quarta-feira, 15 de abril de 2015

Estamos na Semana Internacional dos Céus Escuros 2015!


Entre os dias 13 e 19 de abril estamos celebrando a Semana Internacional dos Céus Escuros 2015 (International Dark Sky Week). O evento de conscientização é promovido pela IDA, principal organização não governamental de combate à poluição luminosa.

Vamos então aproveitar para aprender um pouco mais sobre o assunto e, principalmente, sobre o que cada um de nós pode fazer. Os três vídeos abaixo foram produzidos pelo projeto "What you can do" e a ideia central é que se você tem apenas um minuto, você pode mudar o mundo.  É uma premiada série de vídeos onde são apresentadas soluções e mudanças de comportamento que podem fazer a diferença para a sociedade e o planeta - em um minuto.

No caso da poluição luminosa, o projeto produziu os três vídeos abaixo: Proteger o céu noturno, Ajudar a proteger pássaros e Ajudar a proteger a vida selvagem. Os vídeos estão em inglês, mas lembre-se que no You Tube é possível colocar legendas traduzidas.

Não perca mais nem um minuto e aproveite as informações dos vídeos!








Além disso, durante esta semana a IDA sugere a leitura de um texto por dia para nos aprofundarmos nas questões ligadas à poluição luminosa:

A árvore e as Plêiades, também conhecidas como Subaru ou as Sete Irmãs. Foto: Tânia Dominici.

Os vídeos do "What you can do" estão entre as referências de multimídia da página da IDA.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Boa notícia: a poluição luminosa no Reino Unido parece estar diminuindo!


Uma pesquisa divulgada recentemente indica que a poluição luminosa no Reino Unido está diminuindo! Uma queda de 28% foi observada desde 1992, sendo que o brilho do céu foi calculado com base em dados obtidos por dois satélites, o Operational Linescan System (OLS) e o Visible Infrared Imaging Radiometer Suite (VIIRS), já citado em uma postagem anterior.

Segundo o trabalho, a poluição luminosa teve seu máximo em 1993 e a previsão é que, entre 2015 e 2025, ela deve cair mais 21%. A imagem abaixo mostra a redução observada até 2014, ao longo do território do Reino Unido.

Estimativa da redução da poluição luminosa, entre 1992 e 2014, ao longo do território do Reino Unido. Créditos da imagem: City A.M..

O mais surpreendente é que a pesquisa foi promovida pela Hillarys, uma empresa britânica de cortinas, persianas e afins.  Fora de propósito? Não! Existe um tipo de poluição luminosa chamada de "luz intrusa". É quando a luz pensada para um ambiente invade o outro. É o caso da iluminação da rua e da vizinhança que invade seu quarto durante a noite, comprometendo sua saúde, e a luz da sua sala que inadequadamente invade o ambiente externo enquanto você lê, conversa ou assiste televisão. Para minimizar o impacto deste tipo de poluição é fundamental utilizar cortinas e persianas adequadas. A Hillarys está agregando um importante valor social ao seus produtos ao divulgar em sua página da internet artigos explicando o que é a poluição luminosa e dando dicas para evitá-la.


A pesquisa sobre a incidência e variação da poluição luminosa no Reino Unido está sendo divulgada em uma página própria: SKYGLOW - Light Pollution & the UK’s Changing Skies (Brilho do céu - Poluição Luminosa & os céus em mudança no Reino Unido). Nela é possível interagir com um mapa e verificar o brilho do céu ao longo da região, medidos com o OLS e o VIIRS entre 1992 e 2014, e as simulações de como a situação deve evoluir até 2015. Veja exemplos nas imagens abaixo.
 

Comparação entre a quantidade de poluição luminosa no Reino Unido em diferentes épocas. De cima para baixo: dados de 1992, 2012 e simulação da situação em 2025. Captura de tela da ferramenta interativa disponível na página de divulgação da pesquisa. As áreas em vermelho indicam as maiores concentrações de iluminação inadequada.

Enquanto a poluição luminosa parece ter diminuído 28% entre 1992 e 2012, a população da região cresceu em 10%. O que pode estar acontecendo então? Uma das hipóteses é que a iluminação esteja sendo melhorada através do uso de luminárias e lâmpadas mais adequadas, que minimizam o espalhamento da luz para fora da área em que ela é necessária. Outro fator importante é que, com a migração das pessoas para as grandes cidades, a poluição luminosa aumentaria nestes locais mas lá ficaria concentrada, diminuindo a quantidade de luz em áreas mais remotas. 

Não podemos desprezar novos fatores, como a popularização das lâmpadas LED. Apesar de muito econômicas e com feixe de luz fácil de ser orientado, elas ainda são muito brancas e emitem em frequências desnecessárias para o deslocamento humano durante a noite. Assim, o mal uso da nova tecnologia, já discutido aqui, pode frustrar as previsões otimistas do trabalho liderado pela Hillarys.

Aos que duvidam da integridade das informações, o trabalho foi realizado com o suporte de vários especialistas, inclusive da International Dark Sky Association (IDA), principal organização de estudo e combate à poluição luminosa.

Neste momento estou justamente precisando comprar cortinas e persianas para o meu novo apartamento. Como consumidora, se pudesse escolher, definitivamente contrataria os serviços da Hillarys. A consciência social da empresa faz toda a diferença. Infelizmente, eles ainda não trabalham no Brasil...


 
Veja mais:
 

quarta-feira, 11 de março de 2015

A campanha "Globe at Night" completa dez anos!

Em 2015, a campanha de ciência cidadã Globe at Night está completando dez anos de atividades! É um projeto oficial do National Optical Astronomy Observatory (NOAO), instituição norte americana responsável pela operação dos telescópios ópticos em solo disponíveis aos astrônomos daquele país.

Através do Globe at Night qualquer pessoa, de qualquer lugar do planeta, pode contribuir para pesquisas sobre a incidência da poluição luminosa. Basta acompanhar as campanhas mensais, observar e contar estrelas nas constelações indicadas e enviar seus resultados para serem incluídos na base de dados. Além dos procedimentos serem muito simples e bem documentados, o "cientista cidadão" ainda tem o prazer de dedicar alguns minutos para contemplar o céu noturno!

Sem dúvida, durante estes dez anos, o Globe at Night tem coordenado a coleta de informações essenciais e que podem ser usadas em diversas análises, testemunhando o impacto da iluminação artificial no meio ambiente, nas nossas vidas e na nossa capacidade de observar as estrelas...

Outras informações sobre o Globe at Night já foram apresentados neste post. Uma explicação detalhada de como comunicar os resultados através do aplicativo web do projeto pode ser vista aqui. Este aplicativo é disponibilizado em várias línguas, inclusive em português.

Hoje, 11 de março, tem início a terceira campanha de 2015 e devemos contar quantas estrelas podemos ver na constelação do Cruzeiro do Sul. As outras datas e constelações a serem observadas no Hemisfério Sul são:


O mapa abaixo mostra os resultados de 2014, quando mais de 18 mil observações foram enviadas. Mas, por que participamos tão pouco no Brasil? Dê a sua contribuição! Todas as constelações são de fácil identificação já no início da noite! (Tudo bem, Grou é um pouco mais complicada...). A meta é conseguir 20 mil observações até o fim deste ano!


Visão geral dos resultados da campanha de 2014, quando 18506 observações foram enviadas. Note como o Brasil participa pouco, assim como outros países da América do Sul. Resultados de outros anos e em diferentes formatos podem ser encontrados nesta página.

Visando colaborar para que seja formada uma base de dados mais homogênea e completa, Christopher Kyba, do projeto e blog Loss of the Night, fez um levantamento e disponibilizou os locais de onde já foram fornecidas observações em algum momento mas, nos últimos cinco anos, ninguém se propôs a repeti-las. Assim, ficamos sem saber como a situação evoluiu naquele local. 

Kyba diz (tradução livre): "O melhor lugar para fazer uma observação e ajudar a estimar a poluição luminosa é um lugar muito perto de sua casa, onde você possa observar novamente no futuro. Mas, se  estiver disposto a viajar um ou dois quilômetros, a fim de nos ajudar a controlar a forma como a contribuição da luz artificial está mudando, você poderia nos ajudar, fazendo uma observação perto do mesmo local onde já foi feita no passado". Consulte o mapa com 5 mil locais onde as observações precisam ser novamente realizadas e veja se pode ajudar!


Imagem do blog Loss of the Night mostrando 5 mil locais onde contagens de estrelas para o projeto Globe at Night foram feitas em algum momento nos últimos nove anos, mas nunca repetidas para registrar a evolução da poluição luminosa naquele local.

O Globe at Night tem uma newsletter mensal, que pode ser assinada ou lida neste link. Este mês, por exemplo, tem a indicação da página Light Pollution Map, onde é possível acompanhar medidas de brilho de fundo do céu obtidas com equipamentos como o Sky Quality Meter (SQM) e fornecidos pela instituição norte americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). Na imagem abaixo é possível ver a área com maior incidência de poluição luminosa no Brasil, que inclui São Paulo, Rio de Janeiro e entre elas, no Sul de Minas, o local onde está instalado o maior telescópio profissional em solo brasileiro, o Observatório do Pico dos Dias (cerca de 35 quilômetros de Itajubá).


Mapa da poluição luminosa na área mais afetada do Brasil, incluindo as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Imagem produzida através da página Light Pollution Map. Clique para ampliar!

É sempre importante lembrar que as observações realizadas através dos aplicativos 'Dark Sky Meter' (iOS) e 'Loss of the Night' (para iOS e Android) também se juntam aos esforços do Globe at Night, de mapear a incidência e variação da poluição luminosa em todo o globo terrestre. São várias as oportunidades e maneiras de colaborar com as pesquisas!

Nova página web do projeto Globe at Night, marcando seus dez anos de existência.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O Observatório de Mont-Mégantic quase fechou. E não foi por causa da poluição luminosa!


Na quarta-feira, 11 de fevereiro, foi noticiado que o Observatório de Mont-Mégantic (OMM, Quebec, Canadá) iria encerrar as operações em abril. O motivo era a falta de recursos financeiros, uma vez que, dentro da política econômica de contenção de gastos do governo canadense, o orçamento havia sido cortado em 500 mil dólares.

Porém, em poucas horas a situação se reverteu! Quando as notícias do fechamento começaram  a ser divulgadas e as reações nas redes sociais surgiram (por exemplo, através da hasthag #sauvonsOMM - salvar OMM), o governo canadense voltou atrás e se comprometeu a completar o orçamento para as operações do OMM por pelo menos mais dois anos.

A situação é de particular interesse para os brasileiros por conta de duas peculiaridades: a primeira é que o telescópio do OMM é um Perkin-Elmer com espelho primário de 1.60 m de diâmetro, idêntico ao que o Observatório do Pico dos Dias possui (o maior em território brasileiro). Compare nas imagens abaixo. O OMM opera desde 1978 e, o OPD, desde 1980.


Esquerda: Telescópio Perkin-Elmer com espelho primário de 1.60 m de diâmetro do Observatório de Mont-Mégantic, Canada. Crédito: Sébastien Giguère/ASTROLab/Mont-Mégantic National Park. Direita: o telescópio idêntico no Observatório do Pico dos Dias. Crédito: LNA.


O outro ponto a ser destacado é que, apesar de estar a apenas 250 km de uma grande cidade como Quebec e a 1100 metros de altitude (o OPD está a 1864 m), o OMM está em um sítio pouco contaminado pela poluição luminosa. Inclusive fica em uma reserva de 5500 km2 certificada pela Associação Internacional dos Céus Escuros, a IDA. Este não é o caso do OPD, cuja qualidade do céu vem sendo comprometida de maneira crescente pelo aumento descontrolado da iluminação irracional nos seus arredores.

O trabalho realizado na região do OMM é uma referência internacional de combate à poluição luminosa e preservação do céu estrelado, cujos detalhes podem ser encontrados em uma página própria. Uma série de documentos técnicos com recomendações para boas práticas de iluminação está disponível (em francês, mas o Google tradutor ajuda...).



Captura de tela da página web sobre a reserva de céus escuros do Mont-Mégantic, onde podem ser encontradas informações sobre o local, acerca do problema da poluição luminosa e uma série de documentos com orientações para assegurar céus escuros.


 Deste episódio podemos tirar algumas lições. A primeira é que a sociedade precisa se mobilizar pelos seus interesses. Se a ciência não está na ordem do dia, é responsabilidade dos cientistas, divulgadores e jornalistas da área se empenharem para trazer à tona os assuntos relacionados. Não apenas o Canadá, mas praticamente todos os países passam por um período de contenção de despesas (é o caso do Brasil). Neste contexto, a astronomia também atravessa um momento peculiar: visando conseguir recursos financeiros para os novos projetos de telescópios extremamente grandes em sítios de excelência, observatórios menores estão sendo fechados, ainda que sejam produtivos do ponto científico. Tendo o objetivo de evitar o fechamento dessas infraestruturas de pesquisa, é preciso que a sociedade colabore demonstrando claramente quais ela acredita que devem ser as prioridades de investimento de país. E ciência é a base para uma população mais educada, saudável e com oportunidades de crescimento econômico e pessoal.

Além disso o OPD, ao contrário seu gêmeo canadense, não possui nenhum controle da poluição luminosa nos seus arredores, seja através de legislações e/ou regulamentações ou de ações sistemáticas de conscientização popular e para os administradores públicos. Ou seja, ainda que uma parcela significativa da comunidade astronômica deseje a continuidade das operações, chegará um momento em que a questão ambiental as inviabilizará. A menos que providências incisivas sejam tomadas o mais rápido possível.


No topo: Observatório de Mont-Mégantic, Canadá. Crédito: Guillaume Poulin/Parc national du Mont-Mégantic. Abaixo: Prédio do telescópio gêmeo no Observatório do Pico dos Dias, Brasil. Crédito: Tânia Dominici.

Assim como o OPD, o OMM tem um papel fundamental na astronomia canadense, pois proporciona o treinamento avançado de estudantes em observações astronômicas, e funciona como um laboratório de desenvolvimento instrumental para observatórios maiores, como o CFHT. Tudo isso sem deixar de realizar pesquisas científicas de vanguarda, como a descoberta feita no ano passado de um planeta com cerca de dez vezes a massa de Júpiter, orbitando uma estrela jovem.


"Reserva de céu estrelado do Mont-Mégantic - Um patrimônio coletivo a ser protegido". Cartaz de conscientização popular produzido pela reserva.



Para saber mais:

A reviravolta:

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Poluição luminosa afeta a saúde humana comprometendo a produção de melatonina


Sempre falamos que a poluição luminosa afeta a vida de várias espécies animais e vegetais, incluindo a nossa, por comprometer o ciclo circadiano. O que isso significa exatamente?

O ciclo circadiano é o ciclo biológico que ocorre na maioria dos seres vivos em um intervalo de 24 horas. Ele é influenciado principalmente pela variação de luz e temperatura entre o dia e a noite. O controle do nosso sono e do apetite, por exemplo, é afetado pela disfunção do ciclo circadiano. Isto ocorre através do comprometimento da produção de substâncias importantes para a manutenção do corpo, como o hormônio melatonina que é produzido durante o sono e em ambientes escuros.

A poluição luminosa causada pela luz do ambiente exterior que adentra o quarto durante a noite (chamada de luz intrusa), as lâmpadas que emitem luz muito branca no interior das casas e o hábito crescente de utilizar computadores, smarthphones e tablets até altas horas da noite, vêm desequilibrando a produção de melatonina nas pessoas.

Em janeiro, a Agência FAPESP divulgou alguns resultados recentes obtidos pelo Professor Dr. José Cipolla Neto (ICB/USP) e seus colaboradores, através de financiamento oferecido pela agência paulista. Estes resultados indicam que a falta de melatonina pode causar obesidade e diabetes pois, muito além de regular o sono, este hormônio controla a ingestão alimentar, o gasto de energia e seu acúmulo no tecido adiposo, a síntese e a ação da insulina nas células.

A melatonina também é um importante agente anti-hipertensivo, regula a resposta do organismo à atividade física aeróbica e participa da formação de neurônios durante o desenvolvimento fetal e pós-natal.

A resposta do professor da USP, quando perguntado a respeito de quais fatores podem prejudicar a produção de melatonina, cita explicitamente a poluição luminosa:

"Cipolla Neto – A principal causa de queda na produção noturna de melatonina é a fotoestimulação. A maioria das pessoas começa a produzir esse hormônio por volta de 20 horas. Quando o indivíduo se expõe à luz durante a noite, seja vendo TV ou mexendo no smartphone ou no computador, a síntese de melatonina que deveria estar ocorrendo nesse período é bloqueada. Esse pode ser um dos fatores por trás da epidemia de obesidade da sociedade contemporânea. Também há fatores relacionados com intervenções médicas. Várias drogas usadas na clínica alteram a produção de melatonina, como os betabloqueadores, os bloqueadores de canal de cálcio e os inibidores da enzima conversora de angiotensina (as três drogas são usadas contra hipertensão). Indiscutivelmente, os mais poderosos são a poluição luminosa noturna e o trabalho no turno da noite."

O Dr. Cipolla Neto informa que, em cerca de 75% das pessoas, a produção de melatonina se inicia por volta das 20 h. Ou seja, a partir deste horário deveríamos começar a minimizar a exposição à iluminação artificial a fim de não comprometer o ritmo natural do corpo. A Agência Fapesp também questiona como podemos tornar a rotina menos danosa para quem precisa trabalhar até tarde e/ou acordar muito cedo, ao que o pesquisador responde:

"Cipolla Neto – Uma das coisas que têm sido sugeridas é eliminar o comprimento de onda da luz azul, de 480 nanômetros, que controla a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina. As empresas de iluminação já estão trabalhando nesse tema. Estudos mostraram que, se o ambiente noturno estiver com baixas intensidade de luz azul, o indivíduo pode permanecer trabalhando sem ter a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina afetadas significativamente. Mas esse é justamente o comprimento de onda emitido pelo LED de luz azul presente em computadores, televisores e smartphones. Há empresas que vendem películas para colocar na tela e filtrar a luz azul. É uma forma de lidar com o problema."

Vários estudos têm comprovado que a exposição à luz artificial durante a noite aumenta os riscos de câncer, em particular o de mama e o de próstata, dois tipos que são ligados às disfunções na produção hormonal (veja, por exemplo, a revisão de Angela Spivey, Light Pollution: Light at Night and Breast Cancer Risk Worldwide).

Uma ferramenta interessante para quem precisa ficar conectado até mais tarde é o programa f.lux, disponível para os sistemas operacionais Windows, OS e iOS (iPhone e iPad). Ele faz com que a cor da tela do seu dispositivo se adapte ao horário do dia: mais quente (amarelado) quando anoitece e reproduzindo a luz solar durante o dia.

Veja a matéria completa da Agência FAPESP sobre o aumento de risco de obesidade e diabetes associado à baixa produção de melatonina e as recomendações da Dra. Mariana Figueiro (RPI/USA), autora de estudos pioneiros sobre a influência dos dispositivos eletrônicos no sono, para que a luz seja utilizada de modo a ajudar a nossa saúde.

Seguem as referências dos artigos publicados pelo grupo do ICB/USP sobre o assunto:






Como dormir bem com tanta luz? Exemplo de luz intrusa. Imagem de Ian Cheney.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Blackout City


Depois do trabalho de Thierry Cohen, que buscou mostrar como seria o céu noturno de grandes metrópoles caso todas as luzes fossem apagadas, e dos registros de Christina Seely, a respeito dos excessos nas 45 cidades mais brilhantes do Planeta, o fotógrafo Nicholas Buer apresenta sua colaboração para ilustrar de maneira impactante o quanto a poluição luminosa impede a nossa visão do Universo.

Buer descreve "Blackout City" como "um filme experimental em timelapse que faz o invisível, visível" (tradução livre).

Motivado pela história do blackout ocorrido em 1994 em Los Angeles (EUA), já contada aqui, em agosto de 2013 ele deu início ao projeto: fotografou vários locais de Londres (Reino Unido) durante o dia e procurou uma região de céus escuros na mesma latitude, a fim de registrar as estrelas tais como seriam vistas da capital, não fossem as luzes artificiais irracionalmente utilizadas...

As imagens da cidade foram manipuladas para parecem obtidas durante a noite e com todas as luzes artificiais apagadas. As astrofotografias também foram processadas visando reproduzir realmente o que o olho humano consegue enxergar em céus preservados. Não fosse todo este trabalho complexo o bastante, Buer ainda combinou as imagens da cidade e do céu de modo a ser fiel à posição das estrelas e outros objetos celestes em cada local, do ponto de vista astronômico. O resultado deste incrível projeto pode ser visto abaixo, ou diretamente na página do Vimeo, onde o vídeo foi disponibilizado. É deslumbrante!







Visite a página oficial de Nicholas Buer para conhecer mais sobre o seu incrível trabalho.

Agradecimentos ao Dr. Artur Moes (UERJ) pela indicação do vídeo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

2015 é o Ano Internacional da Luz!


Em dezembro de 2013, durante a sua assembléia geral, A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) decidiu que em 2015 seria comemorado o Ano Internacional da Luz (IYL2015). 

Segundo o texto da resolução (em tradução livre a partir da versão em inglês): "... 2015 coincide com o aniversário de uma série de marcos na história da ciência da luz, incluindo os trabalhos em óptica de Ibn Al-Haytham em 1015, a noção da luz como uma onda proposta por Fresnel em 1815, a teoria eletromagnética da propagação da luz proposta por Maxwell em 1865, a teoria de Einstein para o efeito fotoelétrico em 1905 e a incorporação da luz na cosmologia através da relatividade geral em 1915, a descoberta da radiação cósmica de fundo por Penzias e Wilson e o resultado obtido através das pesquisas de Kao a respeito da transmissão da luz em fibras ópticas para a comunicação, ambos em 1965".

O objetivo desta iniciativa global é destacar para os cidadãos de todo o mundo a importância da luz e das tecnologias ópticas em suas vidas, para o futuro e o desenvolvimento da sociedade. Dezenas de eventos já estão cadastrados na página oficial do evento, cuja cerimônia de abertura oficial ocorrerá nos dias 19 e 20 de janeiro de 2015 na sede da UNESCO, em Paris (França).

Uma das linhas de ação do IYL2015 é a "Cosmic Light" (Luz Cósmica, no português). Liderada pela União Astronômica Internacional (IAU/UAI), a ideia é divulgar a importância da luz que nos alcança, proveniente dos diversos objetos que compõem o Universo. Assim, a discussão sobre a poluição luminosa e a conscientização a respeito da importância dos céus escuros serão temas fundamentais durante este ano.


Logo em português do Ano Internacional da Luz 2015 - Luz Cósmica. Disponível em https://www.iau.org/iyl/resources/.

Assista abaixo ao vídeo de divulgação da iniciativa "Luz Cósmica" para o Ano Internacional da Luz, produzido pela IAU/UAI. O convite é para que "Cientistas, astrônomos amadores e o público em geral se juntem novamente [como no Ano Internacional da Astronomia, em 2009] para celebrar a Luz Cósmica que chega até a Terra". O ano de 2015 será uma oportunidade incrível para lutarmos por uma iluminação artificial racional, que respeite os ciclos naturais da vida no planeta e que nos permita voltar a ter contato com a deslumbrante visão do Universo, através da observação de um céu noturno despoluído...



No Brasil, o Ano Internacional da Luz será o tema da Semana Nacional de C&T, cuja 12o edição deve ocorrer entre os dias 19 e 25 de outubro de 2015.


Feliz Ano Internacional da Luz!


Update em 06/01/2015: o blog Gene Repórter está cadastrando blogs de ciência para uma ação sobre o Ano Internacional da Luz durante a Semana Nacional de C&T. Participe cadastrando o seu próprio blog ou acompanhando as postagens!

Página de notícias sobre Poluição Luminosa (PL), mantida pela astrofísica Tânia Dominici.

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