domingo, 28 de setembro de 2014

O estranho flagelo da poluição luminosa

O SciShow é um canal do YouTube mantido por jovens americanos que se propõe a apresentar tópicos científicos de maneira profunda, porém em poucos minutos.

O problema da poluição luminosa foi tema recente do canal, em um vídeo intitulado "The strange scourge of light pollution", ou "O estranho flagelo da poluição luminosa", em livre tradução. Em apenas dez minutos, Hank Green - o apresentador -, expõe de maneira clara a questão e as implicações ambientais, econômicas e sobre a saúde humana desse tipo de poluição. Vale muito assistir!

Logo no início, Hank Green lembra que em 1994, após um terremoto que causou a queda do sistema de energia elétrica em Los Angeles (EUA), a população em pânico começou a ligar para os telefones de emergência, relatando a aparição de uma imensa "nuvem prateada" no céu. Era a Via Láctea, que a maioria nunca tinha visto devido à iluminação artificial irracional!

O vídeo pode ser visto abaixo. A narração é em inglês, mas é possível selecionar as legendas em português (um singelo tutorial é oferecido ao final do post*).




O SciShow foi criado em 2012 e oferece vídeos com dezenas de outros temas científicos no seu canal. Você pode ajudar a manter o projeto através da página https://subbable.com/scishowO SciShow também pode ser acompanhado através do Facebook ou do Twitter.

A história de Los Angeles lembra a tira mostrada abaixo, retirada da lendária página "Calamities of Nature". A tradução para o português foi feita com a autorização do author, Tony Piro. 

Clique para aumentar!

A tira original pode ser encontrada aqui. De fato, quem nunca viu o céu noturno em um local despoluído não sabe o que está perdendo...


*Para colocar as legendas em vídeos do YouTube, clique no seguinte ícone da tela:
Em seguida, clique em "On" para acionar as legendas: 
Selecione a opção de tradução: 
E, finalmente, escolha o Português: 

domingo, 20 de abril de 2014

A vida sem céus escuros: você não sabe o que está perdendo

Entre os dias 20 e 26 de abril de 2014 acontece a Semana Internacional dos Céus Escuros (International Dark Sky Week), uma iniciativa da IDA, principal organização não-governamental trabalhando no combate à poluição luminosa.

Para colaborar com o evento, o fotografo Mark Gee, de Wellington (Nova Zelândia), produziu um vídeo com imagens mostrando a diferença entre ambientes com poluição luminosa e céus escuros.

No texto de apresentação do vídeo, Gee coloca (em livre tradução a partir do original em inglês): "Durante meu tempo como astrofotógrafo, tenho falado com muitas pessoas mundo afora, interessadas por minhas fotografias e vídeos. Fiquei realmente chocado quando algumas delas me disseram que nunca viram a Via Láctea com seus próprios olhos. Eu fiz algumas pesquisas sobre o assunto e descobri que mais de um quinto da população mundial, dois terços da norte americana e metade dos europeus [vivem em locais em que] já perderam totalmente a visibilidade da Via Láctea a olho nu! Isso é uma vergonha, e os efeitos da poluição luminosa podem ser muito mais sérios do que não sermos capazes de enxergar estrelas à noite". 

Veja abaixo o belo trabalho de Mark Gee para esta semana de conscientização acerca dos problemas causados pela poluição luminosa. A narração é em inglês, porém as imagens são, por si só, bastante ilustrativas do contraste entre a luz artificial e o céu estrelado que o artista desejou apresentar.








E você? Já viu a Via Láctea com seus próprios olhos? Se não, não sabe o que está perdendo...


Outros trabalhos do fotógrafo podem ser vistos em sua página na internet, não por acaso intitulada "The art of Night".




Update: o post foi atualizado para conter os links para todos os textos disponibilizados pela IDA durante a semana.
sexta-feira, 28 de março de 2014

Dia 29/03 às 20:30 h começa a Hora do Planeta 2014: use o seu poder!

Assim como fizemos no ano passado, incentivamos que todos participem da Hora do Planeta 2014. O evento, promovido pela WWF, será neste sábado, dia 29 de março, com início às 20:30 h.

A ideia é apagar as luzes por uma hora para demonstrarmos a nossa preocupação com o futuro do planeta. Neste sentido, a poluição luminosa é um grave problema ambiental, social e econômico, e a Hora do Planeta também nos dá a oportunidade de aproveitar aqueles minutos de privação da luz artificial para nos reconectarmos com o céu noturno.

Então aproveite e aprecie o céu! Para quem quer ter uma ideia do que seria o céu do Rio de Janeiro ou outras grandes cidades se todas as luzes fossem apagadas, basta relembrar o trabalho do fotógrafo Thierry Cohen, que fez justamente este exercício de imaginação, juntando fotos de metrópoles com imagens do céu obtidas em regiões escuras de mesma latitude. O resultado pode ser visto abaixo. Quem não gostaria de ter esta visão?


Imagens do Rio de Janeiro caso todas as luzes fossem apagadas. Créditos: Thierry Cohen.


Se alguém quiser aproveitar a Hora do Planeta para identificar as estrelas e planetas, as cartas abaixo mostram o céu noturno no Rio de Janeiro, em 29/03, às 20:30h. A primeira é uma simulação das condições usuais, com as luzes da cidade pouco racionais, direcionando parte da luz para o alto. Na carta de baixo, simulamos o céu noturno até o limite visual médio do ser humano. Ou seja, seria o que veríamos caso todas as luzes artificiais fossem apagadas ou próximo do que seria possível caso a iluminação fosse totalmente racional, cuidando para iluminar apenas o que é preciso, estritamente durante o tempo necessário.



A carta de cima simula o céu do Rio de Janeiro no início da Hora do Planeta 2014 (29 de março, às 20:30 h), com as condições usuais de poluição luminosa. Já na carta de baixo, podemos ter uma ideia de tudo o que os nossos olhos seriam capazes de captar caso as luzes fossem apagadas, e próximo do que poderia ser rotineiro se a iluminação artificial fosse racional, buscanco impactar minimamente no meio ambiente e na nossa saúde. Simulações feitas com o programa gratuito Stellarium.


Não deixe de ver a divertida série de vídeos, intitulada "O homem do Farol", produzidas pelo WWF Brasil para divulgar a Hora do Planeta 2014:



 Desligue as luzes e use o seu poder!


E, por fim é sempre interessante lembrar que estamos na terceira parte da campanha Globe at Night de 2014. Por que não contar as estrelas da constelação de Órion durante e depois da Hora do Planeta, colaborando para estimar o impacto da iluminação artificial no nosso planeta?


 
Vem para a rua! Conte estrelas e ajude a construir um planeta mais sustentável. A poluição luminosa é reversível e todos podemos colaborar!



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Está começando a campanha Globe at Night 2014!

O projeto de ciência cidadã Globe at Night conta com a sua colaboração para ajudar a estimar e monitorar o impacto da poluição luminosa no planeta.  

Os detalhes do projeto foram explicados neste postA ideia é observar uma constelação específica de fácil identificação, como Órion ou o Cruzeiro do Sul, e contar quantas estrelas são visíveis do local onde o observador (você mesmo!) mora ou por onde estiver passando. Depois é só relatar as observações pelo aplicativo na página do projeto, que este ano pode ser encontrado também em português. Assim, forma-se uma grande base de dados para diversas pesquisas e trabalhos de conscientização pública sobre os riscos da iluminação artificial irracional.

A campanha de 2014 começa na segunda, dia 20 de janeiro, com muitas novidades. Além de uma nova página na internet, agora as observações podem ser feitas durante o ano inteiro. Veja na imagem abaixo as datas das campanhas.



Datas das campanhas de observação para o projeto Globe at Night 2014 e mapa com os dados enviados durante 2013. Os brasileiros precisam contribuir mais! O arquivo em pdf pode ser encontrado aqui.

É muito fácil participar! Para cada constelação selecionada para o projeto e visível no Hemisfério Sul (ou seja, no Brasil) existe um guia de atividades em português, graças à colaboração de voluntários que traduzem o material original para diversas línguas. Seguem os respectivos links:

* Órion (constelação sugerida para as observações entre 20 e 29 de janeiro, 19 a 28 de fevereiro e 21 a 30 de março);
* Cruzeiro do Sul (observações entre 25 e 29 de março, 20 a 29 de abril e 19 a 28 de maio);
* Escorpião (observações entre 17 e 26 de junho e 16 e 25 de julho);
Sagitário (para as campanhas entre 15 a 24 de agosto, 15 a 24 de setembro e 14 a 23 de outubro);
* Baleia (entre 11 e 21 de novembro e 11 e 20 de dezembro).


Localizar Órion para participar da primeira parte da campanha é simples: essa é a constelação que contém as estrelas popularmente conhecidas como as 'Três Marias'. Está visível logo ao anoitecer, como mostra a simulação abaixo, feita com o programa gratuito Stellarium.


Logo ao anoitecer, olhando para a direção Leste, é possível observar a constelação de Órion, cujo cinturão é formado pelas estrelas conhecidas como as 'Três Marias'. Aproveite a oportunidade para observar Júpiter, convenientemente próximo ao primeiro alvo da campanha Globe at Night 2014 no Hemisfério Sul. Simulação feita com o programa gratuito Stellarium.



O dados obtidos através dos aplicativos 'Dark Sky Meter' e 'Loss of the Night', para iOS e Android, respectivamente, também são incluídos na base de dados do Globe at Night.


Outros posts já publicados no blog sobre o projeto podem ser consultados neste link.

O Globe at Night pode ser acompanhado através da sua página na internet, twitter ou no facebook.


domingo, 1 de dezembro de 2013

As 45 cidades mais brilhantes do planeta: conheça o trabalho de Christina Seely

Depois das "Cidades Escurecidas" de Thierry Cohen, mais uma fotógrafa divulga uma série de imagens que chama a atenção para as questões relacionadas à poluição luminosa.

Observando a imagem da Terra à noite, disponibilizada pela NASA e mostrada abaixo, Christina Seely, fotógrafa e educadora de São Francisco (EUA), selecionou 45 cidades nas  regiões mais brilhantes do globo. Normalmente associadas ao progresso e melhor qualidade de vida, as regiões mais iluminadas registram, antes de mais nada, o imenso desperdício de recursos econômicos e naturais com a iluminação mal planejada, que direciona a luz inutilmente para o céu.

A Terra observada à noite em outubro de 2012 (NASA Earth Observatory/NOAA NGDC). Com base nessa imagem, Seely selecionou as 45 cidades nas áreas mais iluminadas para compor a sua série Lux, que registra o brilho do céu naquelas regiões.

Durante cinco anos, a fotógrafa visitou os locais selecionados e registrou o brilho do céu, também chamado de sky glow, um dos tipos de poluição luminosa. A série de imagens resultante constitui o trabalho intitulado de Lux. Sempre que possível, Christina procurava locais mais afastados de onde pudesse observar as cidades e registrar o contraste entre a natureza e a iluminação artificial. Ambas são belas, porém incompatíveis, uma vez que a poluição luminosa provoca impactos negativos no meio ambiente e no ciclo de vida de diversas espécies animais. Veja abaixo alguns resultados desse belo trabalho.



Algumas imagens da série Lux, de Christina Seely, mostrando o contraste entre o brilho do céu gerado pela iluminação excessiva e a natureza. Em cima: Madrid (Espanha); no meio: Amsterdã (Holanda); abaixo: Tóquio (Japão).


E no Brasil?

Embora o trabalho de Seely seja uma expressão artística que promove a discussão sobre a poluição luminosa, o fato é que o monitoramento fotográfico de áreas urbanas próximas de regiões de especial interesse (como reservas naturais e observatórios astronômicos) constitui uma importante ferramenta de controle dos excessos e da qualidade da iluminação artificial.

Para exemplificar, as imagens abaixo, obtidas entre 2012 e 2013, mostram as cidades de Itajubá e Brazópolis, vistas do Observatório do Pico dos Dias.


Itajubá vista do Observatório do Pico dos Dias. Imagem obtida em 15 de maio de 2013, por T. Dominici (Canon Rebel T3i, f3.5, 20 segundos de exposição, ISO 1600). 


Brazópolis observada do OPD em imagens obtidas com 10 meses de intervalo, aproximadamente no mesmo horário (por volta das 19:30 h). À esquerda: observação em 16/08/2012; à direita: observação em 03/06/2013. Podemos verificar, do lado esquerdo da cidade na imagem mais recente, uma área de expansão urbana, utilizando lâmpadas alaranjadas e menos poluentes, de vapor de sódio de alta pressão. Na imagem de 2012, a  polêmica iluminação do campo de futebol está ligada. Imagens de T. Dominici, ambas obtidas com Canon Rebel T3i, f5.6, 5 segundos de exposição, ISO 800.


Não deixe de visitar a página de Christina Seely. O livro com as imagens pode ser adquirido aqui. As fotografias em grande formato estão, neste momento, expostas em Massachusetts (EUA).




Update em 12/03/2016: Se você quer saber mais sobre a "cidade mais iluminada do mundo", não deixe de ver o post sobre Hong Kong!

Aproveite para ver as incríveis imagens do Planeta durante a noite, nesta galeria organizada pelo jornal britânico Telegraph.


América do Sul durante a noite. Note a poluição luminosa concentrada na região sudeste do Brasil e veja a galeria completa aqui (Fonte: Telegraph/NASA).


sábado, 16 de novembro de 2013

Na adversidade, uma oportunidade...

Seguindo uma resolução de Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até o final de janeiro de 2014 a responsabilidade sobre a iluminação pública passará a ser dos municípios, e não mais das distribuidoras de energia elétrica. As cidades com menos de 50 mil habitantes terão até o final de 2014 para se adaptar (prazo que poderia vir a ser estendido até 2016).

O assunto tem causado apreensão nas prefeituras, principalmente pela falta de qualificação e estrutura técnica para cuidar dos postes, luminárias, lâmpadas e de sua manutenção. Além disso, é claro, preocupam os possíveis impactos econômicos negativos associados a essa mudança.

Passado o período de transição, as prefeituras deveriam aproveitar esta responsabilidade adicional como uma oportunidade para racionalizar a iluminação das cidades, minimizando os impactos ambientais, econômicos e na saúde humana causados pela poluição luminosa. Os municípios certamente têm mais condições de atender às especificidades locais, como a necessidade de proteger reservas naturais, observatórios astronômicos, de levar iluminação para zonas rurais e fomentar o turismo científico e ambiental.

Apesar de um possível impacto econômico negativo em primeiro momento, a longo prazo, se as cidades optarem por luminárias e lâmpadas eficientes e corretamente instaladas, os gastos tendem a diminuir, uma vez que a iluminação racional economiza energia elétrica e implica em menores gastos com manutenção. Ainda que a tendência de terceirização do serviço de iluminação se concretize, os municípios podem exigir nos processos de licitação que as empresas concorrentes sejam comprometidas com a implantação de pontos de iluminação racionais e não poluentes.


As imagens acima mostram a cidade de Monte Pátria, no norte do Chile, antes (esquerda) e depois (direita) de racionalizar a sua iluminação externa. Note que o resultado é a menor quantidade de luz direcionada para cima e uma visão mais clara das ruas da cidade. A redução do consumo de energia com a reestruturação foi de cerca de 60%, resultando em uma economia em torno de 150 mil dólares ao ano. Imagens obtidas em: http://spie.org/x42167.xml.

Hoje, estima-se que cerca de 30% do que pagamos pela a iluminação externa esteja sendo desperdiçado através da poluição luminosa, iluminando inutilmente o céu. Assim, da situação aparentemente adversa que os municípios enfrentarão a partir de 2014, pode surgir uma importante oportunidade para criar cidades mais sustentáveis e com melhor qualidade de vida para os seus cidadãos.


As prefeituras terão agora a oportunidade de planejar a iluminação de acordo com as especificidades locais e, quem sabe, podem ajudar a população a retomar o contato com as belezas do céu noturno (Crédito da imagem obtida no Observatório do Pico dos Dias: Tânia Dominici).



Update em 03/11/2014: Reportagem do Jornal Nacional diz que municípios têm até 31 de dezembro de 2014 para assumir a iluminação pública e a Aneel afirma que não mais prorrogará o prazo.

domingo, 4 de agosto de 2013

Uma tocante animação sobre poluição luminosa

O que aconteceria se as luzes da cidade desaparecessem misteriosamente e, em uma certa noite, as pessoas pudessem ver o céu estrelado como ele realmente é? A animação abaixo, com um poético desenvolvimento do tema, foi produzida por Olivia Huynh e disponibilizada em sua conta no Vimeo




Via @darkskyscott e seu blog sobre astronomia e poluição luminosa,  Visible Suns.

Página de notícias sobre Poluição Luminosa (PL), mantida pela astrofísica Tânia Dominici.

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