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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Vamos juntos? Convite para a articulação de uma comunidade nacional em defesa dos céus escuros e pelo uso sustentável da iluminação artificial

A atualização deste blog foi descontinuada porque avançamos um passo adiante: em 2020 foi criada a rede Céus Estrelados do Brasil, uma articulação entre iniciativas interdisciplinares e democráticas para a mobilização pelo combate à poluição luminosa no país.

 


 

Para participar da CEB, preencha o formulário neste link.






domingo, 13 de março de 2016

Iluminação noturna baseada em bactérias bioluminescentes? É o que propõe uma empresa francesa


A bioluminescência é o fenômeno de produção de luz por seres vivos, resultante de reações químicas. O exemplo mais conhecido é, certamente, a luz emitida pelos vaga-lumes. Mas a bioluminescência ocorre em muitos outros organismos, tais como algas, moluscos, peixes e crustáceos.

Uma starup francesa, a Glowee, está propondo a utilização de bactérias bioluminescentes como fonte de iluminação noturna. A vantagem seria o consumo nulo de energia elétrica e a não geração de poluição luminosa, segundo a visão do grupo de jovens empreendedores. A ideia da tecnologia proposta pela Glowee nasceu em um concurso universitário e seu desenvolvimento inicial foi possível graças a uma ação de financiamento coletivo.

A Glowee cultiva as bactérias bioluminescentes Aliivibrio fischeri, extraídas de lulas, em um suporte transparente que pode ser criado em qualquer formato. No interior do suporte é inserido um gel com nutrientes para a manutenção da vida daquelas bactérias. A iluminação só é percebida durante a noite (ou no escuro, claro), com o suporte permanecendo transparente durante o dia. É o que ilustra a figura abaixo.

Durante o dia, o produto criado pela Glowee permanece transparente. Durante a noite, observa-se a luz produzida pelas bactérias. Captura de tela de um dos vídeos de divulgação do projeto (assista no final deste post).


O maior problema da nova tecnologia, do ponto de vista de sua viabilidade comercial, é o tempo de vida. O primeiro produto oferecido pela companhia é uma fonte de luz que dura três dias. Pesquisas estão sendo realizadas para aumentar a duração da fonte de luz. Até 2017, a expectativa é que a o produto forneça luz ao menos por um mês, o que o tornaria competitivo para a iluminação de vitrines nas lojas de rua, por exemplo. As bactérias estariam sendo geneticamente modificadas para aumentar o seu brilho e a sobrevivência em caso de maiores variações de temperatura.

Um dos incentivos para investir nesta nova tecnologia de iluminação é a legislação em vigor desde 2013 na França, que limita o uso da luz artificial durante a noite, exigindo que vitrines e prédios comerciais de maneira geral desliguem suas luzes externas a partir da 1:00 h da madrugada para economizar energia elétrica e diminuir a poluição luminosa. O produto da Glowee seria uma maneira de burlar a lei. Mas, por qual razão, se a legislação francesa estabelece o óbvio: luzes desligadas quando e onde não há circulação de pessoas?

Concepção artística das possibilidades de utilização da nova tecnologia. A luz bioluminescente seria usada para sinalização pública, iluminação de propagandas, vitrines e decoração de prédios. Imagens de divulgação, obtidas na página da Glowee.


A nova tecnologia serviria como opção sustentável para manter as cidades seguras e sustentáveis ou só seria uma maneira para continuar utilizando a luz inutilmente? Mesmo sem gastar energia elétrica, a fonte de luz continuaria impactando no ciclo circadiano humano, dos insetos, das aves, das plantas... Para manipular qualquer forma de vida e condicioná-la a viver fora daquele que seria o seu ciclo natural, tal como esta sendo feito com as bactérias bioluminescentes, é preciso uma necessidade real. Não deveria bastar o capricho humano... Os próximos anos saberemos se há, de fato, um nicho de mercado para esta nova forma de iluminar.

A utilização de sensores de presença para acionamento de luzes, o investimento em desenvolver matrizes energéticas variadas e sustentáveis, a utilização de filtros em lâmpadas LED, ou a criação destas lâmpadas simulando o rendimento de cor das lâmpadas de vapor de sódio: estes parecem ser caminhos mais razoáveis para criar um sistema de iluminação racionalizado, que minimize a poluição luminosa e os impactos da luz artificial no meio ambiente.

Assista abaixo aos vídeos de apresentação da Glowee (o primeiro em inglês; o segundo em francês, com legendas em inglês).





Update em 25/03/2016: A bioluminescência tem papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas e esta é uma das razões pela qual pode ser questionável manipular bactérias para que elas produzam luz visando satisfazer nosso anseio por iluminação decorativa.  Os vaga-lumes, por exemplo, possuem toda uma rede de comunicação entre si baseada no padrão de suas luzes. O vídeo abaixo, produzido por Harun Mehmedinović, traz um belo exemplo. Ele mostra o registro das luzes sincronizadas durante a temporada de reprodução da espécie Photinus carolinus, que ocorre entre maio e junho no Hemisfério Norte. As imagens foram feitas em Elkmont, cidade abandonada no território do Parque Nacional Great Smoky Mountains, nos Estados Unidos.




Fontes:

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O Observatório de Mont-Mégantic quase fechou. E não foi por causa da poluição luminosa!


Na quarta-feira, 11 de fevereiro, foi noticiado que o Observatório de Mont-Mégantic (OMM, Quebec, Canadá) iria encerrar as operações em abril. O motivo era a falta de recursos financeiros, uma vez que, dentro da política econômica de contenção de gastos do governo canadense, o orçamento havia sido cortado em 500 mil dólares.

Porém, em poucas horas a situação se reverteu! Quando as notícias do fechamento começaram  a ser divulgadas e as reações nas redes sociais surgiram (por exemplo, através da hasthag #sauvonsOMM - salvar OMM), o governo canadense voltou atrás e se comprometeu a completar o orçamento para as operações do OMM por pelo menos mais dois anos.

A situação é de particular interesse para os brasileiros por conta de duas peculiaridades: a primeira é que o telescópio do OMM é um Perkin-Elmer com espelho primário de 1.60 m de diâmetro, idêntico ao que o Observatório do Pico dos Dias possui (o maior em território brasileiro). Compare nas imagens abaixo. O OMM opera desde 1978 e, o OPD, desde 1980.


Esquerda: Telescópio Perkin-Elmer com espelho primário de 1.60 m de diâmetro do Observatório de Mont-Mégantic, Canada. Crédito: Sébastien Giguère/ASTROLab/Mont-Mégantic National Park. Direita: o telescópio idêntico no Observatório do Pico dos Dias. Crédito: LNA.


O outro ponto a ser destacado é que, apesar de estar a apenas 250 km de uma grande cidade como Quebec e a 1100 metros de altitude (o OPD está a 1864 m), o OMM está em um sítio pouco contaminado pela poluição luminosa. Inclusive fica em uma reserva de 5500 km2 certificada pela Associação Internacional dos Céus Escuros, a IDA. Este não é o caso do OPD, cuja qualidade do céu vem sendo comprometida de maneira crescente pelo aumento descontrolado da iluminação irracional nos seus arredores.

O trabalho realizado na região do OMM é uma referência internacional de combate à poluição luminosa e preservação do céu estrelado, cujos detalhes podem ser encontrados em uma página própria. Uma série de documentos técnicos com recomendações para boas práticas de iluminação está disponível (em francês, mas o Google tradutor ajuda...).



Captura de tela da página web sobre a reserva de céus escuros do Mont-Mégantic, onde podem ser encontradas informações sobre o local, acerca do problema da poluição luminosa e uma série de documentos com orientações para assegurar céus escuros.


 Deste episódio podemos tirar algumas lições. A primeira é que a sociedade precisa se mobilizar pelos seus interesses. Se a ciência não está na ordem do dia, é responsabilidade dos cientistas, divulgadores e jornalistas da área se empenharem para trazer à tona os assuntos relacionados. Não apenas o Canadá, mas praticamente todos os países passam por um período de contenção de despesas (é o caso do Brasil). Neste contexto, a astronomia também atravessa um momento peculiar: visando conseguir recursos financeiros para os novos projetos de telescópios extremamente grandes em sítios de excelência, observatórios menores estão sendo fechados, ainda que sejam produtivos do ponto científico. Tendo o objetivo de evitar o fechamento dessas infraestruturas de pesquisa, é preciso que a sociedade colabore demonstrando claramente quais ela acredita que devem ser as prioridades de investimento de país. E ciência é a base para uma população mais educada, saudável e com oportunidades de crescimento econômico e pessoal.

Além disso o OPD, ao contrário seu gêmeo canadense, não possui nenhum controle da poluição luminosa nos seus arredores, seja através de legislações e/ou regulamentações ou de ações sistemáticas de conscientização popular e para os administradores públicos. Ou seja, ainda que uma parcela significativa da comunidade astronômica deseje a continuidade das operações, chegará um momento em que a questão ambiental as inviabilizará. A menos que providências incisivas sejam tomadas o mais rápido possível.


No topo: Observatório de Mont-Mégantic, Canadá. Crédito: Guillaume Poulin/Parc national du Mont-Mégantic. Abaixo: Prédio do telescópio gêmeo no Observatório do Pico dos Dias, Brasil. Crédito: Tânia Dominici.

Assim como o OPD, o OMM tem um papel fundamental na astronomia canadense, pois proporciona o treinamento avançado de estudantes em observações astronômicas, e funciona como um laboratório de desenvolvimento instrumental para observatórios maiores, como o CFHT. Tudo isso sem deixar de realizar pesquisas científicas de vanguarda, como a descoberta feita no ano passado de um planeta com cerca de dez vezes a massa de Júpiter, orbitando uma estrela jovem.


"Reserva de céu estrelado do Mont-Mégantic - Um patrimônio coletivo a ser protegido". Cartaz de conscientização popular produzido pela reserva.



Para saber mais:

A reviravolta:

sábado, 16 de novembro de 2013

Na adversidade, uma oportunidade...

Seguindo uma resolução de Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até o final de janeiro de 2014 a responsabilidade sobre a iluminação pública passará a ser dos municípios, e não mais das distribuidoras de energia elétrica. As cidades com menos de 50 mil habitantes terão até o final de 2014 para se adaptar (prazo que poderia vir a ser estendido até 2016).

O assunto tem causado apreensão nas prefeituras, principalmente pela falta de qualificação e estrutura técnica para cuidar dos postes, luminárias, lâmpadas e de sua manutenção. Além disso, é claro, preocupam os possíveis impactos econômicos negativos associados a essa mudança.

Passado o período de transição, as prefeituras deveriam aproveitar esta responsabilidade adicional como uma oportunidade para racionalizar a iluminação das cidades, minimizando os impactos ambientais, econômicos e na saúde humana causados pela poluição luminosa. Os municípios certamente têm mais condições de atender às especificidades locais, como a necessidade de proteger reservas naturais, observatórios astronômicos, de levar iluminação para zonas rurais e fomentar o turismo científico e ambiental.

Apesar de um possível impacto econômico negativo em primeiro momento, a longo prazo, se as cidades optarem por luminárias e lâmpadas eficientes e corretamente instaladas, os gastos tendem a diminuir, uma vez que a iluminação racional economiza energia elétrica e implica em menores gastos com manutenção. Ainda que a tendência de terceirização do serviço de iluminação se concretize, os municípios podem exigir nos processos de licitação que as empresas concorrentes sejam comprometidas com a implantação de pontos de iluminação racionais e não poluentes.


As imagens acima mostram a cidade de Monte Pátria, no norte do Chile, antes (esquerda) e depois (direita) de racionalizar a sua iluminação externa. Note que o resultado é a menor quantidade de luz direcionada para cima e uma visão mais clara das ruas da cidade. A redução do consumo de energia com a reestruturação foi de cerca de 60%, resultando em uma economia em torno de 150 mil dólares ao ano. Imagens obtidas em: http://spie.org/x42167.xml.

Hoje, estima-se que cerca de 30% do que pagamos pela a iluminação externa esteja sendo desperdiçado através da poluição luminosa, iluminando inutilmente o céu. Assim, da situação aparentemente adversa que os municípios enfrentarão a partir de 2014, pode surgir uma importante oportunidade para criar cidades mais sustentáveis e com melhor qualidade de vida para os seus cidadãos.


As prefeituras terão agora a oportunidade de planejar a iluminação de acordo com as especificidades locais e, quem sabe, podem ajudar a população a retomar o contato com as belezas do céu noturno (Crédito da imagem obtida no Observatório do Pico dos Dias: Tânia Dominici).



Update em 03/11/2014: Reportagem do Jornal Nacional diz que municípios têm até 31 de dezembro de 2014 para assumir a iluminação pública e a Aneel afirma que não mais prorrogará o prazo.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

As tartarugas marinhas e a poluição luminosa: aproveite o Dia Internacional das Tartarugas para entender o problema

Circula pela internet que hoje, dia 23 de maio, comemora-se o Dia Internacional das Tartarugas (World Turtle Day), promovido pela organização não governamental americana ATR. É uma ótima oportunidade para discutir ações de preservação do meio ambiente que garantam a sobrevivência desses animais.

Para as tartarugas marinhas, em particular, um dos maiores obstáculos é a poluição luminosa, causada pela utilização irracional da iluminação artificial. Esses animais dependem de um ambiente escuro para se locomoverem. O problema começa com as fontes de luz alterando o comportamento das fêmeas na seleção dos pontos de desova na praia e dificultando o retorno  delas para o mar.

Quando os filhotes nascem, naturalmente buscam se mover no sentido contrário dos ambientes escuros e vão em direção ao oceano, sutilmente iluminado pelas estrelas e a Lua em condições ambientais ideiais. Com a presença de luzes artificiais na praia, as tartaruguinhas não conseguem diferenciar os ambientes, resultando em desorientação. Se elas demoram a alcançar o mar, ficam expostas a predadores e podem morrer desidratadas. Também existem relatos desses animais sendo atropelados  ao tentar atravessar avenidas próximas às praias, ou invadindo residências e restaurantes ao serem atraídas pela iluminação artificial.



As tartarugas marinhas, recém nascidas, são atraídas pelas luzes artificiais ao invés de se deslocarem na direção do mar. A poluição luminosa é uma grande ameaça à sobrevivência desses animais (imagem: NIH).


No Brasil, o projeto Tamar tem trabalhado pela aprovação de leis que regulamentem a iluminação artificial nas áreas de desova, com sucesso. A instituição também oferece orientações de como iluminar corretamente. Veja um exemplo na imagem abaixo e clique aqui para baixar a cartilha completa. Note que, ainda que direcionadas à questão das tartarugas marinhas, essas recomendações são válidas para combater a poluição luminosa em qualquer local, no sentido de evitar o desperdício de energia elétrica, iluminando desnecessariamente o céu e impedindo a observação das estrelas...


Parte do material disponibilizado pelo projeto Tamar, com orientações para a iluminação em áreas de desova das tartarugas marinhas. Faça o download da apostila completa.

O vídeo abaixo também ajuda a entender a questão. Lembre-se que no YouTube é possível incluir legendas e traduzi-las para o português.




Veja aqui informações adicionais sobre os impactos ambientais da poluição luminosa.


Imagem obtida em https://www.facebook.com/SeaTurtleOP

Via @IDADarkSky.



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Calgary, no Canadá, aprova nova regulamentação contra a poluição luminosa

Na segunda, dia 08/04, a cidade de Calgary, no Canadá, aprovou por unanimidade uma nova regulamentação para iluminação externa, visando o controle da poluição luminosa.

A medida é um reconhecimento ao fato de que a má iluminação representa um gasto desnecessário de recursos financeiros e está afetando as atividades do Observatório Astronômico de Universidade de Calgary.

A nova regulamentação implica em requerimentos mais exigentes para novos pontos de iluminação e na obrigatoriedade de planos de iluminação detalhados em solicitações de licenças para novas obras. Antigos pontos de iluminação não precisam ser modificados imediatamente e devem ir se adequando conforme forem sendo substituídos, ao fim de sua vida útil.

A nossa ideia para as cidades nos arredores do Observatório do Pico dos Dias é bastante semelhante: exigir que novos pontos de iluminação sejam racionais e ir adequando os antigos conforme tiverem que ser trocados. É importante notar que um eventual maior investimento em luminárias e lâmpadas mais modernas e menos poluentes é compensado pela economia em manutenção, consumo de energia elétrica e maior vida útil. 

Imagem recente de Calgary à noite a partir da Estação Espacial Internacional (ISS). obtida pelo astronauta canadense Chris Hadfield e  compartilhada em seu twitter,  


Outra visão das luzes de Calgary a partir do espaço (NASA Geophysical Data Center, http://www.blue-marble.de/nightlights/2012). Tudo isso é luz desperdiçada, que não está ajudando a população a se locomover com segurança, agride o meio ambiente e ainda impede a observação das estrelas...



Acesse as notícias originais (em inglês):

Veja também: RASC Calgary Centre, com informações sobre poluição luminosa e as ações de combate na região de Calgary.



quinta-feira, 4 de abril de 2013

Mais um observatório astronômico fechado devido à poluição Luminosa - Zijinshan Observatory

O Zijinshan, também conhecido como Purple Montain Observatory (Nanjing, China) foi o primeiro observatório e instituição de pesquisa astronômica construídos na China durante o século XX. A sua construção teve início em 1928 e as operações foram iniciadas em 1934.

No final de março, foi anunciado o encerramento das operações noturnas do observatório. A principal causa é a poluição luminosa, sendo que alguns pesquisadores relatam que não é mais possível sequer ver a Via Láctea no sítio do observatório (Observatory inactive due to light pollution). Segundo a reportagem, outros observatórios chineses estão seriamente ameaçados. Durante os anos de operação, vários asteroides e cometas foram descobertos no Zijinshan Observatory, que também mantém equipamentos e linhas de pesquisa em radioastronomia.

Purple Mountain Observatory, localizado em Nanjing (China), cujas operações noturnas foram encerradas devido à poluição luminosa. Imagem de Julius Rabl via Wikipedia


É muito triste ver mais uma infraestrutura de pesquisa astronômica vencida pela iluminação artificial irracional. Veja aqui a página do observatório (em inglês) e a notícia completa sobre o fim das operações devido à poluição luminosa.

Isso não precisa acontecer: a poluição luminosa pode ser evitada e até revertida. Além disso, áreas em torno de locais especiais como reservas naturais e observatórios astronômicos devem ser protegidas por legislações ou regulamentações que orientem os moradores em seus arredores no sentido de não produzir poluição luminosa. 


"Os locais privilegiados para a observação astronômica constituem um bem escasso no planeta e sua conservação representa um esforço mínimo em comparação com os benefícios que surgem do conhecimento e do desenvolvimento científico e tecnológico. A proteção da qualidade dos céus nestes locais tão singulares deverá constituir uma prioridade nas políticas de preservação do meio ambiente e científicas de caráter regional, nacional e internacional. Medidas e disposições extremas devem ser feitas de modo a permitir a proteção destes locais dos efeitos nocivos da poluição luminosa, radio-elétrica e atmosférica."





quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

França cria lei para diminuir o consumo de energia elétrica e a poluição luminosa

A partir do início de julho, todos os imóveis não residenciais da França deverão desligar as luzes do seu interior até uma hora depois da saída do último funcionário. As luzes externas serão desligadas até 1:00 h da manhã.


A lei preserva datas festivas, como o Natal, eventos e todos os serviços necessários para a segurança da população. Ou seja, determina o que deveria ser o lógico: a iluminação artificial só deve ser utilizada quando e durante o período de tempo em que for realmente necessária.


A expectativa é de economizar anualmente o equivalente ao consumo de energia elétrica de 750 mil residências.


A ministra do meio ambiente, Delphine Batho, afirmou que a legislação coloca a França como pioneira na prevenção  da poluição luminosa, que perturba os ecossistemas e o sono das pessoas.

Ainda não conhece os impactos da iluminação artificial irracional? Veja na nossa página sobre poluição luminosa.


Ah! As luzes de Paris... Mas, cadê as estrelas?! (Crédito: T. Dominici).


Acesse também as notícias originais do jornal britânico Telegraph: "Paris, the City of Light to be plugged into darkness?" e "France to have lights turned off".





terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Blanco, no Texas, cria programa de reconhecimento às empresas amigas do céu noturno

A Câmara de Comércio da cidade de Blanco (Texas, EUA) criou um programa de reconhecimento público às empresas que adotam sistemas de iluminação sustentáveis e não poluentes.  A iniciativa baseia-se no entendimento de que o incentivo ao turismo, motivado pela possibilidade de contemplar céus noturnos preservados, beneficiará as empresas da região.


Selo oferecido às empresas que ajudam a manter preservado o céu noturno da cidade de Blanco, no programa de reconhecimento público a esses esforços lançado pela Câmara de Comércio da cidade.


Exemplo interessante para ser seguido pelas cidades no entorno do OPD, que também podem vir a se beneficiar economicamente do turismo científico e ambiental.






Página de notícias sobre Poluição Luminosa (PL), mantida pela astrofísica Tânia Dominici.

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