sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Monitoramento da qualidade do céu no Observatório do Pico dos Dias utilizando o SQM-L
Desde 2012, a qualidade do céu no OPD está sendo monitorada através de medidas do brilho de fundo do céu. Para tanto, utilizamos um equipamento chamado Sky Quality Meter (SQM-L), produzido pela empresa canadense Unihedron. As medidas são obtidas em unidades de magnitude por área (no caso, segundos de arco ao quadrado). A magnitude é uma medida de brilho cuja escala é invertida: quanto maior o valor, menos brilho, e vice-versa.
E quanto menor o brilho do fundo do céu, mais estrelas podem ser observadas. Do ponto de vista da astronomia profissional, isso significa que em locais escuros os cientistas podem investigar objetos celestes de brilho mais tênue. Se o brilho do céu é elevado por conta da poluição luminosa gerada pela iluminação artificial, de nada adianta investir em telescópios maiores, uma vez que não haverá impacto sobre a ciência que pode ser realizada naquele local. Ou seja, o descontrole no uso da luz artificial implica no subaproveitamento da infraestrutura para a astronomia observacional profissional, que é cara e cujo desenvolvimento sempre traz avanços do ponto de vista tecnológico.
E quanto menor o brilho do fundo do céu, mais estrelas podem ser observadas. Do ponto de vista da astronomia profissional, isso significa que em locais escuros os cientistas podem investigar objetos celestes de brilho mais tênue. Se o brilho do céu é elevado por conta da poluição luminosa gerada pela iluminação artificial, de nada adianta investir em telescópios maiores, uma vez que não haverá impacto sobre a ciência que pode ser realizada naquele local. Ou seja, o descontrole no uso da luz artificial implica no subaproveitamento da infraestrutura para a astronomia observacional profissional, que é cara e cujo desenvolvimento sempre traz avanços do ponto de vista tecnológico.
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| SQM-L, aparelho para medida do brilho do céu, que permite quantificar os prejuízos causados pela poluição luminosa. Produzido pela Unihedron. |
A figura abaixo mostra os dados coletados entre setembro e dezembro de 2012 no Observatório do Pico dos Dias. Até o momento, as medidas têm sido feitas na direção do zênite (ou seja, no ponto que corta a esfera celeste imediatamente acima da cabeça do observador). O brilho do céu médio durante o período foi estimado em 21.16 +/- 0.11 magnitudes por segundos de arco ao quadrado. Esse valor indica que o OPD ainda é um bom local para pesquisas astronômicas, apesar do crescimento acelerado das cidades ao seu redor. A escala de magnitudes é logarítimica e a diferença de uma unidade representa um fator de 100 no fluxo de energia. Assim, mesmo variações de décimos no brilho do céu são muito importantes.
![]() |
| Variação do brilho
do céu no OPD durante as noites, estimada com o SQM-L entre setembro e dezembro de 2012.
Os diferentes símbolos representam medidas feitas na proximidade de cada
um dos três principais telescópios do OPD (B&C, PE e Zeiss).
A flecha indica uma medida onde o fundo do céu estava muito mais claro,
devido à presença da Lua. A escala de magnitude/arcsec^2 é invertida:
quanto maior o número, mais escuro é o fundo do céu. |
O brilho de fundo do céu também varia por questões naturais, como os ciclos de atividade solar e a presença da Lua (como indicado pela flecha na figura acima). Assim, é preciso manter um monitoramento contínuo para compreender as variações naturais do sítio e o impacto da iluminação artificial nos seus arredores e em diferentes escalas de tempo.
Portanto, desde 2012, podemos oferecer informações quantitativas sobre os impactos da poluição luminosa no Observatório do Pico do Dias. Esses dados devem ajudar as cidades nos seus arredores a controlar o desperdício de energia elétrica e a qualidade de sua iluminação.
O objetivo principal deve ser manter a qualidade do céu no ponto em que está e, idealmente, melhorá-la através de ações que levem a um uso mais racional da luz artificial. Experiências em outros sítios astronômicos mundo afora mostram que a recuperação da qualidade do céu em vários décimos de magnitude é possível. Junto com isso vem a melhora da qualidade de vida da população, seja através da economia financeira proveniente de sistemas sustentáveis de iluminação ou da minimização dos impactos da luz articial na saúde humana.
Os dados atualizados do monitoramento devem ser disponibilizados, sempre que possível, por meio deste blog.
Marcadores:monitoramento,OPD,poluição luminosa,SQM-L | 0
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
A segunda etapa da campanha Globe at Night está em andamento!
Como explicamos neste post, a campanha internacional "Globe at Night" é um convite para que a população ajude a estimar a poluição luminosa no planeta. A segunda rodada de medidas em 2013 está em andamento desde o dia 31 de janeiro e vai até 9 de fevereiro.
O mapa abaixo mostra os dados fornecidos até o momento pelo Brasil. Veja aqui como enviar a sua contribuição para ajudar a mapear o problema no nosso país. Nesta época do ano, basta contar quantas estrelas são visíveis na constelação de Órion quando observada da sua cidade.
Contribuição brasileira ao projeto "Globe at Night" até o momento na campanha de 2013. Veja aqui o mapa geral e interativo.
A constelação de Órion (à direita) e as Plêiades (à esquerda) observadas no Observatório do Pico dos Dias. As nuvens refletem a poluição luminosa de Itajubá, por isso o seu aspecto alaranjado.
Acompanhe o 'Globe at Night' também no Twitter: @GLOBEatNight, e use a hashtag #GaN2013. No caso de dúvidas, não deixe de nos consultar através dos comentários. Cada participação é muito importante para a conscientização acerca dos problemas relacionados à iluminação artificial irracional.
Cartaz oficial do projeto. A próxima etapa ocorrerá entre os dias 3 e 12 de março.
Marcadores:ciência cidadã,Globe at Night,poluição luminosa | 0
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
França cria lei para diminuir o consumo de energia elétrica e a poluição luminosa
A partir do início de julho, todos os imóveis não residenciais da França deverão desligar as luzes do seu interior até uma hora depois da saída do último funcionário. As luzes externas serão desligadas até 1:00 h da manhã.
A lei preserva datas festivas, como o Natal, eventos e todos os serviços necessários para a segurança da população. Ou seja, determina o que deveria ser o lógico: a iluminação artificial só deve ser utilizada quando e durante o período de tempo em que for realmente necessária.
A expectativa é de economizar anualmente o equivalente ao consumo de energia elétrica de 750 mil residências.
A ministra do meio ambiente, Delphine Batho, afirmou que a legislação coloca a França como pioneira na prevenção da poluição luminosa, que perturba os ecossistemas e o sono das pessoas.
Ainda não conhece os impactos da iluminação artificial irracional? Veja na nossa página sobre poluição luminosa.
Ah! As luzes de Paris... Mas, cadê as estrelas?! (Crédito: T. Dominici).
Acesse também as notícias originais do jornal britânico Telegraph: "Paris, the City of Light to be plugged into darkness?" e "France to have lights turned off".
Via @IDADarkSky.
Marcadores:França,legislação,poluição luminosa | 0
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Uma visão incrível: como seriam São Paulo e Rio de Janeiro sem poluição luminosa?
O fotógrafo francês Thierry Cohen criou uma série de imagens mostrando como veríamos o céu noturno nas grandes cidades caso as luzes fossem apagadas, ou seja, sem a poluição luminosa.
Mas não são montagens aleatórias: Cohen procurou locais escuros, com a mesma latitude das metrópoles escolhidas, e produziu espetaculares fotos do céu noturno. Desse modo, registrou fielmente o que seria observado nas cidades (apenas com alguma diferença de tempo, devido à rotação da Terra). Em seguida, sobrepôs as cidades, criando visões impressionantes daquilo que deixamos de vivenciar devido à iluminação artificial.
Em cima, imagem de como seria a noite no Rio de Janeiro se todas as luzes fossem desligadas. Na imagem de baixo, o mesmo para São Paulo. Créditos: Thierry Cohen.
Tóquio, Paris, Nova Iorque e São Francisco são algumas das outras cidades retratadas. Veja mais imagens incríveis na página sobre a série intitulada "Darkened Cities" (Cidades escurecidas), além do belo texto de apresentação (em inglês). As fotos foram exibidas em Paris, no final de 2012, e estão disponíveis em livro.
É claro que não podemos 'apagar' totalmente as cidades, mas é possível minimizar os impactos da poluição luminosa, escolhendo e instalando corretamente luminárias e lâmpadas. A luz direcionada para o céu e que impede a nossa visão das estrelas é energia elétrica desperdiçada. Para saber mais, veja nossa página sobre a PL.
Via Questões da Ciência e @scienceblogsbr.
Marcadores:astrofotografia,França,poluição luminosa,Thierry Cohen | 0
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Ajude a estimar a Poluição Luminosa na sua cidade: participe da campanha "Globe at Night"!
Já ouviu falar sobre ciência cidadã? Alguns projetos de pesquisa científica geram ou necessitam de uma quantidade de dados impossível de ser analisada ou obtida por um limitado grupo de cientistas. Desse modo, criam-se programas e ferramentas para engajar a população nas pesquisas. Ou seja, qualquer pessoa pode colaborar com o desenvolvimento científico, em diferentes áreas do conhecimento. Veja, por exemplo, a página da Citizen Science Alliance (em inglês) com projetos relacionados à meteorologia, meio ambiente e, claro, astronomia...
No caso da poluição luminosa, o projeto 'Globe at Night' conta com a contribuição da população para estimar os impactos da iluminação artificial em todo o planeta. Para cada época do ano e cada Hemisfério (Sul ou Norte), uma constelação de fácil identificação é escolhida como referência. A população é convidada a contar quantas estrelas consegue observar naquela dada área do céu e a registrar suas observações na página do projeto.
A primeira campanha do ano começa hoje, dia 03/01, e vai até o próximo dia 12. Para o Brasil, a popular constelação de Órion deve ser observada. Essa página orienta a contagem das estrelas e recebe os relatos. Um manual com informações detalhadas pode ser obtido na página do projeto.
As imagens abaixo mostram exemplos das orientações simples oferecidas para a estimativa da poluição luminosa.
Mapas na direção da constelação de Órion mostrando, como exemplos, dois cenários de poluição luminosa. No mapa da esquerda não podemos sequer contar as três estrelas do cinturão de Órion (Três Marias) e avaliamos o céu limite como 'magnitude 2'. Corresponde ao que normalmente observamos em cidades de médio porte. No mapa à direita, observamos muito mais estrelas e detalhes da constelação. O céu é classificado como 'magnitude 5' e corresponde às áreas mais afastadas das aglomerações urbanas e, portanto, menos afetadas pela iluminação artificial. Veja todos os mapas de referência no manual do projeto.
Também como exemplo, o mapa abaixo mostra os resultados da campanha em 2012:
Resultados do projeto 'Globe at Night' em 2012. Note como temos poucas contribuições do Brasil! Clique aqui para explorar o mapa.
Vamos participar? Não hesite em fazer perguntas e esclarecer suas dúvidas conosco. Mapear a poluição luminosa é essencial para o planejamento de ações que minimizem os impactos da iluminação artificial na economia, na nossa saúde, no meio ambiente e, claro, para a astronomia... Veja as datas de todas campanhas planejadas para 2013:
Datas das campanhas de avaliação da poluição luminosa por cidadãos voluntários, através do projeto 'Globe at Night'. Participe!
Acompanhe o 'Globe at Night' também no Twitter: @GLOBEatNight, e use a hashtag #GaN2013.
Marcadores:ciência cidadã,Globe at Night,poluição luminosa | 0
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terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Blanco, no Texas, cria programa de reconhecimento às empresas amigas do céu noturno
A Câmara de Comércio da cidade de Blanco (Texas, EUA) criou um programa de reconhecimento público às empresas que adotam sistemas de iluminação sustentáveis e não poluentes. A iniciativa baseia-se no entendimento de que o incentivo ao turismo, motivado pela possibilidade de contemplar céus noturnos preservados, beneficiará as empresas da região.
Selo oferecido às empresas que ajudam a manter preservado o céu noturno da cidade de Blanco, no programa de reconhecimento público a esses esforços lançado pela Câmara de Comércio da cidade.
Exemplo interessante para ser seguido pelas cidades no entorno do OPD, que também podem vir a se beneficiar economicamente do turismo científico e ambiental.
Notícia original: http://www.blanconews.com/news/107104/ via @darkskyscott e @IDADarkSky
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Poluição luminosa nos arredores do OPD: Brazópolis, Santa Rita do Sapucaí e Pouso Alegre
O vídeo abaixo mostra o anoitecer na direção de Brazópolis, a cidade mais próxima do OPD e fonte de severa poluição luminosa. Note as fortes luzes de um campo de futebol, direcionadas para observatório.
No primeiro plano, as luzes de Brazópolis. Ao fundo, Pouso Alegre (esquerda) e Santa Rita do Sapucaí (direita).
De maneira geral, as luzes brancas são provenientes de lâmpadas de vapor de mercúrio de alta pressão, altamente ineficientes e perigosas para o meio ambiente no momento de seu descarte. As luzes alaranjadas, predominantes em Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí, são as lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, mais adequadas. Porém, o brilho alaranjado ou esbranquiçado sobre as cidades indica que as luzes precisam ser melhor instaladas, de modo a iluminar unicamente o solo.
Quer saber mais sobre como evitar a poluição luminosa? Consulte nossa página: 'Como podemos evitar a Poluição Luminosa?'.
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Página de notícias sobre Poluição Luminosa (PL), mantida pela astrofísica Tânia Dominici.
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