimentos gerando conhecimento, proporcionando novas tecnologias para o nosso cotidiano e disponibilizando as já citadas inspiradoras visões do Cosmos - frequentemente o único contato do público em geral com esta ciência.

Isto porque a maioria da população mundial pouco ou nada vê quando olha para o céu de suas cidades e, assim, perdeu o contato cotidiano com as maravilhas celestes. E quanto menos as pessoas são capazes de experimentar a observação de um céu repleto de estrelas, mais elas não entendem o que estão perdendo...

Até o início do século XX, em todos os locais do planeta era possível ver a Via Láctea a olho nu em noites de céu aberto. Com a propagação da iluminação artificial, o cenário começou a mudar. Já se buscava construir observatórios astronômicos em locais altos e secos  desde as primeiras décadas daquele século mas, mesmo assim, alguns deles começaram a ser comprometidos por uma nova fonte de poluição: a luminosa, resultante do uso irracional da iluminação artificial. O Observatório de Monte Wilson, próximo a Los Angeles, foi um dos primeiros a ter seu trabalho afetado. Foi por observações obtidas lá que, por exemplo, Edwin Hubble descobriu que a nossa galáxia não é a única no Universo!

E aí cabe uma história interessante: na década de 1940, Walter Baade tirou proveito de blackouts, usuais durante a segunda grande guerra e que eliminavam a poluição luminosa em Monte Wilson, para descobrir a existência de diferentes populações estelares e estudá-las. Foi assim, sem a interferência das luzes artificiais, que ele pôde observar estrelas na galáxia de Andrômeda e descobrir uma região de baixa extinção por poeira interestelar na direção do centro da nossa galáxia, hoje conhecida como "Janela de Baade".

Além de comprometer o trabalho de observatórios já estabelecidos e privar as pessoas da contemplação de um céu estrelado, hoje sabemos que o uso ineficiente das luzes artificiais externas representa grande desperdício de energia elétrica. A poluição luminosa traz consequências negativas para a saúde humana, por exemplo, alterando a produção natural de melatonina, fator determinante para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, da obesidade, diabetes e depressão. No meio ambiente, a luz artificial irracional compromete a produção de alimentos e coloca em risco o ciclo natural de vida de várias espécies animais.

Mas, voltando à astronomia: a solução seria investir apenas em observatórios espaciais? Não seria. Além dos altos custos, riscos, limitações de tamanho, entre vários outros fatores operacionais e técnicos envolvidos em projetos de observatórios espaciais, nem todos os casos científicos poderiam ser totalmente estudados apenas através de dados obtidos por eles. É essencial termos observatórios para a janela visível do espectro eletromagnético em solo.

Atualmente, os maiores investimentos em novos telescópios têm sido feitos nos poucos locais do planeta que ainda oferecem condições de excelência, como o Norte do Chile, o topo do Mauna Kea (vulcão extinto localizado no Havaí, EUA), e as Ilhas Canárias (Espanha). A infraestrutura moderna de observação astronômica só é viabilizada devido à formação de consórcios internacionais: o Brasil, por exemplo, participa de consórcios que operam telescópios no norte do Chile (Gemini, SOAR e, esperamos que em breve, ESO) e em Mauna Kea (Gemini).


Observatório de Cerro Paranal (ESO), no norte do Chile, onde ficam os quatro telescópios ópticos mais avançados do planeta (créditos: ESO/H.H. Heyer). Clique na imagem para ampliar!


Mesmo estes locais privilegiados, que recebem investimentos que já alcançam a marca de bilhões de dólares, podem vir a ser comprometidos pelo aumento da poluição luminosa. Felizmente, todos eles possuem legislações e regulamentações buscando assegurar que a iluminação artificial das cidades nos seus arredores seja totalmente racional e pouco poluente.

Além disso, a UNESCO, através do International Council on Monuments and Sites (ICOMOS), e a União Astronômica Internacional (IAU/UAI) vem desenvolvendo estudos para aprofundar o conhecimento sobre as características e diferentes formas de patrimônio astronômico e desenvolver metodologias a fim de definir esta tipologia no contexto da Convenção do Patrimônio Mundial. Um dos temas emergentes foi a existência das "Janelas para o Universo", referindo-se justamente a estes locais de céus noturnos preservados e privilegiados que se tornaram essenciais para as pesquisas em astrofísica. Até o momento, foram feitos três estudos de caso: Cerro Tololo (Chile), La Palma (Espanha) e o Mauna Kea. Assim, a expectativa é que em breve estes locais possam vir a ser considerados Patrimônio da Humanidade. Mais do que um título, sua Convenção é um poderoso instrumento de preservação.


Enfim, a ideia do post, além de destacar a importância de preservar as "Janelas para o Universo", era incentivar o leitor a contemplar a beleza registrada através delas! Segue uma pequena seleção do "Universo em imagens":


À esquerda, duas galáxias em interação: NGC 2207 - a maior - e sua companheira IC 2163. À direita, galáxia espiral NGC 3190. Créditos: ESO. Clique na imagem para ampliar!


Esquerda: o aglomerado de estrelas conhecido como NGC 3293 (créditos: ESO/G. Beccari). À direita, detalhes da nebulosa de Órion (créditos: ESO/M.McCaughrean et al.). Clique na imagem para ampliar!


À esquerda, uma nebulosa planetária pouco conhecida, chamada de  ESO 378-1 (créditos: ESO). À direita, a galáxia distante H-ATLAS J142935.3-002836. A imagem é uma combinação de observações feitas pelos telescópios Hubble e Keck-II (Havaí); créditos: ESO/NASA/ESA/W. M. Keck Observatory. Clique na imagem para ampliar!


Não se limite às imagens postadas aqui! Algumas dicas de páginas com farto material para o seu deslumbramento:



Acompanhe a blogagem coletiva da SNCT2015, cujo tema é "Luz, Ciência e Vida", no Gene Repórter e por aqui mesmo.

Veja também a nota do MCTI sobre a ação: SNCT 2015 - Blogagem coletiva divulga tema “Luz, ciência e vida”.


quinta-feira, 30 de julho de 2015

Cidade norte americana apaga suas luzes para apreciar o céu


Telluride é uma pequena cidade do Colorado (EUA), com menos de 3 mil habitantes e forte vocação turística. No inverno, a cidade é um local privilegiado para esquiar na neve; no verão, os turistas podem aproveitar as temperaturas mais amenas para praticar esportes como o rafting e realizar escaladas nas suas belas montanhas.

Além disso, Telluride é conhecida por ser a sede do MontainFilm Festival: importante festival de cinema voltado à prática de esportes radicais.

Imagine fotografar o céu noturno desta paisagem... Telluride, no Colorado (EUA). Imagem do site Visit Telluride.

Durante a edição de 2014, o super fotógrafo Ben Canales participou do evento e se impressionou com o local: "Fiquei chocado com a rapidez com que a visão das estrelas tornava-se ainda mais surpreendente conforme eu me afastava da cidade", disse. Surgiu então a ideia de sugerir que a cidade apagasse suas luzes por uma noite. Deste modo seria possível produzir imagens mais dramáticas, contemplar o céu noturno e começar a falar sobre poluição luminosa com os moradores e turistas.

Assim, ele convenceu a administração da cidade a apagar as luzes públicas durante a edição 2015 do Festival, criando o evento "Lights Out Telluride". Por sua vez, os organizadores do Festival se responsabilizaram por convencer os particulares a participarem da iniciativa. Às 3:00 h da manhã da noite combinada, estima-se que entre 50% e 70% das luzes da cidade foram apagadas.

Alguns resultados são mostrados no vídeo abaixo, onde podemos ver os procedimentos para apagar as luzes públicas e o evento de observação do céu, que atraiu cerca de oitenta pessoas. Não deixe de assistir! O evento continuará a ser promovido nos próximos anos e espera-se que a participação popular aumente.





Telluride e a visão da Via Láctea, por Ben Canales (The Star Trail).

Sobre o evento, Ben Canales comentou: "Acho que é uma nova consciência ambiental que não vinha sendo uma questão cultural até recentemente. Em duas gerações nós perdemos totalmente o contato com a noite estrelada, simplesmente porque todos nós vivemos em cidades. No entanto, as fotos lembram que as estrelas ainda estão lá fora. Tentamos desta vez. Agora vamos fazer algo ainda maior."

Não é uma ideia maravilhosa? Engajar a administração pública e convidar as pessoas a apagarem as suas luzes e saírem de casa para ver as estrelas! Também podemos aproveitar eventos como a Hora do Planeta para tentar reconectar a população com a beleza e os mistérios do Universo.

Fonte da notícia: Telluride Colorado Turns Off Lights For Mountainfilm Dark Sky Event, Resource Travel.

Não deixe de explorar o trabalho incrível de Ben Canales em sua página The Star Trail

O MontainFilm Festival promove também uma turnê mundial. No Brasil, as exibições dos melhores filmes selecionados em Telluride e de produções locais ocorrerão em agosto no Parque Villa-Lobos (São Paulo) e, em setembro, na Lagoa Rodrigo de Freitas (Rio de Janeiro).

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Blackout City


Depois do trabalho de Thierry Cohen, que buscou mostrar como seria o céu noturno de grandes metrópoles caso todas as luzes fossem apagadas, e dos registros de Christina Seely, a respeito dos excessos nas 45 cidades mais brilhantes do Planeta, o fotógrafo Nicholas Buer apresenta sua colaboração para ilustrar de maneira impactante o quanto a poluição luminosa impede a nossa visão do Universo.

Buer descreve "Blackout City" como "um filme experimental em timelapse que faz o invisível, visível" (tradução livre).

Motivado pela história do blackout ocorrido em 1994 em Los Angeles (EUA), já contada aqui, em agosto de 2013 ele deu início ao projeto: fotografou vários locais de Londres (Reino Unido) durante o dia e procurou uma região de céus escuros na mesma latitude, a fim de registrar as estrelas tais como seriam vistas da capital, não fossem as luzes artificiais irracionalmente utilizadas...

As imagens da cidade foram manipuladas para parecem obtidas durante a noite e com todas as luzes artificiais apagadas. As astrofotografias também foram processadas visando reproduzir realmente o que o olho humano consegue enxergar em céus preservados. Não fosse todo este trabalho complexo o bastante, Buer ainda combinou as imagens da cidade e do céu de modo a ser fiel à posição das estrelas e outros objetos celestes em cada local, do ponto de vista astronômico. O resultado deste incrível projeto pode ser visto abaixo, ou diretamente na página do Vimeo, onde o vídeo foi disponibilizado. É deslumbrante!







Visite a página oficial de Nicholas Buer para conhecer mais sobre o seu incrível trabalho.

Agradecimentos ao Dr. Artur Moes (UERJ) pela indicação do vídeo.

domingo, 9 de novembro de 2014

Sobre a fotografia noturna em locais com alta poluição luminosa

Quem mora em áreas urbanas já está acostumado a olhar para o céu noturno e enxergar poucas estrelas devido à poluição luminosa, agravada pela poluição atmosférica. Com o tempo, até perdemos a sensibilidade para a questão. Uma maneira interessante de comprovar dramaticamente o quanto estamos afetando a natureza com o excesso de luz artificial é através da fotografia noturna.

Abaixo, temos uma imagem do tipo que chamamos de startrails: é a combinação de uma sequência de fotos obtidas com a câmera fixa. Quando combinadas, através de programas específicos, podemos ver o movimento relativo das estrelas ao redor dos polos celestes. Esse movimento é, de fato, causado pela rotação da Terra. Para chegar ao resultado, cerca de 90 imagens obtidas em um céu relativamente bem preservado foram combinadas. Cada uma delas foi feita com 4 segundos de integração e ISO 3200 (F3.5), utilizando uma câmera Canon Rebel T3i. O tripé é imprescindível...


Imagem obtida em 2013,no Observatório do Pico dos Dias (sul de Minas), mostrando o polo sul celeste. Combinação de cerca de 90 imagens, cada uma com 4 segundos de integração; ISO 3200; f3.5; Canon Rebel T3i. Crédito: Tânia Dominici.

Já na próxima imagem, algo semelhante foi tentado, mas nos céus muito poluídos do Rio de Janeiro. Foram combinadas cerca de 80 imagens, cada uma com 11 segundos de integração (!) e ISO 3200 (f/22), com o mesmo equipamento utilizado na produção da imagem acima. A diferença na quantidade de estrelas é gritante. Além disso, na imagem abaixo ainda é possível notar a reflexão interna na câmera devido à iluminação super irracional de um museu ao lado da locação.

Imagem de 2014, obtida na zona norte do Rio de Janeiro. Foram combinadas cerca de 80 fotos, com 11 segundos de integração cada; ISO 3200; f/22; Cano Rebel T3i. Note, à direita do centro da imagem, a reflexão interna na câmera provocada pela iluminação extremamente irracional de um museu vizinho. Crédito da imagem: Tânia Dominici.
Imagens de startrails como as mostradas acima podem ser criadas com o programa gratuito de mesmo nome, criado e disponibilizado pelo astrofotógrafo alemão Achim Schaller. Tem até versão em português!

Por sua vez, o fotógrafo Justin Ng elaborou um tutorial para demonstrar que é possível produzir imagens da Via Láctea mesmo em cidades muito contaminadas, como Cingapura, onde ele vive. Para tanto, é necessário basicamente uma câmara DSLR (com tripé), como a utilizada nas imagens mostradas acima, e o programa Photoshop. A sequência de fotos abaixo ilustra o processo. A primeira mostra a imagem original, obtida com o máximo de integração possível para que as estrelas não apareçam corridas (devido ao movimento da Terra). É indiscutível o comprometimento pela poluição luminosa. No Photoshop, o fotógrafo faz manipulações, como aplicar uma normalização e o ajuste de brilho. Na imagem resultante (no centro), já podemos ver a Via Láctea. Após uma sequência de outras edições, Justin Ng chega ao resultado final (terceira imagem): uma estonteante visão do centro da nossa Galáxia que parece ter sido obtida em um local distante das grandes concentrações urbanas. Não, o olho humano não consegue ver este espetáculo daquele local, mas poderia chegar próximo se houvesse controle da poluição luminosa...





Sequência de imagens feitas por Justin Ng ilustrando o seu método para fotografar a Via Láctea em locais muito poluídos como Cingapura. No topo: foto original, obtida integrando o máximo possível sem que as estrelas fiquem corridas (conhecida como regra dos 500). No centro: imagem normalizada pelo Photoshop e com ajuste de brilho, onde já é possível ver a Via Láctea. Abaixo: resultado final, após manipulações diversas no Photoshop. Não deixe de visitar a página do fotógrafo.

Veja o tutorial completo na página de Justin Ng (uma versão simplificada em português foi disponibilizada pelo portal de fotografia digital Convexa).

Porém, mesmo sem o conhecimento técnico e a habilidade de pessoas como Justin Ng, com uma máquina DSLR e um tripé é possível obter imagens interessantes de alguns objetos celestes nas grandes cidades. A Lua é, obviamente, o alvo principal, mas também é interessante utilizar o zoom óptico da máquina (e a eventual ajuda de uma luneta simples) para registrar o movimento das luas galileanas em torno de Júpiter. Mesmo em locais muito iluminados, a passagem da Estação Espacial Internacional (ISS) pode resultar em imagens muito interessantes! Para se programar, descubra quando ela passará sobre a sua cidade na página Heavens Above.


A Lua é facilmente fotografada mesmo com câmeras simples. O essencial é colocar o equipamento em um tripé a aprender a utilizar as configurações manuais da sua câmera... Crédito: Tânia Dominici.

Júpiter e as quatro luas galileanas observados apenas com a máquina fotográfica, sem o auxílio de telescópio. O movimento dos satélites em torno do planeta, ao longo das horas e dos dias, pode ser registrado mesmo nas grandes cidades. Crédito: Tânia Dominici.


Passagem da Estação Espacial Internacional (ISS) registrada em uma cidade de médio porte. Crédito: Tânia Dominici.

No entanto, você quer mesmo perder a oportunidade de contemplar um céu despoluído e fotografar a Via Láctea com toda a sua beleza sem maiores truques de edição? O vídeo abaixo, produzido por Ian Norman e Diana Southern em locações nos EUA é, definitivamente, inspirador para uma aventura de turismo ecológico e científico em áreas com céus preservados. Os autores do vídeo também oferecem um curso online gratuito de astrofotografia. Aproveite!




É claro que, apesar de existirem maneiras de obter imagens razoáveis do céu mesmo com a poluição luminosa, ou então viajar para os poucos locais do planeta ainda preservados, o melhor mesmo é nos conscientizarmos do problema e cobrarmos a instalação de luminárias e lâmpadas racionais, que direcionem a luz unicamente para o local que deve ser iluminado e exclusivamente pelo período de tempo que for necessário. Deste modo, ganharemos em qualidade de vida, em sustentabilidade e na possibilidade de voltar a contemplar as estrelas, mesmo vivendo nas maiores metrópoles...

Nunca é demais lembrar: a luta contra a poluição luminosa não se baseia em eliminar ou reduzir drasticamente a iluminação externa, mas em racionalizá-la para criar ambientes noturnos mais sustentáveis e seguros para a população, sem desperdício de recursos, naturais ou financeiros, e minimizando o comprometimento para a vida de plantas e animais.

Update em 15/12/2014: Ian Norman também produziu o vídeo incorporado abaixo explicando a técnica ETTR (Expose to the Right) para fotografar a Via Láctea mesmo em lugares com muita poluição luminosa. No final, Ian relembra que nada substitui a experiência de fotografar o céu noturno em locais despoluídos...



domingo, 20 de abril de 2014

A vida sem céus escuros: você não sabe o que está perdendo

Entre os dias 20 e 26 de abril de 2014 acontece a Semana Internacional dos Céus Escuros (International Dark Sky Week), uma iniciativa da IDA, principal organização não-governamental trabalhando no combate à poluição luminosa.

Para colaborar com o evento, o fotografo Mark Gee, de Wellington (Nova Zelândia), produziu um vídeo com imagens mostrando a diferença entre ambientes com poluição luminosa e céus escuros.

No texto de apresentação do vídeo, Gee coloca (em livre tradução a partir do original em inglês): "Durante meu tempo como astrofotógrafo, tenho falado com muitas pessoas mundo afora, interessadas por minhas fotografias e vídeos. Fiquei realmente chocado quando algumas delas me disseram que nunca viram a Via Láctea com seus próprios olhos. Eu fiz algumas pesquisas sobre o assunto e descobri que mais de um quinto da população mundial, dois terços da norte americana e metade dos europeus [vivem em locais em que] já perderam totalmente a visibilidade da Via Láctea a olho nu! Isso é uma vergonha, e os efeitos da poluição luminosa podem ser muito mais sérios do que não sermos capazes de enxergar estrelas à noite". 

Veja abaixo o belo trabalho de Mark Gee para esta semana de conscientização acerca dos problemas causados pela poluição luminosa. A narração é em inglês, porém as imagens são, por si só, bastante ilustrativas do contraste entre a luz artificial e o céu estrelado que o artista desejou apresentar.








E você? Já viu a Via Láctea com seus próprios olhos? Se não, não sabe o que está perdendo...


Outros trabalhos do fotógrafo podem ser vistos em sua página na internet, não por acaso intitulada "The art of Night".




Update: o post foi atualizado para conter os links para todos os textos disponibilizados pela IDA durante a semana.
sexta-feira, 28 de março de 2014

Dia 29/03 às 20:30 h começa a Hora do Planeta 2014: use o seu poder!

Assim como fizemos no ano passado, incentivamos que todos participem da Hora do Planeta 2014. O evento, promovido pela WWF, será neste sábado, dia 29 de março, com início às 20:30 h.

A ideia é apagar as luzes por uma hora para demonstrarmos a nossa preocupação com o futuro do planeta. Neste sentido, a poluição luminosa é um grave problema ambiental, social e econômico, e a Hora do Planeta também nos dá a oportunidade de aproveitar aqueles minutos de privação da luz artificial para nos reconectarmos com o céu noturno.

Então aproveite e aprecie o céu! Para quem quer ter uma ideia do que seria o céu do Rio de Janeiro ou outras grandes cidades se todas as luzes fossem apagadas, basta relembrar o trabalho do fotógrafo Thierry Cohen, que fez justamente este exercício de imaginação, juntando fotos de metrópoles com imagens do céu obtidas em regiões escuras de mesma latitude. O resultado pode ser visto abaixo. Quem não gostaria de ter esta visão?


Imagens do Rio de Janeiro caso todas as luzes fossem apagadas. Créditos: Thierry Cohen.


Se alguém quiser aproveitar a Hora do Planeta para identificar as estrelas e planetas, as cartas abaixo mostram o céu noturno no Rio de Janeiro, em 29/03, às 20:30h. A primeira é uma simulação das condições usuais, com as luzes da cidade pouco racionais, direcionando parte da luz para o alto. Na carta de baixo, simulamos o céu noturno até o limite visual médio do ser humano. Ou seja, seria o que veríamos caso todas as luzes artificiais fossem apagadas ou próximo do que seria possível caso a iluminação fosse totalmente racional, cuidando para iluminar apenas o que é preciso, estritamente durante o tempo necessário.



A carta de cima simula o céu do Rio de Janeiro no início da Hora do Planeta 2014 (29 de março, às 20:30 h), com as condições usuais de poluição luminosa. Já na carta de baixo, podemos ter uma ideia de tudo o que os nossos olhos seriam capazes de captar caso as luzes fossem apagadas, e próximo do que poderia ser rotineiro se a iluminação artificial fosse racional, buscanco impactar minimamente no meio ambiente e na nossa saúde. Simulações feitas com o programa gratuito Stellarium.


Não deixe de ver a divertida série de vídeos, intitulada "O homem do Farol", produzidas pelo WWF Brasil para divulgar a Hora do Planeta 2014:



 Desligue as luzes e use o seu poder!


E, por fim é sempre interessante lembrar que estamos na terceira parte da campanha Globe at Night de 2014. Por que não contar as estrelas da constelação de Órion durante e depois da Hora do Planeta, colaborando para estimar o impacto da iluminação artificial no nosso planeta?


 
Vem para a rua! Conte estrelas e ajude a construir um planeta mais sustentável. A poluição luminosa é reversível e todos podemos colaborar!



domingo, 1 de dezembro de 2013

As 45 cidades mais brilhantes do planeta: conheça o trabalho de Christina Seely

Depois das "Cidades Escurecidas" de Thierry Cohen, mais uma fotógrafa divulga uma série de imagens que chama a atenção para as questões relacionadas à poluição luminosa.

Observando a imagem da Terra à noite, disponibilizada pela NASA e mostrada abaixo, Christina Seely, fotógrafa e educadora de São Francisco (EUA), selecionou 45 cidades nas  regiões mais brilhantes do globo. Normalmente associadas ao progresso e melhor qualidade de vida, as regiões mais iluminadas registram, antes de mais nada, o imenso desperdício de recursos econômicos e naturais com a iluminação mal planejada, que direciona a luz inutilmente para o céu.

A Terra observada à noite em outubro de 2012 (NASA Earth Observatory/NOAA NGDC). Com base nessa imagem, Seely selecionou as 45 cidades nas áreas mais iluminadas para compor a sua série Lux, que registra o brilho do céu naquelas regiões.

Durante cinco anos, a fotógrafa visitou os locais selecionados e registrou o brilho do céu, também chamado de sky glow, um dos tipos de poluição luminosa. A série de imagens resultante constitui o trabalho intitulado de Lux. Sempre que possível, Christina procurava locais mais afastados de onde pudesse observar as cidades e registrar o contraste entre a natureza e a iluminação artificial. Ambas são belas, porém incompatíveis, uma vez que a poluição luminosa provoca impactos negativos no meio ambiente e no ciclo de vida de diversas espécies animais. Veja abaixo alguns resultados desse belo trabalho.



Algumas imagens da série Lux, de Christina Seely, mostrando o contraste entre o brilho do céu gerado pela iluminação excessiva e a natureza. Em cima: Madrid (Espanha); no meio: Amsterdã (Holanda); abaixo: Tóquio (Japão).


E no Brasil?

Embora o trabalho de Seely seja uma expressão artística que promove a discussão sobre a poluição luminosa, o fato é que o monitoramento fotográfico de áreas urbanas próximas de regiões de especial interesse (como reservas naturais e observatórios astronômicos) constitui uma importante ferramenta de controle dos excessos e da qualidade da iluminação artificial.

Para exemplificar, as imagens abaixo, obtidas entre 2012 e 2013, mostram as cidades de Itajubá e Brazópolis, vistas do Observatório do Pico dos Dias.


Itajubá vista do Observatório do Pico dos Dias. Imagem obtida em 15 de maio de 2013, por T. Dominici (Canon Rebel T3i, f3.5, 20 segundos de exposição, ISO 1600). 


Brazópolis observada do OPD em imagens obtidas com 10 meses de intervalo, aproximadamente no mesmo horário (por volta das 19:30 h). À esquerda: observação em 16/08/2012; à direita: observação em 03/06/2013. Podemos verificar, do lado esquerdo da cidade na imagem mais recente, uma área de expansão urbana, utilizando lâmpadas alaranjadas e menos poluentes, de vapor de sódio de alta pressão. Na imagem de 2012, a  polêmica iluminação do campo de futebol está ligada. Imagens de T. Dominici, ambas obtidas com Canon Rebel T3i, f5.6, 5 segundos de exposição, ISO 800.


Não deixe de visitar a página de Christina Seely. O livro com as imagens pode ser adquirido aqui. As fotografias em grande formato estão, neste momento, expostas em Massachusetts (EUA).




Update em 12/03/2016: Se você quer saber mais sobre a "cidade mais iluminada do mundo", não deixe de ver o post sobre Hong Kong!

Aproveite para ver as incríveis imagens do Planeta durante a noite, nesta galeria organizada pelo jornal britânico Telegraph.


América do Sul durante a noite. Note a poluição luminosa concentrada na região sudeste do Brasil e veja a galeria completa aqui (Fonte: Telegraph/NASA).


terça-feira, 30 de abril de 2013

Última oportunidade de participar da campanha Globe at Night 2013 (29 de abril a 8 de maio)!

A última etapa da campanha Globe at Night 2013 está em andamento até o dia 8 de maio. Como explicamos aqui, o objetivo é engajar a população mundial na pesquisa para avaliar a poluição luminosa em diferentes partes do planeta.

Aproveite as belas noites de outono para fazer a sua contribuição! Durante os próximos dias, a constelação a ser identificada no Hemisfério Sul é o Cruzeiro do Sul.

Constelação do Cruzeiro do Sul (centro da imagem), fotografada no Observatório do Pico dos Dias (T. Dominici). A nuvem escura, de absorção, é popularmente conhecida como 'saco de carvão' e pode ser vista a olho nu de locais distantes da iluminação artificial.


O Globe at Night tem um aplicativo online de fácil utilização para o registro de suas observações. Está em inglês, mas é muito simples de entender. Descrevemos abaixo cada passo.

Passo 1: Insira o local e a data das suas observações


Passo 2: Informe onde foram feitas as suas observações. Ao entrar na página, o aplicativo pedirá a sua permissão para identificar a localização (baseado nos dados de sua conexão). Se for a mesma da observação, permita e confirme. Caso contrário, localize-a no mapa.

Ainda no Passo 2: Se puder, descreva no quadro o local das observações. Por exemplo, se foi em uma cidade grande ou área rural.


Passo 3: Clique nos quadrinhos até encontrar um mapa que represente a sua observação. Por exemplo, se você só consegue ver quatro estrelas do Cruzeiro, deve selecionar a imagem  que indica '< 3.5 mag'.


Passo 4: Informe a cobertura de nuvens. O céu estava completamente limpo? Nublado? Clique no quadro que melhor represente a condição de observação. Na janela abaixo, coloque informações complementares, se considerar necessário.


Passo 5: Se você for um entusiasta dos céus escuros, pode eventualmente ter um equipamento como este que mostramos aqui, o SQM. Nesta parte do formulário é possível informar as suas medidas. Se não tem o equipamento, ignore e vá para o passo 6...


Passo 6: Com o relatório preenchido, clique em 'Submit Data' e envie as suas informações. Está feito! Você ajudou a avaliar os impactos da iluminação artificial no planeta...



Situação atual da participação brasileira no projeto de ciência cidadã Globe at Night, campanha de 2013. A nossa última chance de colaborar para as medidas deste ano termina em 8 de maio. O mapa completo das contribuições pode ser visto aqui.


No twitter, acompanhe @GLOBEatNight e use a hashtag #GaN2013.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Uma visão incrível: como seriam São Paulo e Rio de Janeiro sem poluição luminosa?

O fotógrafo francês Thierry Cohen criou uma série de imagens mostrando como veríamos o céu noturno nas grandes cidades caso as luzes fossem apagadas, ou seja, sem a poluição luminosa. 

Mas não são montagens aleatórias: Cohen procurou locais escuros, com a mesma latitude das metrópoles escolhidas, e produziu espetaculares fotos do céu noturno. Desse modo, registrou fielmente o que seria observado nas cidades (apenas com alguma diferença de  tempo, devido à rotação da Terra).  Em seguida, sobrepôs as cidades, criando visões impressionantes daquilo que deixamos de vivenciar devido à iluminação artificial.





Em cima, imagem de como seria a noite no Rio de Janeiro se todas as luzes fossem desligadas. Na imagem de baixo, o mesmo para São Paulo. Créditos: Thierry Cohen.


Tóquio, Paris, Nova Iorque e São Francisco são algumas das outras cidades retratadas. Veja mais imagens incríveis na página sobre a série intitulada "Darkened Cities" (Cidades escurecidas), além do  belo texto de apresentação (em inglês). As fotos foram exibidas em Paris, no final de 2012, e estão disponíveis em livro.



É claro que não podemos 'apagar' totalmente as cidades, mas é possível minimizar os impactos da poluição luminosa, escolhendo e instalando corretamente luminárias e lâmpadas.   A luz direcionada para o céu e que impede a nossa visão das estrelas é energia elétrica desperdiçada. Para saber mais, veja nossa página sobre a PL.


Via Questões da Ciência e @scienceblogsbr.

Página de notícias sobre Poluição Luminosa (PL), mantida pela astrofísica Tânia Dominici.

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